Serões Musicais no Palácio da Pena em Sintra

Serões Musicais no Palácio da Pena decorrem ao longo dos cinco fins-de-semana de março. Sete programas musicais distintos divididos por dez concertos, que evocam os saraus realizados no Salão Nobre na segunda metade do século XIX.

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Serões Musicais no Palácio da Pena em Sintra
Serões Musicais no Palácio da Pena em Sintra

Os Serões Musicais regressam ao Palácio Nacional da Pena, nos fins-de-semana de março. O ciclo inaugural da 5.ª Temporada de Música da Parques de Sintra revive a música que se ouvia no palácio na época áurea, nos recitais promovidos pelo rei D. Fernando II. Os Serões Musicais, tal como nas edições anteriores, recebem artistas consagrados e dão também espaço a jovens valores.

As propostas da edição de 2019 do ciclo “Serões Musicais no Palácio da Pena” incluem três recitais instrumentais, um recital dedicado à interação entre a música e a literatura da época, e três recitais dedicados a diferentes géneros vocais, cada um deles apresentados em duas datas distintas.

O ciclo inicia-se com dois concertos, um em que se destaca o violinista Bruno Monteiro e outro com a apresentação a solo da pianista Marta Menezes. Segue-se um concerto do Lumennis Trio, um agrupamento de clarinete, violoncelo e piano que ganhou o 2.º Prémio Nível Superior em Música de Câmara no “Jovens Músicos 2018”.

A proposta seguinte é um recital dedicado à relação entre Gustave Flaubert e Louise Colet, relacionando a música e a literatura da época. Os Serões Musicais propõem, depois, uma viagem a um salão oitocentista, com canto e piano, a que se segue um concerto dedicado ao Lied, a canção, por excelência, do ambiente romântico alemão. E a edição termina com um recital de Elisabete Matos, cantora lírica portuguesa consagrada a nível internacional.

Dia 1 de março, no primeiro Serão Musical deste ciclo, o violinista Bruno Monteiro e o pianista João Paulo Santos atravessam a quase totalidade do século XIX, com composições de Mendelssohn, Brahms, Wieniawski, Kreisler, Gluck, Sarasate e do português Luiz Barbosa.

Dia 2 de março, a jovem pianista Marta Menezes apresenta, a solo, um programa que facilmente podia ter sido interpretado por José Vianna da Motta, protegido de D. Fernando II e da Condessa d’Edla. Neste concerto, ouvir-se-ão obras de Beethoven e de Franz Liszt, autores de referência para Vianna da Motta, e, por fim, também obras deste último, enquanto discípulo de Liszt. Do programa faz parte igualmente a “Sonata n.º 3, em Si menor”, de Chopin, uma das grandes obras-primas para piano do século XIX.

Dia 8 de março, o Lumennis Trio, apresenta um programa que celebra a música de câmara. Do repertório destacam-se obras da juventude de Beethoven e de Mikhail Glinka, e composições tardias de Johannes Brahms e de Max Bruch.

Dia 9 de março, o concerto cumprirá uma das linhas orientadoras da programação deste ciclo, que consiste na recuperação da interação entre a música e os ambientes culturais do século XIX, em particular o literário. Este é um recital que funde o canto e a literatura, com a canadiana Siphiwe Mckenzie, soprano que já marcou presença nos Serões Musicais de 2017. A acompanhá-la estarão, ao piano, João Paulo Santos, e o ator André Gago, que irá ler excertos da correspondência trocada entre Gustave Flaubert e Louise Colet. Os três recriarão um serão literário-musical doméstico ao gosto francês, com alguns dos mais destacados autores de mélodies, como Gabriel Fauré, Reynaldo Hahn ou Henri Duparc. O espetáculo, que parte do século XIX para abraçar o século XX, contará ainda com peças para piano de Chopin, Schumann e Poulenc e com dois temas para cinema de Auric e Tiersen.

Dias 15 e 16 de março, o Salão Nobre do Palácio da Pena recebe um concerto de caracterização de época, com pesquisa musicológica realizada por Luísa Cymbron e por João Paulo Santos. Este espetáculo pretende recriar uma viagem ao interior de um salão da época, no qual a execução de música doméstica em ambiente familiar era prática popular e na qual o papel da mulher era fundamental. É protagonizado pelos sopranos Rita Marques e Ana Franco, o mezzosoprano Ana Ferro e, ao piano, Joana David, Nuno Margarido Lopes e João Paulo Santos.

