Eucalipto ocupa 26% da área florestal de Portugal continental

Inventário Florestal Nacional, agora concluído, mostra que eucalipto ocupa o segundo lugar, por espécie, da área florestal em Portugal Continental. O sobreiro e azinheira ocupam a maior área e o pinheiro bravo a terceira.

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Eucalipto ocupa 26% da área florestal de Portugal continental
Eucalipto ocupa 26% da área florestal de Portugal continental. Foto: © Rosa Pinto

Foi dado por concluído o 6º Inventário Florestal Nacional (IFN6). O IFN6 é uma peça fundamental para a implementação da Reforma da Floresta iniciada em 2016. O Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural indicou, em comunicado, que “os trabalhos de fotointerpretação terminaram de final de 2018”, mas os dados finais só foram concluídos em junho.

O IFN6 que envolveu 6 empresas na recolha de dados, sob coordenação do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), vai “permitir a atualização dos Programas Regionais de Ordenamento Florestal (PROF), que já estão em vigor, adaptando-os aos novos dados, uma estratégia que permitiu ao país avançar com a implementação da Reforma da Floresta”.

Os dados recolhidos e analisados permitiu concluir que a maior área de floresta (1 063 000 ha) é coberta por montado de sobreiro e azinheira ocupando 1 063 000 ha. A segunda área é a de eucalipto com 844 000 ha, O pinheiro bravo ocupa uma área de 714 000 ha” e o pinheiro manso uma área de 193 000 há.

O inventário Florestal permitiu concluir:

Os espaços florestais compostos por floresta, matos e terrenos improdutivos, ocupam 6,1 milhões de hectares, o que corresponde a 69% do território nacional continental.

A floresta, que inclui terrenos arborizados e temporariamente desarborizados (superfícies cortadas, ardidas e em regeneração), é o principal uso do solo nacional, com 36%.

A tendência de diminuição da área de floresta, que se verificava desde 1995, inverteu-se, registando-se com este inventário um aumento de 59 mil há, ou seja de 1,9% face a 2010 (data da última avaliação).

Os matos e pastagens representam a segunda categoria mais expressiva de uso do solo, com 31%, registando um crescimento contínuo da área ocupada desde 1995.

A floresta nacional é maioritariamente constituída por espécies florestais autóctones, ocupando 72%.

Os “montados”, sobreirais e azinhais são a principal ocupação florestal, com mais de 1 milhão de hectares de superfície, representando um 1/3 da floresta. São ecossistemas florestais de uso múltiplo, que têm na produção de cortiça a sua principal função.

O pinheiro bravo e o pinheiro manso, em conjunto, são a segunda formação florestal, ocupando uma área superior a 900 mil ha. Apesar do crescimento da área de pinheiro manso, regista-se um decréscimo da área ocupada pelo pinheiro bravo. Em termos globais, mantem-se a tendência de redução da área ocupada com pinho, que vem desde 1995, embora o ritmo da redução esteja a abrandar, revelando a capacidade de resiliência destas árvores às perturbações, como é o caso das pragas que afetam os pinhais.

Os eucaliptais ocupam 844 mil hectares. Uma área que é inferior à que tem sido estimada e que representa cerca de 26% da floresta continental. Os dados recolhidos revelam um incremento sistemático da área ocupada ao longo dos últimos 50 anos.

As folhosas caducifólias, como carvalhos, castanheiros e outras, registam um aumento sistemático de área ocupada ao longo dos últimos 20 anos, sendo o crescimento dessa área mais significativo no período entre os dois últimos inventários, de 2005 a 2015, apesar de constituírem a formação florestal menos representativa em área ocupada.

Em termos estruturais, funcionais e paisagísticos, a floresta do continente está organizada em quatro grandes grupos, ou formações florestais: pinhais (constituídos por povoamentos de pinheiro-bravo e pinheiro-manso); folhosas perenifólias (“montados”, sobreirais e azinhais); folhosas caducifólias (carvalhos, castanheiros e outras); e as folhosas silvo-industriais (eucaliptais).

Durante o levantamento do inventário florestal, e em todos os pontos de amostragem no terreno, foi feita a identificação das espécies exóticas ou invasoras (seguindo a classificação do Decreto-Lei n.º 565/99). Os dados mostram a presença das espécies invasoras pelo território continental de forma generalizada, no entanto não se verificam situações de presença maciça em extensão. As acácias e háqueas, canas e chorão-das-praias são as espécies mais presentes.

No âmbito do IFN6 foi feita a identificação dos habitats e do seu estado de conservação em cada um dos 12 mil pontos de amostragem realizados no terreno. Da análise verifica-se que cerca de 20 % dos espaços florestais e 25% de matos/pastagens naturais são classificados como habitat e que a ocorrência destes se estende para além dos terrenos classificados com estatuto de conservação.

Na floresta, os habitats mais representados são os que resultam das florestas de quercíneas: os montados de quercíneas, com 6 310 habitat, os sobreirais com 9 330 habitat, os carvalhais com 9 230 habitat e os azinhais com 9 340 habitat. Nos matos, a maior representatividade é a dos matos baixos de tojais e urzais com 4 030 habitat de e a dos matos altos evoluídos de piornos, medronheiro, carrasco ou carvalhiça com 5 330 habitat.

Ao nível da biomassa lenhosa e do carbono armazenado nas árvores vivas em espaços florestais, verifica-se um aumento em ambos os valores, resultado da alteração da composição específica da floresta, e parcialmente da melhoria dos métodos de avaliação.

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