Google e Facebook impedem o desenvolvimento de agentes culturais tradicionais

Investigação recente alerta para o poder de empresas de tecnologia como a Google e a Facebook, devido ao controle que exercem na comunicação. A recolha de dados dos utilizadores torna-as nos "verdadeiros donos da comunicação digital global".

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Google e Facebook impedem o desenvolvimento de agentes culturais tradicionais
Google e Facebook impedem o desenvolvimento de agentes culturais tradicionais. Foto: © Rosa Pinto

Um estudo realizado pela Universidade de Jaume I (UJI) e pela Universidade do País Basco (UPV/EHU), em Espanha, alerta que as grandes empresas de tecnologia: Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft (GAFAM), estão a dificultar o desenvolvimento de agentes culturais tradicionais, tendo-se estas empresas tornado nos “verdadeiros donos da comunicação digital global“.

As conclusões do estudo que já foram publicadas na Revista Latina de Comunicación Social. O estudo descreve as sete características das indústrias tecnológicas globais e demonstra sua liderança no atual ambiente de comunicação digital.

“As empresas GAFAM precisam de crescer constantemente, o que as torna dependentes da inovação”, explicou Juan Carlos Miguel de Bustos, professor da UPV-EHU que em conjunto com Jéssica Izquierdo Castillo, do Departamento de Ciências da Comunicação da UJI, desenvolveram o estudo.

Atualmente, as GAFAM também se caracterizam “por focar os seus negócios em vetores estratégicos de crescimento tão fundamentais como a saúde, a Internet das Coisas, assistentes virtuais, eletrodomésticos, cidades e carros inteligentes, ou aplicativos para monitorar sinais vitais. Todos são fontes inesgotáveis ​​de big data, que constituem o ADN dessas empresas. A única área que as GAFAM ainda não lideram é o das redes de telecomunicações” referiu Jéssica Izquierdo Castillo.

As grandes empresas tecnológicas Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft lideram a economia digital, que está fortemente ligada à recolha de dados dos utilizadores. “A crescente presença global de plataformas de streaming como o Netflix, HBO ou Spotify, fazem do ecossistema de media o local preferido para recolher os grandes volumes de dados, que fornecem informações detalhadas sobre os gostos, opiniões e preferências dos cidadãos em entretenimento e informação. Agora, as empresas estão tentando fazer o mesmo com as emoções. Elas são as donas de tudo, até da distribuição das informações”, explicou Miguel de Bustos.

Jéssica Izquierdo referiu que essa realidade “transforma a media em uma fonte de informações valiosas e necessárias para as GAFAM, que já controlam grande parte desses dados através do YouTube (Google), Twitter (Facebook), Amazon Prime, Apple Music ou LinkedIn (Microsoft)”.

A investigação realizada por Jéssica Izquierdo Castillo e por Juan Carlos Miguel de Bustos fornece uma análise completa sobre as GAFAM, que possibilita avaliar o impacto que esses grupos têm nos media. Com base em uma ampla base bibliográfica, imprensa especializada e relatórios corporativos e institucionais, é analisado o crescimento da conexão entre as empresas GAFAM e conteúdo de media, bem como sua capacidade de estabelecer padrões que condicionam o desenvolvimento futuro das indústrias criativas e culturais no cenário da economia digital.

Os resultados mostram a posição central que as empresas GAFAM ocupam na economia digital e apontam as chaves do desenvolvimento para as indústrias de media nesse ecossistema, como a intensificação de grupos tradicionais na Internet (o que explica movimentos como o lançamento da Disney da sua própria plataforma), o aumento das empresas GAFAM nas áreas dos media ou a ameaça à diversidade cultural e ao pluralismo no mercado global de comunicação.

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