É conhecido que a exposição ao fumo do tabaco afeta quem fuma e quem de forma passiva o inala involuntariamente, sobretudo por pessoas que convivem ou trabalham em ambientes com fumadores. Os especialistas da Sanitas Dental, empresa da seguradora Bupa, alertam que, mesmo sem acender um cigarro, a exposição ao fumo do tabaco representa um risco para a saúde oral e requer deteção precoce para evitar complicações a longo prazo.
“O fumo ambiental do tabaco é composto por milhares de substâncias químicas, muitas delas irritantes e prejudiciais à saúde. Mesmo que uma pessoa não fume, pode inalá-las ao estar próxima de fumadores, e essas partículas entram em contacto direto com a boca e as gengivas”, explicou, citada em comunicado, María Latorre, responsável pela Qualidade Clínica da Sanitas Dental. “Por isso, é fundamental que quem está exposto ao fumo passivo conheça os riscos e faça check-ups dentários regulares para prevenir possíveis alterações.”
Os efeitos do fumo passivo na boca surgem de forma subtil e podem passar despercebidos no dia-a-dia, indicam os especialistas, e recomendam uma atenção aos sinais, nomeadamente:
■ Secura bucal persistente: a exposição às substâncias tóxicas do tabaco reduz a produção e a qualidade da saliva, um elemento essencial na defesa natural da boca. A boca seca não só causa desconforto, como também cria um ambiente favorável à proliferação de bactérias e fungos, aumentando o risco de cáries e infeções;
■ Lesões e alterações na mucosa oral: o tabagismo passivo pode causar melanose gengival, uma pigmentação escura (castanha ou negra) nas gengivas. Esta alteração da coloração afeta a estética do sorriso e pode observar-se mesmo em não fumadores, sobretudo em crianças e adolescentes que convivem com fumadores;
■ Risco aumentado de cáries: o fumo do tabaco inalado por não fumadores também pode danificar os dentes, especialmente nas crianças. A exposição ao fumo aumenta o risco de cáries nos primeiros dentes, uma vez que a nicotina favorece o crescimento de bactérias que atacam o esmalte. Além disso, reduz a quantidade e a qualidade da saliva e enfraquece as defesas naturais da boca. Se somarmos a isso uma higiene deficiente ou uma dieta rica em açúcar, o risco de cáries aumenta ainda mais;
■ Doença periodontal e perda de dentes: a exposição ao fumo do tabaco também pode afetar as gengivas e os tecidos que sustentam os dentes. Em pessoas que respiram fumo regularmente, mesmo que não fumando, as gengivas podem inflamar, sangrar com facilidade e enfraquecer ao longo do tempo. Esta alteração favorece a perda do suporte do dente e, em casos mais avançados, pode levar à sua queda.
Os especialistas da Sanitas Dental lembram que o fumo do tabaco percorre as vias respiratórias e chega aos pulmões, onde pode provocar irritação brônquica, tosse crónica e redução da capacidade respiratória. A longo prazo, a exposição irá aumentar o risco de infeções respiratórias e pode agravar doenças como asma e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) em pessoas vulneráveis.
“Além da inflamação respiratória, o fumo passivo pode induzir uma resposta inflamatória a nível sistémico, o que contribui para um maior risco cardiovascular. Isto significa que o fumo passivo danifica os pulmões ao mesmo tempo que afeta a saúde geral, aumentando a probabilidade de enfartes, AVC e outras complicações em pessoas com doenças crónicas. Por isso, a prevenção e a redução da exposição são fundamentais”, acrescentou Zichen Ji, pneumologista do Hospital Universitário Virgen del Mar.













