O repórter no Carnaval de Ovar

Na cidade museu dos azulejos e do pão-de-ló de indicação geográfica protegida o Carnaval não é uma manifestação de alguns mas de toda a cidade. Ovar é durante um mês uma cidade onde se ‘respira’ o Carnaval.

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Carnaval de Ovar 2017
Carnaval de Ovar 2017. Foto: Rosa Pinto

A TV Europa foi a Ovar assistir ao grande corso carnavalesco que decorreu no domingo, 26 de fevereiro, durante toda a tarde na Avenida Sá Carneiro. O desfile dos grupos carnavalescos e das escolas de samba teve início às 14h30, mas mais de uma hora antes já se aglomeravam junto das entradas muitas pessoas para ocupar os lugares, uns com lugares marcados nas bancadas e outros levando os seus próprios bancos portáveis.

A entrada envolvia o pagamento de 13 euros para as bancadas e de seis euros para a designada zona dos peões. Havia ainda uma zona de camarotes. O que foi possível apurar indica que a lotação terá esgotado com cerca de 17 mil pessoas a assistir na zona dos peões, 4 mil nas bancadas e 500 nos camarotes.

Quatro escolas de samba, 14 grupos carnavalescos e seis de passerelle desfilaram com ritmo, e em alguns casos a rápida passagem não deu para contemplar os carros, os figurantes e as vestes. A única ‘interrupção’, mas muito pequena, deu-se quando um dos carros com uma altura superior a um cabo que atravessava de um lado ao outro a avenida, junto à zona dos camarotes, obrigou ao seu derrube pelo próprio carro.

A chuva ainda deu indicação de chegar, mas não incomodou os grupos participantes nem a população que assistiu ao espetáculo.

O Carnaval é uma festa para todas as idades, e em Ovar parece ser levada à letra, pois viam-se famílias com elementos de todas as idades, desde crianças ao colo ou em carrinho e de idade já avançada. Outra das características é as crianças trajarem a rigor com fatos coloridos, e no caso dos mais jovens as maquilhagens assumirem obras de arte.

Os grupos trouxeram para o desfile alguns dos temas ligados à região, como o grupo ‘Vampiros’ com o tema Pão-de-Ló, destacando a qualidade dos ingredientes e o controlo da produção, e o grupo ‘Pindéricus’ que trouxe para o desfile a festa do mar com todas as valências, e que foi uma homenagem ao filme ‘Mudar de Vida’ do realizador Paulo Rocha rodado no Furadouro, e que narra a dureza das comunidades piscatórias.

Os temas foram variados, e em alguns casos traduziram já algumas influências externas na região, como o caso do grupo ‘Carrucas’ dedicado ao ano chinês, ou novas formas de abordagens culturais como o tema da ‘última ceia’ trazida pelo grupo ‘Marados’, um trabalho que expõe a passagem do tempo ligadas às expressões artísticas.

Os carros dotados de potentes colunas de som puxados por tratores demonstram, no entanto, alguma dificuldade em encontrar alternativas para meios menos poluidores. Uma situação que talvez pudesse ter sido mais facilmente ultrapassada foi o uso de motos de combustão pela Escola de Samba ‘Juventude Vareira’. Uma solução baseada em motos elétricas não levaria a que algumas das pessoas tivessem de apertar o nariz.

Ovar tem tradição de manter no século passado uma forte comunidade no Brasil, mas não foi por isso que a música e ritmo de influência brasileira dominaram durante todo o corso. A música como o ritmo e o samba, passaram a ser comuns na maioria do Carnaval de diversas localidades em Portugal, e que parecem terem sido reforçados pela influência das telenovelas brasileiras a partir das décadas 70 do século passado.

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