Construção urbana tem impacto na circulação do vento

CentroAdapt alerta para impacto das alterações climáticas no vento em espaços urbanos. O tipo de construção condiciona a circulação do vento, colocando em causa o conforto e a segurança das pessoas. Formação sobre “Vento nas Cidades” decorre em janeiro e fevereiro.

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Construção urbana tem impacto na circulação do vento
Construção urbana tem impacto na circulação do vento. Foto: © Rosa Pinto

As cidades apresentam-se hoje mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas. A situação tem vindo a agravar-se, devido a fatores como o elevado grau de artificialidade do território, as infraestruturas de fraca qualidade e mesmo a concentração populacional.

“Nas áreas urbanas é frequente ocorrer uma diminuição média da velocidade do vento na ordem dos 20 a 30%”, indicou Manuel Gameiro da Silva, da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

O especialista explicou que “o comportamento do vento é algo que não pode ser negligenciado na construção e organização das modernas cidades, uma vez que estamos perante um elemento que influência a dispersão de poluentes e o conforto dos cidadãos.”

Dado que “se por um lado a disposição dos edifícios em torres isoladas favorece positivamente a circulação de ar e remoção de poluentes, por outro a disposição de edifícios em torno de espaços fechados acaba por surtir o efeito contrário, dificultando a dispersão de poluentes e outros resíduos”.

Almerindo Ferreira, investigador da Universidade de Coimbra, referiu: “Hoje sabemos que o espaço urbano provoca o agravamento de algumas alterações climáticas. O aumento da temperatura, a redução da velocidade média do vento e a emissão mais localizada de contaminantes devido ao trânsito de veículos, contribuem para o aquecimento das cidades e a degradação da qualidade do ar.”

“A combinação do efeito de ilha de calor com a diminuição da velocidade do vento são fatores que, inevitavelmente, vão agravar os efeitos negativos das alterações climáticas que se fazem notar nas estações mais quentes, provocando o crescente desconforto da população, o maior consumo de água, o incremento da poluição e até o aumento da morbilidade e mortalidade”, esclareceu o investigador.

O Impacto das alterações climáticas em espaços urbanos tem sido um dos objeto de estudo do CentroAdapt – Centro de vanguarda em Adaptações às alterações climáticas. Desde o início de 2018, o CentroAdapt tem vindo a disponibilizar diversas formações na área das alterações climáticas, sendo as próximas dedicadas ao tema “Vento nas Cidades”. Estas iniciativas estão marcadas para dia 29 de janeiro, no Hotel Montebelo Viseu e dia 18 de fevereiro, na Casa Costa Alemão, na Universidade de Coimbra.

Para João Carlos Marques, responsável pelo CentroAdapt, “as alterações climáticas constituem uma ameaça global para os ecossistemas naturais e humanos a nível ambiental, social e económico. Implementar estratégias concertadas e sustentáveis para mitigar os seus efeitos e potenciar a adaptação a um clima em mudança, constitui uma prioridade a curto prazo.”

“O CentroAdapt assume o papel de facilitador de informação entre a academia e as empresas/entidades, estimulando a potencial definição de necessidades dos agentes e a procura de alternativas para os desafios futuros face às mudanças climáticas”, concluiu o especialista.

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