Finalistas do Prémio Europeu do Inventor 2021 já são conhecidos

Instituto Europeu de Patentes divulgou os 15 inventores e equipas finalistas ao Prémio Europeu do Inventor 2021. As invenções abrangem áreas desde diagnósticos e imagens de ultrassom à biometria, da produção sustentável de plástico à proteção da vida selvagem.

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Finalistas do Prémio Europeu do Inventor 2021 já são conhecidos
Finalistas do Prémio Europeu do Inventor 2021 já são conhecidos

O Instituto Europeu de Patentes (IEP) anunciou hoje os 15 inventores e equipas de inventores pré-selecionados como finalistas para a edição de 2021 do Prémio Europeu do Inventor. Este prestigiado prémio anual de inovação do IEP, que vai na sua 15.ª edição, distingue notáveis inventores que contribuíram de forma excecional para a tecnologia, a sociedade e o crescimento económico.

“O ano que passou reforçou mais do que nunca a importância dos cientistas, investigadores, inventores e empresários para o avanço da tecnologia e para a melhoria das nossas vidas”, disse o Presidente do IEP, António Campinos.

O responsável do IEP acrescentou: “Os finalistas deste ano do Prémio Europeu do Inventor 2021 são exemplos brilhantes do engenho e criatividade que sustêm o progresso tecnológico e abrem caminho à criação de emprego e ao crescimento económico. Cada um dos excecionais finalistas é um pioneiro na sua respetiva área e deu uma contribuição tangível para ultrapassar alguns dos desafios mais prementes da sociedade, desde transformar as emissões de carbono num recurso até alargar o nosso leque de antibióticos e muito mais”.

Os finalistas de 2021 vêm da Áustria, China, Dinamarca, França, Alemanha, Índia, Itália, Países Baixos, Noruega, Sérvia, Espanha, Suíça, Suécia, Reino Unido, e Estados Unidos. Foram selecionados de entre um grupo de quase 400 inventores e equipas de inventores por um júri independente e internacional. Um grupo proposto por membros do público, representantes dos institutos nacionais de patentes por toda a Europa, e pela equipa do IEP.

As invenções dos finalistas abrangem uma série de áreas, incluindo diagnóstico de doenças, biometria, armazenamento de ADN, energia solar, acesso ao alto-mar, cultivo de bactérias, engenharia de tecidos, análise de ARN (RNA, na sigla em inglês), fornecimento de medicamentos por via nasal, soluções de pesca com palangre e semicondutores orgânicos.

Todos os finalistas fizeram uso do sistema europeu de patentes para proteger as suas tecnologias, e ao fazê-lo, permitiram a outros investigadores e inventores desenvolver as suas inovações.

O Prémio Europeu do Inventor já teve duas finalistas portuguesas, Helena Peleira, atual Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, que foi finalista em 2013 enquanto coordenadora da investigação, desenvolvida em conjunto com a Corticeira Amorim, para expansão e maior aproveitamento da cortiça, e Elvira Fortunato, que foi finalista em 2016 com o transístor de papel, investigadora recentemente galardoada com o Prémio Pessoa

Os 15 finalistas das cinco categorias

Indústria

Per Gisle Djupesland (Noruega): Melhor fornecimento de medicamentos por via nasal

O dispositivo médico do inventor norueguês usa a forma e função natural do nariz para melhorar o fornecimento de medicamentos por via nasal e assim proporcionar alívio para diversas condições. A invenção ajudou a fazer crescer uma empresa que está agora cotada na bolsa de valores e desenvolve soluções médicas inovadoras – uma lufada de ar fresco para os pacientes.

Christoph Gürtler, Walter Leitner and team (Alemanha): Utilização de dióxido de carbono para produção de plásticos mais ecológicos

A equipa alemã deu um passo em direção a uma economia circular ao desenvolver um método comercialmente viável de utilização de CO2 na produção de plástico. A sua invenção transforma os resíduos num recurso e é utilizada para o fabrico de vestuário, pavimentos, detergentes e outros produtos do dia-a-dia.

Jan van der Tempel (Países Baixos): Transporte seguro de e para plataformas em alto-mar

Transportar trabalhadores e carga de e para estruturas em alto-mar pode ser arriscado, caro e demorado. O sistema de acesso ao alto-mar compensado pelo movimento, do engenheiro holandês, funciona como um simulador de voo invertido, juntando sensores, processamento de dados e hidráulica para compensar o movimento das ondas em tempo real.

Investigação

Marco Donolato e equipa (Itália/Dinamarca): Nanopartículas magnéticas para diagnosticar doenças

A equipa internacional de investigadores combinou lasers com nanopartículas magnéticas para desenvolver um dispositivo capaz de detetar a dengue e outras doenças infeciosas. Os testes são precisos, menos dispendiosos e requerem pouca formação para o pessoal médico – fatores cruciais em muitos países em desenvolvimento.

