Proprietários, arrais e marinheiros das tradicionais embarcações do Tejo celebraram, no Cais das Colunas, em Lisboa, o Dia da Marinha do Tejo. Embarcações que hoje são um testemunho de um passado de vida das comunidades ribeirinhas.
No evento, o vereador Vasco Anjos, da Câmara Municipal de Lisboa (CML) referiu que celebrar a Marinha do Tejo é celebrar “os seus valores e o que nos inspiram”, e também “o Tejo e com ele a nossa história”, e que é “no orgulho que nela temos que encontramos inspiração para dar aos que vêm, um melhor Tejo e uma melhor cidade”.
Também, no Cais das colunas, o Vice-almirante José Salvado de Figueiredo, Comandante Naval da Marinha, lembrou que Portugal é um país voltado para o mar e que iniciativas como o Dia da Marinha do Tejo promovem a cultura marítima nacional e aproximam os portugueses ao mar.

“O delegado que hoje celebramos não pertence apenas ao passado é, também, um elemento fundamental para o futuro, na medida em que reforça a ligação entre os portugueses e o mar, contribuindo para a construção de uma sociedade mais consciente com a importância dos nossos espaços marítimos”, referiu o Vice-almirante.
São os proprietários, arrais e marinheiros das tradicionais faluas, fragatas, catraios e canoas que garantem, com essa profissão, continuarem “a fazer parte da nossa identidade coletiva”, e é de reconhecer que pelo esforço, dedicação, e como “dizer espírito de missão que permitem que esta memória se mantenha viva honrando o legado que nasceu no rio, cresceu no estuário e se projetou nos oceanos.”
O Comandante Naval referiu que em nome do Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional é reiterado o compromisso da Marinha de continuar a apoiar “a Marinha do Tejo e todas as entidades que se dedicam à preservação desta herança”, e concluiu: “Estou certo que com o empenho de todos este património continuará a ser valorizado e transmitido às gerações futuras contribuindo para afirmar Portugal, mais uma vez, como uma Nação de tradição de vocação marítima.”

Para o vereador Vasco Anjos, da CML, o Tejo mantém-se “como eixo estruturante das políticas urbanas” e assume “nova centralidade” nas esferas da valorização ambiental, fruição pública, cultural e económica, bem como “constitui atualmente um elemento chave na qualificação da cidade”.
Nos últimos anos, Câmaras Municipais ribeirinhas têm vindo a investir para manter alguns exemplares de embarcações tradicionais, como é o caso da CML que em 2012 integrou no seu património a embarcação “Esperança” construída em 2006 no estaleiro do Mestre Jaime Costa e classificada pela Marinha do Tejo como falua.
A embarcação tradicional “Esperança”, como descreveu Vasco Anjos “desempenha um importante papel na preservação da memória marítima do estuário na divulgação da relação entre Lisboa e o Tejo”.

A falua “Esperança”, com capacidade para 20 pessoas, é utilizada para atividades de educação e sensibilização ambiental. Um meio que favorece o conhecimento sobre a biodiversidade e contribui para “a valorização dos saberes tradicionais associados à construção naval e à arte decorativa das embarcações típicas do tejo”. Assim, “ajudando a preservar o importante legado cultural das comunidades ribeirinhas.”


Neste evento, junto ao Cais das Colunas, na Praça do Comércio, os proprietários e arrais assinaram o livro de registo das suas embarcações. Um livro mantido pelo Museu da Marinha e onde este ano constam 82 registos. Mas como de património se tratou nesta celebração do Dia da Marinha do Tejo, a Associação Grupo Coral e Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó trouxe o cante alentejano ao cais.
















