Macau reforça ensino da língua portuguesa

Ensino da língua portuguesa, formação de técnicos em direito, finanças, saúde e engenharia civil, em língua portuguesa, cooperação científica e económica, foram temas tratados pela Comissão Mista Portugal-Macau, que reuniu em Lisboa.

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Chui Sai On e Augusto Santos Silva
Chui Sai On, Chefe do Exexutivo da RAEM, à esquerda e Augusto Santos Silva, MNE à direita. Foto: © TV Europa

Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) e Chui Sai On, Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) presidiram às respetivas delegações da IV reunião da Comissão Mista Portugal-Macau.

Chui Sai On, na sua visita oficial a Portugal, para além de participar na Comissão Mista, teve uma reunião com o Primeiro-Ministro, António Costa, e foi recebido, no Palácio de Belém, por Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República.

Após a reunião da Comissão Mista, em 12 de setembro, Chui Sai On referiu aos jornalistas que “estava muito satisfeito por visitar Portugal” e agradeceu o convite que lhe tinha sido feito pelo Presidente da República para visitar o país.

“É a primeira vez que a Comissão Mista reúne sob presidência de autoridades políticas do Chefe do Executivo do lado da Região Administrativa Especial de Macau e do lado português copresidida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros”, referiu Augusto Santos Silva.

O ministro esclareceu: “Esta Comissão Mista, Portugal-Macau, realiza-se agora em Lisboa, em setembro, e em outubro irá realizar-se, em Macau, a 5ª Conferência Ministerial do fórum Macau, sendo a delegação portuguesa presidida pelo Primeiro-Ministro”.

Após a reunião da Comissão Mista, Santos Silva, afirmou: “Macau é de facto uma excelente plataforma para o desenvolvimento de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa, e uma excelente plataforma para a difusão da língua portuguesa em toda a China”.

“Quero saudar, em nome do Governo português, a decisão das autoridades de Macau”, já inscrita no plano quinquenal de Macau, “de generalizar o ensino do português a todas as escolas da região administrativa, tornando este um projeto com prioridade de apoio por parte das autoridades de Macau”, disse o ministro.

Augusto Santos Silva aproveitou para referir que “Portugal estará inteiramente disponível para apoiar a formação de professores, naquilo que as autoridades de Macau entenderem necessário”.

No âmbito do ensino superior e do respetivo intercâmbio entre Portugal e Macau, o MNE referiu: “Temos estudantes de Macau a frequentar, com todo o êxito, Universidades e Institutos Politécnicos portugueses, e temos estudantes lusófonos a frequentar, com todo o êxito, Institutos e Universidades de Macau”.

Augusto Santos Silva fez ainda referência à capacitação de técnicos especializados em língua portuguesa em áreas como “o direito, as finanças e a gestão, a saúde ou a engenharia civil”, e considerou ser “uma forte área de cooperação entre o sistema de ensino português e o sistema de ensino superior de Macau”.

Outra das áreas de cooperação entre Portugal e Macau é a científica, e que o MNE considerou “outra área de excelência”, e a propósito divulgou: “O Chefe do Executivo da RAEM irá promover um próximo encontro entre o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau e a Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal, para serem criadas novas condições para o desenvolvimento da cooperação científica e tecnológica”.

A economia foi outra grande área de cooperação entre Macau e Portugal, tratada pela Comissão Mista, e o MNE divulgou: “Portugal será o país parceiro na Feira Internacional de Macau que terá lugar no próximo mês de outubro e a representação das empresas portuguesas, nessa Feira, será a maior de sempre”.

Mas “também na área da segurança alimentar e na troca e circulação de bens agroalimentares há trabalho feito, e há muito espaço para cooperação”, esclareceu o MNE.

Em Macau está a funcionar desde março de 2016 um centro de distribuição de produtos alimentares de países de língua portuguesa, agora indicou que “estão em curso planos para a implementação de plataformas e centros de distribuição e logística para países lusófonos”.

Da Comissão Mista saiu a decisão de incrementar a “cooperação no domínio do empreendedorismo, em particular no empreendedorismo jovem qualificado, designadamente no âmbito das startups”, concluiu o MNE.

Chui Sai On, referiu que Macau e Portugal têm “mais de 120 projetos e acordos assinados em mais de 33 áreas”, o que, afirmou o Chefe do Executivo da RAEM: “São grandes resultados, mas a partir daqui vamos continuar a reforçar ainda mais as nossas relações de cooperação”. Esta reunião da Comissão Mista abordou principalmente a área da educação e da economia.

A uma questão levantada por um jornalista sobre o apoio do executivo macaense ao ensino da língua portuguesa, e em especial à Escola Portuguesa de Macau, Chui Sai On, lembrou: “A lei básica de Macau estipula que o português é uma das línguas oficiais e o ensino da língua portuguesa tem vindo a generalizar-se e a ser promovido. Temos cursos de português nos vários níveis de ensino nas nossas escolas públicas, e quanto às escolas privadas apoiamos em pessoal docente e em materiais didáticos. Portanto, estamos a criar muitas condições e oportunidades para que as atuais e as futuras gerações possam ter acesso ao ensino da língua portuguesa”, e acrescentou: “Apenas proporcionamos oportunidades, a escolha depende de cada um”.

Em relação ao ensino superior, Chui Sai On, frisou: “Estamos a criar muitas condições e oportunidades para que as pessoas tenham acesso aos cursos superiores em língua portuguesa” e, relativamente à Escola Portuguesa de Macau, lembrou: “Desde o seu estabelecimento temos apoiado, de varias formas, e vamos continuar a apoiar a Escola Portuguesa de Macau”.

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