Dias 22 e 23 de março, o jovem barítono André Baleiro e o pianista David Santos recordam, Robert Schumann, a segunda grande figura na evolução histórica do Lied, depois da contribuição enorme e genial de Franz Schubert. Todas as composições apresentadas datam de 1840, ano em que Schumann compôs quase 140 Lieder, muitos deles de grande qualidade. Do programa destacam-se as 12 canções sobre poemas de Justinus Kerner, a mais negligenciada de entre as grandes coleções de Lieder de Schumann.

Dias 29 e 30 de março, o sétimo e último programa tem a presença de Elisabete Matos, soprano que já pisou os mais conceituados palcos do mundo, e que se apresenta, pela primeira vez nos Serões Musicais no Palácio da Pena. Ao seu lado, no piano, estará Cristóvão Luiz. Nestes dois concertos do último fim de semana do ciclo, que têm como pano de fundo os 150 anos da morte de Hector Berlioz, apresentar-se-ão composições de três autores latinos – um catalão, um francês e um italiano – com textos e atmosferas bastante distintos, seguidas de cinco canções de Richard Strauss, o último grande cultor da tradição do Lied germânico.

O ciclo Serões Musicais no Palácio da Pena é uma iniciativa conjunta da Parques de Sintra e do Centro de Estudos Musicais Setecentistas em Portugal (CEMSP), tendo por diretor artístico o maestro Massimo Mazzeo. Os “Serões Musicais” iniciam a Temporada de Música Erudita da Parques de Sintra, a qual inclui ainda, em maio, os “Reencontros – Memórias musicais no Palácio de Sintra”, e, em outubro e novembro, o ciclo “Noites de Queluz – Tempestade e Galanterie”.

Preço de bilhete por concerto: 15€
Preço de Bilhete Ciclo (7 concertos, nas datas: 1, 2, 8, 9, 15, 22 e 29/03): 89€
Capacidade do Salão Nobre: 80 lugares
Locais de venda: Bilheteiras da Parques de Sintra, FNAC, Worten, El Corte Inglés, Altice Arena, Media Markt, lojas ACP, rede PAGAQUI e Postos de Turismo de Sintra e Cascais.
Online em www.parquesdesintra.pt e em www.blueticket.pt

Programação

“Serões Musicais no Palácio da Pena”

1 de março | 21h00
Mendelssohn, Brahms e Gluck
Bruno Monteiro – violino
João Paulo Santos – piano

O violino entre o profundo e o superficial

O virtuosismo do violinista Niccolò Paganini (1782-1840) marcou o imaginário musical oitocentista, indo de par com a condição de ‘artista sério’ a que todo o intérprete aspirava. O recital de violino e piano que inaugura os Serões Musicais 2019, atravessando a quase totalidade do século XIX, contempla essas duas vertentes: duas sonatas que pressupõem o músico completo e peças sortidas que favorecem a exibição do virtuose. Pelo meio, uma peça ‘salonesque’ do hoje esquecido Luiz Barbosa, pai do grande violinista Vasco Barbosa (1930-2016) e da pianista Grazi Barbosa (n. 1922).
Bernardo Mariano

2 de março | 21h00
Beethoven, Vianna da Motta, Liszt, Chopin
Marta Menezes – piano

Um programa “à sombra” de Vianna da Motta

Um programa que José Vianna da Motta, protegido do rei D. Fernando II e da condessa d’Edla, poderia bem ter interpretado. Nele se percorre a genealogia artística que, partindo de Beethoven, chega a Franz Liszt por via de Carl Czerny e enfim a Vianna da Motta enquanto discípulo de Liszt – o português integrou em agosto-setembro de 1885 a classe dos cursos estivais que Liszt dava anualmente em Weimar e recebeu ainda os ensinamentos do grande pianista e maestro Hans von Bülow, ele próprio formado com Liszt. A rematar, a ‘Sonata n.º 3’ de Chopin, uma das grandes obras-primas do piano do século XIX.
Bernardo Mariano

