Doença valvular cardíaca com taxa de tratamento inferior ao europeu

Estenose aórtica e insuficiência mitral afetam pessoas acima dos 50 anos e Portugal não está a acompanhar o crescimento europeu no tratamento. Os cardiologistas de intervenção temem que os doentes não recebam o tratamento mais adequado.

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Doença valvular cardíaca com taxa de tratamento inferior ao europeu
Doença valvular cardíaca com taxa de tratamento inferior ao europeu

O Registo Nacional de Cardiologia de Intervenção (RNCI), um projeto da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), mostra que em 2020, foram realizados 884 procedimentos valvulares cardíacos, minimamente invasivos e por via percutânea. Um número muito pequeno que se traduziu apenas em mais 3% face a 2019.

Rui Campante Teles, coordenador do RNCI, esclarece: “O número de salas de hemodinâmica em Portugal é limitado e estamos na cauda da Europa nessa matéria, o que se agrava com as dificuldades dos centros nacionais em recrutarem especialistas nestas áreas e disponibilizarem camas para estes tratamentos minimamente invasivos. Enquanto na Europa se dá um enorme crescimento destes tratamentos, em Portugal, há uma contração da atividade clínica na maioria dos hospitais do SNS, apenas mitigada pela abertura em 2020 de alguns novos centros”.

A APIC indica que entre janeiro e dezembro de 2020 foram implantadas, por via percutânea, 817 válvulas aórticas e realizados 67 procedimentos mitrais, numa incidência total de 86 procedimentos por milhão de habitante.

No atual contexto pandémico, os cardiologistas de intervenção temem que os doentes não recebam o tratamento mais adequado, e alerta Rui Campante Teles: “Estamos preocupados porque apenas conseguimos dar acesso, no ano passado, a uma fração dos doentes portugueses com doença valvular cardíaca grave, perdendo a hipótese de lhes proporcionar uma melhoria na qualidade e quantidade de vida.”

“Devido à idade e ao historial médico, as pessoas com doenças cardíacas estruturais, tais como estenose aórtica grave ou regurgitação mitral, são uma população de alto risco”, comenta Lino Patrício, coordenador da Campanha Corações de Amanhã, e acrescenta: “É importante os doentes não adiarem a sua intervenção, durante a pandemia COVID-19, uma vez que correm o risco de poder desenvolver estados clínicos graves, com consequências nefastas para a sua saúde”.

O presidente da APIC, João Brum Silveira, esclarece: “Todos os Laboratórios de Hemodinâmica do nosso país estão ativos e continuam a assistir regularmente as pessoas com doença cardiovascular. As equipas de cardiologia de intervenção que trabalham nesses Laboratórios estão preparadas para trabalhar no contexto da pandemia por COVID-19. Por isso, as pessoas não devem evitar os seus tratamentos. Registamos a nossa preocupação com o medo que algumas pessoas possam sentir, mas reforçamos que existem circuitos seguros e que é importante manter o tratamento adequado”.

A intervenção valvular minimamente invasiva para o tratamento de válvulas cardíacas foi introduzida em Portugal há mais de 10 anos e constitui, para alguns doentes, a única opção de tratamento.

Em Portugal, os procedimentos valvulares cardíacos por via percutânea estão disponíveis em 8 centros cardiológicos médico-cirúrgicos do Serviço Nacional de Saúde (Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, Hospital de São João, CHUC, Hospital de Santa Marta, Hospital de Santa Cruz, Hospital de Santa Maria, Hospital de Évora e Hospital do Funchal) e em vários hospitais privados.

Para aumentar a consciencialização para a doença valvular cardíaca, a APIC está a promover a campanha Corações de Amanhã, que conta com Alto Patrocínio do Presidente da República.

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