Estado mantém 20% da EID

Negociações entre o Governo e o grupo britânico Cohort permitiram concluir a venda de 80% da Empresa de Investigação e Desenvolvimento da Eletrónica, SA (EID) ficando o Estado com 20%, através da EMPORDEF com 18% e do IAPMEI com 2%.

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Comunicações Militares
Comunicações Militares. Foto: Rosa Pinto

Por resolução do Governo de 17 de junho de 2015 foi determinada a venda da Empresa de Investigação e Desenvolvimento da Eletrónica, SA (EID), e em 31 de julho de 2015 foi estabelecido um acordo de compra e venda entre os acionistas públicos e privados da EID, para uma alienação total da posição do Estado à empresa Thunderwaves, detida a 100% pelo grupo britânico Cohort.

Na sexta-feira passada, 24 de novembro, o Governo deu por terminadas as negociações com o grupo Cohort através da transação de ações detidas pelas entidades públicas para o grupo Cohort, ficando o Estado com 20%, sendo 18% através da EMPORDEF, e 2% através do IAPMEI.

O Ministro da Defesa Nacional considerou que mantendo 20% do capital social da EID fica preservada uma posição estratégica relevante de Portugal, na estrutura acionista da Empresa de Investigação e Desenvolvimento da Eletrónica, SA.

Para o Governo o desfecho das negociações “salvaguarda, plenamente, os interesses nacionais numa das empresas portuguesas de desenvolvimento tecnológico mais avançadas e estratégicas no domínio da eletrónica e das comunicações militares”, e considera que a Cohort é “um parceiro tecnológico qualificado, num sector tecnológico dos mais relevantes.”

O Ministério da Defesa Nacional (MDN) lembrou, em comunicado que, “em fevereiro de 2016, foi iniciado pelo Governo um processo de renegociação com a Cohort, tendo por base quatro pressupostos essenciais:

Proteger os interesses do Estado na EID;

Preservar a reputação internacional de Portugal, atendendo às negociações já conduzidas anteriormente que previam a alienação de total da EID;

Corrigir irregularidades significativas identificadas pela Unidade Técnica de Acompanhamento e Monitorização do Setor Público Empresarial (UTAM) no procedimento inicial;

Cumprir o compromisso do Governo de dinamizar o setor empresarial da Defesa através da gestão das suas participações públicas.

Agora a concretização da venda de 23,09% de ações das duas entidades públicas acionistas da EID, 20,57% da EMPORDEF e 2,52% do IAPMEI, pelo valor global final de 4.382.604 euros, mantém uma participação estratégica de 20% sob controlo do Estado. O MDN lembrou que a Cohort já pagou a título de sinal, aquando das negociações iniciais, 408.943 euros, pelo que falta liquidar agora de 3.974.000 euros.

A realização da operação de venda teve pareceres favoráveis da UTAM e da Autoridade da Concorrência que consideraram da viabilidade financeira da operação e que a mesma “não ser suscetível de criar entraves à concorrência nos mercados.”

A EID concebe, desenvolve e produz equipamentos e sistemas tecnologicamente avançados destinados sobretudo ao mercado da defesa à escala global. A empresa possui cerca de 140 colaboradores, sendo metade licenciados. A área de negócio envolve as Comunicações Navais, as Comunicações Táticas, Sistemas de Mensagens Militares e Integração de Sistemas.

A empresa tem vindo a consolidar a sua posição no mercado tendo já realizado alguns fornecimentos relevantes como sejam:

Sistema Integrado de Controlo de Comunicações para mais de 140 navios nas Marinhas de Portugal, Espanha, Holanda, Reino Unido, Bélgica, Austrália, Brasil, Filipinas, Malásia, Indonésia e da Argélia.

Sistemas de Intercomunicações para viaturas militares, num total superior a 2.600 unidades, das Forças Armadas de Portugal, Alemanha, Argélia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Paquistão, Turquemenistão, Timor Leste e Turquia.

Comunicações de campanha para as Forças Armadas de Portugal, Arábia Saudita, Austrália, Bahrain, Bangladesh, Brasil, Egito, Emirados Árabes Unidos, Malásia, Paquistão.

Equipamentos de comunicações rádio para as Forças Armadas de Portugal, Egito, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Holanda, Malásia, Turquemenistão.

Sistemas de Processamento de mensagens para as Forças Armadas de Portugal e para a Marinha dos Emirados Árabes Unidos.

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