Doentes de Alzheimer duplicam a cada 5 anos

Ainda sem cura a Doença de Alzheimer afeta cada vez mais pessoas, e os especialistas, no Dia Mundial da Doença de Alzheimer, referem fatores de risco e terapêuticas que minimizam as consequências da doença no dia-a-dia do doente.

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Doentes de Alzheimer duplicam a cada 5 anos
Doentes de Alzheimer duplicam a cada 5 anos. Foto: © DR

Em Portugal haverá cerca de 11 mil pessoas com Doença de Alzheimer, uma doença que é responsável por 60% a 70% dos casos de demência. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que em todo o mundo o número de pessoas a sofrer de demência deverá rondar os 47,5 milhões. Os números foram lembrados pelas diversas associações da Doença de Alzheimer, por ocasião do Dia Mundial da Doença de Alzheimer, no dia 21 de setembro.

Mas de acordo com as previsões da Associação Internacional da doença de Alzheimer e com base nos dados da Organização Mundial da Saúde, em 2030 o número de casos de demência será de 75,6 milhões, e em 2050 atingirá os 135,5 milhões. Estimando a OMS que entre 5% a 8% da população mundial com 60 anos ou mais anos sofre ou irá sofrer de demência num determinado momento da vida.

A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa caracterizada pela morte neuronal em determinadas partes do cérebro, em que algumas causas são ainda desconhecidas. No entanto, sabe-se que à medida que a doença vai afetando várias áreas cerebrais, vão-se perdendo certas funções ou capacidades.

A memória é uma das funções muito afetada pela doença, ou seja, a doença leva a uma demência progressiva e irreversível, principalmente do funcionamento cognitivo. E como refere Mariana Mateus, fisioterapeuta do Centro de Diagnóstico e Terapias dedicado às doenças neurológicas (Neuroser), “também se verificam muitas vezes alterações comportamentais/emocionais e alterações percetivas. Apesar de esta patologia ser predominantemente cognitiva, podem existir também alterações motoras, como diminuição da mobilidade, alteração do padrão de marcha e diminuição do equilíbrio”.

Para a especialista, as alterações motoras, com origem na doença, “são muitas vezes desvalorizadas por se associarem apenas ao avançar da idade”.

É conhecido que a incidência da Doença de Alzheimer aumenta com a idade. De acordo com a Associação Alzheimer Portugal o número de doentes duplica a cada cinco anos após os 65 anos de idade.

Portugal é um país envelhecido, onde é previsível um número crescente de casos de Doença de Alzheimer. Margarida Rebolo, neuropsicóloga do NeuroSer, refere que “também existem casos com início mais precoce, a partir dos 30 anos, apesar de serem menos frequentes. Regra geral, a doença desenvolve-se a partir dos 65 anos, com a incidência a aumentar significativamente a partir dos 80” anos de vida.

Atualmente a Doença de Alzheimer é uma doença crónica e irreversível, dado que ainda não se dispõe de qualquer fármaco ou outra base terapêutica para a tratar e reverter, no entanto já há fármacos “que ajudam a minorar a sintomatologia e também abordagens não-farmacológicas que permitem que a pessoa possa, de forma adaptada, continuar a realizar as suas rotinas durante um maior período de tempo”, e Margarida Rebolo acrescenta ainda que o apoio do cuidador é fundamental “para capacitar a família a lidar da melhor forma com as dificuldades do dia-a-dia”.

De acordo com dados da Associação Alzheimer Portugal e da Organização Mundial da Saúde, são vários os fatores de risco da Doença de Alzheimer. Para além da idade (mais de 65 anos), que assume a primeira causa do surgimento da doença, é também potenciada pelas doenças vasculares, quando se sofre de hipertensão, por níveis elevados de Colesterol, por hábitos tabágicos, quando se verifica um baixo estimulo intelectual, pouca atividade social e mesmo pouca atividade física, bem como quando se sofre de obesidade, diabetes e mesmo devido a alguma hereditariedade.

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