Indústria eletrodigital em Portugal prevê para 2026 aumento nos custos, inflação e desafios nas cadeias de abastecimento

Indústria eletrodigital em Portugal prevê para 2026 aumento nos custos, inflação e desafios nas cadeias de abastecimento
Indústria eletrodigital em Portugal prevê para 2026 aumento nos custos, inflação e desafios nas cadeias de abastecimento

Pressão nos custos, expectativas de inflação acima do previsto e constrangimentos nas cadeias de abastecimento são fatores que o Barómetro da Associação Portuguesa da Indústria Eletrodigital AGEFE aponta, antecipando um contexto económico exigente em 2026, para a indústria eletrodigital em Portugal.

O Barómetro da AGEFE indica que 64% das empresas antecipam um crescimento da economia abaixo das projeções, ainda que 60% considerem que o setor poderá crescer acima da economia nacional, e refletir a resiliência da indústria.

No entanto, a incerteza internacional continua a marcar o ambiente de negócio, com 98% das empresas a identificar a situação global como uma preocupação, 63% a apontar as cadeias logísticas e 50% a pressão concorrencial e transformação dos modelos de negócio.

O estudo da AGEFE mostra que no plano económico, as expectativas inflacionistas mantêm-se elevadas, com 88% dos inquiridos a antecipar uma inflação acima das projeções, também 63% a prever preços do setor a crescer acima da inflação, previsões que refletem a pressão acumulada sobre a estrutura de custos.

A logística aparece no estudo como principal fator de aumento de custos, com 98% das empresas a anteciparem subidas, com 84% a atribuir ao segundo fator que envolve os custos das mercadorias e matérias consumidas e os custos financeiros aparecem com 70%.

As cadeias de abastecimento também continuam debaixo de pressão, com 79% das empresas a antecipar atrasos nas entregas, 60% a prever escassez de componentes e matérias-primas e 28% a prever riscos de escassez de produtos acabados.

A AGEFE antecipa ajustamentos nas cadeias de valor globais, com 41% das empresas a preverem processos de reorganização, 36% por medidas de mitigação de risco e 18% a indicar aceleração de transformações em curso.

No entanto, a AGEFE considera que o setor mantém uma perspetiva equilibrada. “Vivemos um momento exigente, mas não de retração. A indústria eletrodigital continua a ser um pilar essencial na transição para uma economia mais digital, sustentável e competitiva”, referiu, citado em comunicado, Daniel Ribeiro, Diretor-Geral da AGEFE.

A Associação Portuguesa da Indústria Eletrodigital, uma entidade representativa das empresas dos Sectores Elétrico, Eletrodoméstico, Eletrónico e das Tecnologias de Informação e Comunicação, representa mais de 150 empresas, um volume de negócios superior a 5 mil milhões de euros e cerca de 11 mil trabalhadores. Um setor que assume um papel estratégico na economia nacional, num contexto em que Portugal reforça a sua centralidade na transição energética e digital.

A Associação indicou que defende o reforço de uma agenda orientada para o mercado, com simplificação regulatória, o desenvolvimento de uma fiscalidade verde e digital, o incentivo à adoção de tecnologias e a criação de condições para afirmar Portugal como um hub da indústria eletrodigital.