8 de março | 21h00
Beethoven, Glinka, Bruch, Brahms
Lumennis Trio
Diana Sampaio – clarinete
Ana Mafalda Monteiro – violoncelo
João Casimiro Almeida – piano

Uma celebração da música de câmara

Obras de índole muito diversa, mas que permitem captar dois momentos da música de câmara do ‘longo século XIX’ (porque abarcando ‘franjas’ dos séculos contíguos). De um lado, duas obras de juventude – mas de clima bem contrastante! – de Beethoven e de Mikhail Glinka, este o fundador da tradição musical nacional russa; do outro, perfilam-se duas composições tardias de Johannes Brahms e de Max Bruch, para cujo impulso criativo foram determinantes dois excelentes clarinetistas, respetivamente, Richard Mühlfeld e Max Felix Bruch (filho do compositor).
Bernardo Mariano

9 de março | 21h00
Poulenc, Bizet, Faure, Chopin, Schumann
Siphiwe Mckenzie – soprano
João Paulo Santos – piano
André Gago – narração

Salão romântico/salão moderno

No que quase poderia ser a recriação de um serão musical doméstico ao gosto francês, ouvimos alguns dentre os mais destacados autores de ‘mélodies’ (a contrapartida francesa ao ‘Lied’ germânico), como Gabriel Fauré, Reynaldo Hahn ou Henri Duparc. E pontuando um recital eminentemente de canto, ainda populares peças para piano de Chopin, Schumann e Tiersen (da banda sonora de ‘Amélie’), além de Poulenc e de duas raridades: 2 pequenas peças de Jacques Ibert, escritas durante a ocupação nazi da França e um arranjo de Georges Auric de um conhecido trecho de Brahms para o filme ‘Aimez-vous Brahms…’.
Bernardo Mariano

15 e 16 de março | 21h00
Schumann, Meyerbeer, Hahn, Gounod
Rita Marques – soprano
Ana Franco – soprano
Ana Ferro – mezzosoprano
Joana David – piano
Nuno Margarido Lopes – piano
João Paulo Santos – piano

No salão oitocentista: música vocal e para piano a várias mãos

Numa época em que não existiam meios de reprodução do som, o prazer associado à música estava muito ligado ao ato de fazer, de tocar ou cantar. Estas práticas musicais domésticas deram origem a um gigantesco repertório que permitia o envolvimento de famílias e grupos de amigos, em formações variadas nas quais a voz e o piano eram elementos indispensáveis. É esse tipo de ambientes musicais que este concerto pretende relembrar.
Luísa Cymbron

22 e 23 de março | 21h00
Schumann – Lieder
André Baleiro – barítono
David Santos – piano

O ‘Lied’ segundo Robert Schumann

Após a contribuição enorme e genial de Franz Schubert, Robert Schumann (1810-56) é a segunda grande figura na evolução histórica do ‘Lied’ – definido, este, como uma canção para voz solo e piano sobre um texto poético em língua alemã. Os três ‘opus’ que hoje ouviremos datam todos eles de 1840, ano no decurso do qual Schumann compôs quase 140 ‘Lieder’, muitos deles de qualidade superlativa! No cartaz desta noite, o destaque há de ir para as 12 canções sobre poemas de Justinus Kerner, a mais negligenciada dentre as grandes coleções de ‘Lieder’ de Schumann.
Bernardo Mariano

29 e 30 de março | 21h00
Toldrà, Berlioz, Rossini, Strauss
Elisabete Matos – soprano
Cristóvão Luiz – piano

Nos 150 anos da morte de Berlioz

A canção para voz solo e piano tomou muitas feições no decurso dos séculos XIX e XX. Ao longo deste recital demoramo-nos com composições de três autores latinos – um catalão, um francês e um italiano – tratando textos e conjurando climas que não podiam ser mais diferentes entre si! Por fim, abordamos Richard Strauss, cronologicamente o último grande cultor da tradição do ‘Lied’ germânico, com a particularidade de, a exemplo do ciclo ‘Les nuits d’été’ ouvido antes, todas as cinco canções suas em programa terem sido depois orquestradas. Em pano de fundo, os 150 anos da morte de Hector Berlioz.
Bernardo Mariano

Serões Musicais no Palácio da Pena em Sintra
Serões Musicais no Palácio da Pena em Sintra
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