Robert N. Grass and Wendelin Stark (Áustria/Suíça): Armazenamento de dados baseados em ADN

O método de armazenamento de dados à prova de erros dos inventores austríacos e suíços encapsula os fios de ADN em minúsculas contas de sílica. Quando estes grânulos robustos são aplicados aos produtos, asseguram que indicadores específicos – tais como a origem ou as condições de trabalho – são rastreáveis ao longo de toda a cadeia de fornecimento.

Mathias Fink and Mickael Tanter (França): Ultrassonografia com ondas de corte

Os investigadores franceses inventaram um novo método de imagiologia médica. Inicialmente desenvolvido para testar a firmeza do queijo, os inventores aperceberam-se de que a técnica funcionaria com tecido humano. O seu ultrassom não é invasivo, permitindo aos médicos realizar scans que poupam os pacientes a biópsias dolorosas.

Países Não Europeus

Bo Pi and He Yi (China): Sensores de impressões digitais ao vivo para maior segurança

Anteriormente, os scanners de impressões digitais de smartphones podiam ser enganados por impressões digitais falsas ou ataques de falsificação. Os investigadores chineses desenvolveram o primeiro sistema do mundo a verificar um padrão de impressões digitais e a detetar o fluxo de sangue vivo.

Kim Lewis and Slava S. Epstein (EUA): Ferramentas para o cultivo de micróbios

Uma vez que 99% dos micróbios não podem ser cultivados em laboratório, não foram descobertas novas classes de antibióticos em mais de uma década. Estes inventores desenvolveram um dispositivo que encoraja o crescimento microbiano, permitindo aos investigadores cultivar quase 80 000 estirpes de organismos anteriormente inculturáveis.

Sumita Mitra (Índia/EUA): Restauração de sorrisos com nanomateriais

Esta investigadora descobriu que os nanoclusters podiam ser utilizados na odontologia, resultando em preenchimentos robustos, duráveis e esteticamente agradáveis. Estes nanoclusters já foram utilizados em mil milhões de restaurações dentárias em todo o mundo.

Pequenas e Médias Empresas (PMEs)

Carmen Hijosa (Espanha): Transformar folhas de ananás numa alternativa sustentável ao couro

Tendo visto o impacto da indústria do couro em primeira mão, esta empresária sustentável desenvolveu um processo para transformar as folhas de ananás num material suave, duradouro e versátil. A sua alternativa ao couro não só apoia as comunidades agrícolas, como também é procurada pelas principais marcas de moda internacionais.

Ben and Pete Kibel (Reino Unido): Uma solução simples para a captura acidental de aves marinhas na pesca com palangre

A pesca com palangre tem um efeito devastador nas aves marinhas, matando 300 000 todos os anos. Estes irmãos inventaram uma solução simples: uma cápsula que cobre anzóis iscados e só abre quando está 20 metros debaixo de água, fora do alcance da maioria das aves. O dispositivo é eficaz, pouco dispendioso e está a ganhar popularidade em todo o mundo.

Henrik Lindström and Giovanni Fili (Suécia): Células solares flexíveis para dispositivos portáteis

A partir da sua fábrica em Estocolmo, estes inventores produzem uma célula solar tingida que pode ser impressa à medida em quase todas as formas ou cores e pode mesmo gerar eletricidade dentro de casa. Graças à sua versatilidade, as células estão a ser integradas em vários aparelhos eletrónicos para criar dispositivos de auto-carregamento.

Consagração de Carreira

Metin Colpan (Alemanha): Ferramentas eficientes para analisar ácidos nucleicos

Durante quase quatro décadas, este inventor desenvolveu ferramentas que ajudam os cientistas em áreas que vão desde o diagnóstico de doenças e a medicina legal, até à segurança alimentar e terapias farmacêuticas. As suas invenções têm sido a força motriz por detrás de uma empresa de sucesso que emprega atualmente mais de 5 300 pessoas em todo o mundo.

Karl Leo (Alemanha): Avanços em semicondutores orgânicos

O físico alemão modernizou os semicondutores orgânicos melhorando a sua condutividade através de uma técnica chamada doping. Atualmente, metade dos smartphones do mundo e vários tipos de células solares incorporam a sua tecnologia. Ele também fundou várias empresas numa carreira que se estende por mais de 30 anos.

Gordana Vunjak-Novakovic (Sérvia/EUA): Avanços na engenharia de tecidos

Esta investigadora, autora e empresária adotou uma nova abordagem à engenharia de tecidos. Ela criou o ambiente específico de que as células necessitam para formar diferentes tipos de tecidos. Este método teve implicações de grande alcance, permitindo aos cientistas cultivar agora tecido ósseo, cardíaco e pulmonar.

Os vencedores do Prémio Europeu do Inventor 2021 vão ser conhecidos às 18h00 de Lisboa de 17 de junho de 2021. Este ano num vento digital para uma audiência global. A cerimónia será aberta ao público e realizada num formato de realidade aumentada em www.inventoraward.org.

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