Exposição “Face a Face – Rita Magalhães e a Natureza-Morta na Coleção do MNSR” no Museu Nacional Soares dos Reis

Exposição “Face a Face - Rita Magalhães e a Natureza-Morta na Coleção do MNSR” no Museu Nacional Soares dos Reis

O Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR) inaugura, a 29 janeiro de 2026, pelas 18h30, com entrada livre, a exposição “Face a Face – Rita Magalhães e a Natureza-Morta na Coleção do MNSR”, comissariada por Manuela Hargreaves. A exposição que ficará patente até 18 maio de 2026, conta com mecenato do BPI / Fundação “la Caixa” e apoio institucional do Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do MNSR.

A exposição propõe, por um lado, promove um diálogo com a pintura de natureza-morta, da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, ao convocar artistas que, ainda que não tenham feito deste género a sua prática exclusiva, o exploraram de forma significativa. Obras convivem com as de Rita Magalhães, estabelecendo uma linha de continuidade que vai da escola flamenga e holandesa dos séculos XVII e XVIII, passando pelo realismo e naturalismo em Portugal no século XIX, até ao limiar da modernidade.

Apresentadas face a face com este conjunto de obras, estabelecem uma ligação entre dois tempos da história: o da pintura de naturezas-mortas, enquanto leitmotiv, e a sua reverberação na fotografia contemporânea, que em tudo se assemelha a uma pintura clássica – embora não o seja”, salienta Manuela Hargreaves.

É uma exposição que se inscreve numa continuidade de projetos expositivos realizados a nível nacional e internacional com o objetivo de recuperar a natureza-morta como um género artístico autónomo. Ao longo do tempo, diversos autores contemporâneos têm recorrido a este tema em momentos específicos dos seus percursos – de David Hockney a Damien Hirst – contribuindo para a sua legitimação e reforçando a sua relevância no contexto da prática artística contemporânea.

O trabalho de Rita Magalhães convida-nos a olhar para os objetos do quotidiano com renovada atenção, a ponderar o significado da imagem e a apreciar a riqueza dos diálogos artísticos que atravessam séculos. Entre tradição e inovação, a natureza-morta continua viva, reinventando-se em novas linguagens e sensibilidades”, refere António Ponte, Diretor do MNSR.

Outro dos principais méritos da exposição é ter possibilitado a intervenção de restauro de várias das pinturas que agora se apresentam publicamente, devolvendo-lhes a visibilidade de que foram privadas pela longa permanência em reserva.

Não sendo destinados à exibição imediata, [os bens culturais em reserva] tendem a ser preteridos também nas prioridades de restauro. A degradação do estado de conservação contribui para o fecho das obras sobre si próprias. No caso concreto da pintura a óleo, suportes e pigmentos degradados e vernizes envelhecidos dificultam a leitura, ocultando dados decisivos como caraterísticas de pincelada, assinaturas, marcas de fabrico, datas e outras inscrições. Na vida dos objetos instala-se então um ciclo de crise silencioso que os submerge na invisibilidade e os priva da formação de significados. Quanto mais se aprofunda a perda de significado, mais improvável se torna o resgate”, sublinham Ana Paula Machado e Ana Nascimento, curadoras da Coleção de Pintura do MNSR.

As intervenções de conservação e restauro permitiram trazer à luz do conhecimento uma série de informações e pormenores que ajudam a documentar o histórico das pinturas, os seus autores, técnicas e materiais.

Das 28 obras do MNSR selecionadas para esta exposição, 15 foram agora objeto de intervenção de restauro, o que, para além de permitir a leitura das obras na sua plenitude, revelou, nalguns casos, assinaturas e marcas há muito “perdidas”.

Devido ao volume de obras e a complexidade de algumas intervenções, os trabalhos foram repartidos pelas equipas de restauro do Laboratório José de Figueiredo e da Divisão de Museus da Câmara Municipal do Porto.

Com o apoio do Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis, foi ainda possível reforçar esta campanha com recurso aos serviços de uma conservadora-restauradora externa.

Rita Magalhães nasceu em Luanda, Angola, em 1974. Vive e trabalha entre o Porto e a Bairrada. Frequentou o curso de Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. O seu percurso artístico, iniciado em 1999, orientou-se desde cedo para o campo da fotografia, onde tem desenvolvido uma investigação consistente, centrada na aproximação deste medium à pintura.

Atualmente, Rita Magalhães encontra-se representada pela Galeria Pedro Oliveira, no Porto, e pela Galeria das Salgadeiras, em Lisboa. O seu trabalho tem suscitado relevante atenção por parte de vários autores, críticos e curadores, entre os quais Francisco Laranjo, Óscar Faria, David Barro, Bernardo Pinto de Almeida e Marc Lenot, entre outros.

Rita Magalhães está representada em várias coleções privadas e institucionais, em Portugal e no estrangeiro. Em 2023, foi responsável pela ilustração fotográfica do livro Lojas de Outrora e de Agora, com textos de Isabel Lopes Gomes.

Flores, Henrique Pousão, Óleo sobre tela, 1877, Academia Portuense de Belas Artes, 95 Pin MNSR
Flores, Henrique Pousão, Óleo sobre tela, 1877, Academia Portuense de Belas Artes, 95 Pin MNSR

Exposição “Face a Face – Rita Magalhães e a Natureza-Morta na Coleção do MNSR” no Museu Nacional Soares dos Reis

  • De 29 janeiro a 18 maio 2026
  • De terça a domingo, das 10h00 às 18h00
  • Entrada livre para residentes em Portugal