Optometristas excluídos da Estratégia Nacional para a Saúde da Visão

Problemas de visão podem ser resolvidos pelos optometristas nos cuidados de saúde primários defende a Associação de Profissionais Licenciados de Optometria. A Associação está contra a não inclusão de optometristas na Comissão do Ministério da Saúde sobre saúde visual.

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Optometristas excluídos na Estratégia Nacional para a Saúde da Visão
Optometristas excluídos na Estratégia Nacional para a Saúde da Visão. Foto: DR

O Ministério da Saúde não incluiu os Optometristas na Comissão que tem como missão a elaboração da proposta da Estratégia Nacional para a Saúde da Visão, denunciou a Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) que se manifestou preocupada com essa exclusão.

“Além desta medida ignorar as recomendações e diretrizes da Organização Mundial da Saúde e Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira”, Raúl Sousa, presidente da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria, indicou que “terá um impacto negativo na proposta que irá definir os cuidados de saúde visual para todos os portugueses, nas próximas décadas.”

Durante o período em que a proposta de Estratégia Nacional para a Saúde da Visão esteve em discussão pública, ou seja, até 26 de julho, a APLO apresentou contributos, mas Raúl Sousa indicou que não obteve até ao momento qualquer indicação sobre os mesmos, pelo que tem receio que a Estratégia seja publicada sem se saber “quais foram os critérios para apreciação dos contributos, quais foram ou não integrados e porquê.”

Em comunicado a APLO vem defender “que a integração de Optometristas no Serviço Nacional de Saúde é a solução para resolver o problema crónico na lista de espera de Oftalmologia e para melhorar o acesso de todos os portugueses aos cuidados necessários para a saúde da visão.”

O presidente da APLO, citado em comunicado, esclareceu: “A solução que propomos é a abordagem centrada na pessoa com intervenção nos cuidados de saúde primários através da implementação de Consulta de Optometria nos centros de saúde, responsável por identificar precocemente as doenças visuais mais prevalentes, suscetíveis de tratamento em fase assintomática, e diagnosticar os fatores de risco, antes que a doença se instale.”

E acrescentou: “No caso dos erros refrativos, a causa mais frequente de disfunção visual, propomos que além do diagnóstico seja feito, de imediato, a resolução do problema, sem necessidade de referenciação para o contexto hospitalar por esse motivo”.

De acordo com os dados disponíveis há em Portugal “uma evidente deficiência de meios ao nível dos cuidados primários de saúde da visão, capaz de reduzir as dificuldades de acessibilidade às primeiras consultas de Oftalmologia. Em 2017 ficaram por realizar 233.228 consultas.”

“Se considerarmos que um optometrista pode realizar em média 6.000 consultas por ano espera-se que a implementação de 61 optometristas no Serviço Nacional de Saúde contenha uma margem de retorno de investimento, medida em cuidados prestados e eficiência, muito superior às expetativas apresentadas na proposta para a Estratégia Nacional para a Saúde da Visão”, concluiu Raúl Sousa.

A APLO tem vindo a defender “que a discussão participativa e representativa é o melhor para os interesses dos utentes e para a Estratégia Nacional para a Saúde da Visão e reforça a sua total disponibilidade para apresentar concretamente os seus contributos e propostas de resolução.“

A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) indicou que “representa os Optometristas, a maior classe profissional de prestadores de cuidados para a saúde da visão, em Portugal. Atualmente conta com cerca de 1.100 membros. A APLO é membro Fundador da Academia Europeia de Optometria e Óptica, membro do Conselho Europeu de Optometria e Óptica e membro do Conselho Mundial de Optometria.”

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