Intervenção inovadora dá às pontes antigas mais 50 anos de vida útil

Soluções técnicas inovadoras desenvolvidas no âmbito de projeto de investigação que incluiu investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra garantem que as pontes antigas tenham um período mais alargado de vida útil.

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Pontes antigas podem ter mais 50 anos de vida útil com intervenção inovadora
Pontes antigas podem ter mais 50 anos de vida útil com intervenção inovadora. Foto: DR

Um conjunto de soluções garante às pontes metálicas e mistas (aço e betão) antigas um prolongamento considerável da sua vida útil. As soluções foram desenvolvidas por um consórcio europeu, constituído por investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e da Luleå University of Technology, na Suécia, e mais cinco empresas das áreas de projeto de estruturas e de produção de elementos em aço.

Usando técnicas de reforço inovadoras, que combinam diferentes estratégias de reabilitação, as soluções desenvolvidas no âmbito do projeto de investigação PROLIFE – Prolonging Life Time of old steel and steel-concrete bridges, “permitem uma melhoria muito significativa do desempenho estrutural de pontes metálicas e mistas em fim de vida. Dependendo da intervenção que se adotar, a metodologia de reforço que propomos aumenta o ciclo de vida deste tipo de pontes, com toda a segurança, em mais de 50 anos”, referiu Carlos Rebelo investigador da FCTUC e coordenador da equipa portuguesa.

As soluções desenvolvidas pelo consórcio foram sujeitas a longos ensaios e testes à escala real em quatro pontes antigas. Em Portugal, a solução foi aplicada na ponte da Portela, em Coimbra, para efeito de estudo.

A reabilitação de pontes antigas, obsoletas, é considerada de elevada complexidade, pois entram muitos elementos em equação. Geralmente, “devido à falta de conhecimento e experiência, as pontes mais antigas foram dimensionadas sem tirar partido do benefício estrutural obtido com o comportamento misto, ou seja, não existe interação entre os componentes em aço e os componentes em betão devido, principalmente, à falta de dispositivos que garantam a transferência das forças de corte longitudinal”, esclareceu Carlos Rebelo.

Pontes antigas podem ter mais 50 anos de vida útil com intervenção inovadora
Pontes antigas podem ter mais 50 anos de vida útil com intervenção inovadora. Foto: DR

As técnicas convencionais “implicam a remoção parcial do betão, a interrupção do tráfego e eventualmente a destruição da armadura transversal da laje, pelo que foram estudadas soluções alternativas”, e acrescentou que entre as várias opções foi também estudado “o uso de treliças horizontais entre os banzos inferiores das longarinas das pontes em viga, as quais tornam a secção transversal mais rígida no que respeita aos efeitos da torção permitindo reduzir significativamente os esforços de fadiga gerados pelo tráfego”.

Os investigadores desenvolveram ainda uma estratégia inovadora de reforço estrutural que permite colocar novos materiais em contacto com os componentes originais (antigos), melhorando a performance das velhas pontes.

O especialista em engenharia de estruturas da FCTUC indicou que a rede europeia de infraestruturas de transporte, rodoviária e ferroviária, é “caracterizada por uma grande variedade de pontes metálicas. Aliado ao facto de um grande número destas infraestruturas já ter períodos em serviço consideravelmente longos, os efeitos do envelhecimento dos materiais e o aumento do nível de tráfego são grandes desafios para que sejam mantidos os níveis de segurança estrutural, os requisitos de desempenho e a sua durabilidade.”

“Muitas das pontes antigas estão identificadas como património cultural o que significa que a sua substituição por uma nova infraestrutura não é facilmente aceitável” e por outro lado, “nem sempre a substituição da ponte original por uma nova é a solução mais vantajosa”, quando se tem “em conta os custos de impacto ambiental associados ao ciclo de vida da estrutura, para além dos custos diretos associados à sua construção”, pelo que é se torna urgente e necessário “desenvolver estratégias de reparação e reforço também numa perspetiva de sustentabilidade e preservação ambiental”, concluiu Carlos Rebelo.

O projeto PROLIFE teve um financiamento de perto de um milhão de euros da Comissão Europeia através da medida Research Fund for Coal and Steel. As empresas que integraram o consórcio de projeto de estruturas, foram: Alessio Pipinato & Partners Architectural Engineering, da Itália; Movares Nederland B.V., da Holanda; Ramböll Sverige AB da Suécia; Schimetta Consult Zivil Techniker GMBH da Áustria e Arcelormittal Belval & Differdange S.A, do Luxemburgo, produtora de elementos em aço.

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