Verifica-se uma crescente capacidade de adaptação dos cibercriminosos no Telegram, mesmo perante um aumento sem precedentes das ações de moderação na plataforma. O alerta é da empresa especializada em soluções de cibersegurança Check Point.
Dados de uma nova investigação da Check Point Exposure Management, o Telegram removeu mais de 43,5 milhões de canais e grupos em 2025, com um volume diário de bloqueios que pode atingir entre 80.000 e 140.000, chegando a ultrapassar os 500.000 num único dia. No entanto, mesmos com estes números não se traduziu numa redução efetiva da atividade criminosa.
Comunidades criminosas mantêm-se operacionais apesar das remoções
A análise mostra que cerca de 20% dos canais removidos estavam diretamente ligados a atividades criminosas relevantes para empresas, incluindo fraude, venda de dados roubados e serviços de hacking. No entanto, os especialistas da Check Point indicam que a eliminação destes canais não interrompeu as operações: as comunidades reorganizam-se rapidamente, muitas vezes em poucas horas.
Uma das principais razões para esta resiliência é, apontam os especialistasa, a existência de canais de backup previamente criados, frequentemente já com audiências preparadas, garantindo continuidade operacional imediata após uma ação de moderação.
Evasão torna-se mais sofisticada
Os investigadores da Check Point identificaram padrões consistentes de evasão por parte dos atacantes, e entre as técnicas mais comuns estão:
- utilização de sistemas “Request to Join” para bloquear bots de moderação
- criação de canais alternativos e redundantes antes de qualquer remoção
- inclusão de falsas declarações de conformidade para evitar suspeitas
- uso intensivo de mensagens reenviadas que mantêm conteúdos ilegais ativos mesmo após o encerramento da fonte original
Estas estratégias permitem prolongar o ciclo de vida de conteúdos maliciosos e dificultam a ação das plataformas.
Ecossistema criminoso continua
Apesar de algumas tentativas de migração para plataformas alternativas, como Discord ou SimpleX, o Telegram mantém-se como o principal hub de comunicação para cibercriminosos. Nos últimos três meses, foram partilhados cerca de 3 milhões de links de convite para Telegram em fóruns clandestinos, enquanto o Discord representou menos de 6% desse volume.
O efeito de rede da plataforma, com mais de 800 milhões de utilizadores ativos, continua a ser determinante para a sua atratividade.
Fricção não elimina a ameaça
Para a Check Point, o principal insight é claro: o aumento da moderação cria fricção, mas não elimina a ameaça.
“Os números de enforcement do Telegram são impressionantes, mas tratam sintomas, não causas. As comunidades criminosas estão a adaptar-se mais rapidamente do que as plataformas conseguem reagir. Para as equipas de segurança, monitorizar este tipo de ambientes é hoje essencial”, afirmou, citado em comunicado, Tal Samra, Source Development Team Lead da Check Point Exposure Management.
Implicações para as organizações
Com o atual cenário é fundamental reforçar uma abordagem mais estratégica à cibersegurança. As organizações não podem depender exclusivamente das ações de moderação das plataformas. É essencial investir em inteligência de ameaças, monitorização contínua e gestão de exposição para identificar redes criminosas completas, em vez de apenas canais isolados.
Os especialistas da Check Point recomendam uma abordagem proativa, suportada por inteligência em tempo real, para antecipar ameaças e reduzir a superfície de ataque.














