Programa europeu possibilita o tratamento com células estaminais a crianças portuguesas com Perturbação do Espetro do Autismo

Programa europeu possibilita o tratamento com células estaminais a crianças portuguesas com Perturbação do Espetro do Autismo
Programa europeu possibilita o tratamento com células estaminais a crianças portuguesas com Perturbação do Espetro do Autismo

No âmbito de um programa europeu de acesso alargado, promovido pela Crioestaminal, empresa de criopreservação de células estaminais, Cinco crianças portuguesas com Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) vão iniciar um tratamento experimental com células estaminais.

A Crioestaminal anunciou que três crianças, com idades entre os 5 e os 8 anos, estão a caminho do University Children’s Hospital, em Lublin, na Polónia, onde receberão infusão de células estaminais. As outras duas crianças também têm tratamento agendado para o próximo dia 16 de abril, na mesma unidade hospitalar.

O tratamento experimental pelo programa europeu é destinado a crianças que armazenaram o seu próprio sangue do cordão umbilical na Crioestaminal, ou em outro laboratório do Grupo Famicord, e que cumprem critérios clínicos específicos, permitindo o acesso a terapêuticas emergentes em áreas onde a medicina ainda apresenta limitações, como a Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) e a Paralisia Cerebral (PC).

A utilização de células estaminais no tratamento do autismo continua a ser experimental, mas o interesse científico tem vindo a aumentar, e a investigação clínica em curso apresenta-se como uma esperança para as pessoas com as referidas patologias.

Estudos iniciais, incluindo os realizados na Universidade de Duke, nos Estados Unidos da América, exploraram a utilização de sangue do cordão umbilical autólogo em crianças com perturbações do neurodesenvolvimento, e apesar dos resultados ainda serem inconclusivos, análises de subgrupos apontam para potenciais benefícios ao nível da comunicação, da atenção e da função neurológica em grupos específicos de doentes.

Estamos cautelosamente otimistas face ao crescente conjunto de evidências e continuamos a explorar o potencial do sangue do cordão umbilical no tratamento da Perturbação do Espetro do Autismo”, afirmou, citada em comunicado Magdalena Croscińska-Krawczyk, investigadora principal do programa. “O nosso objetivo é dar às crianças uma oportunidade adicional de alcançarem uma maior independência e apoiar a sua terapia diária”, acrescentou.

O sangue do cordão umbilical é usado na prática clínica desde 1988, altura em que foi utilizado pela primeira vez num transplante hematopoiético entre irmãos. Hoje, a sua aplicação vai muito para além da área da transplantação, a utilização em doenças neurológicas que parecia improvável, está atualmente a tornar-se uma realidade. A realização destes tratamentos no Hospital Universitário de Lublin vem permitir alargar o acesso de mais famílias a tratamentos inovadores que podem fazer a diferença nas suas vidas”, esclareceu Alexandra Machado, Diretora Médica da Crioestaminal.

O autismo é a forma mais comum das Perturbações do Espetro do Autismo e dados da Organização Mundial da Saúde indicam a prevalência tem vindo a aumentar a nível global, atingindo cerca de 1 em cada 100 crianças. As estimativas divulgadas para Portugal, apontam para cerca de 1 em cada 1000 crianças em idade escolar, com maior prevalência no sexo masculino.

A Crioestaminal referiu que vários estudos sugerem que as células estaminais do sangue do cordão umbilical podem contribuir para a regulação de processos inflamatórios no cérebro e influenciar a conectividade cerebral. Adicionalmente, infusões autólogas de sangue do cordão umbilical têm demonstrado ser seguras em crianças com paralisia cerebral e outras lesões neurológicas.

Assim, tem vindo a ser colocada a hipótese da utilização poder beneficiar crianças com PEA, contribuindo para a atenuação de sintomas através da modulação de processos inflamatórios cerebrais.

Com base na experiência e no conhecimento científico do Duke Center for Autism and Brain Development, o Grupo FamiCord, em colaboração com um centro clínico em Lublin, lançou o Programa de Acesso Alargado. A iniciativa destina-se a famílias com crianças diagnosticadas com Perturbação do Espetro do Autismo ou com Paralisia Cerebral e tem como objetivo traduzir avanços científicos em oportunidades clínicas concretas, através da utilização do sangue do cordão umbilical dos doentes.

Para além de prestar um serviço de armazenamento, a Crioestaminal indicou que está empenhada em possibilitar a utilização terapêutica eficaz do material biológico preservado. O programa reflete esse compromisso ao oferecer às famílias não apenas segurança a longo prazo, mas também uma oportunidade concreta de beneficiar das células estaminais quando tal se revela mais necessário.