Setor convencionado de prestação de Cuidados de Saúde alerta para revisão urgente de preços com mais de 17 anos

Setor convencionado de prestação de Cuidados de Saúde alerta para revisão urgente de preços com mais de 17 anos
Setor convencionado de prestação de Cuidados de Saúde alerta para revisão urgente de preços com mais de 17 anos

A Federação Nacional dos Prestadores de Cuidados de Saúde – FNS, indicou, em comunicado, a importância do reconhecimento explícito do setor convencionado na garantia do acesso aos cuidados de saúde em Portugal, dado pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que alertou para a insustentabilidade financeira que ameaça a parceria estratégica existente.

O setor convencionado como solução estrutural, não apenas recurso

Os dados da monitorização sobre a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados mostram que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) enfrenta constrangimentos significativos e um volume elevado de reclamações por falta de acesso a exames em tempo útil.
A ERS lembrou que por Despacho Governamental, sempre que o SNS não consiga realizar Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (MCDT) dentro dos tempos clinicamente aceitáveis ou garantidos, as Unidades Locais de Saúde (ULS) devem recorrer à contratação junto do setor convencionado.

Como a FNS vem defendendo e os dados da ERS parecem coincidir o Setor Convencionado é considerado:

  • Capilaridade e Garantia de Acesso: A vasta rede de unidades disponíveis e a capilaridade geográfica dos nossos Associados são a única forma de garantir o cumprimento do direito constitucional à saúde e a realização de exames com prontidão.
  • Alívio da Pressão Hospitalar: A existência de uma estrutura (setor convencionado) pronta a dar resposta às necessidades de saúde dos portugueses deve ser usada na sua plenitude, satisfazendo as necessidades dos cuidados primários e contribuindo decisivamente para a redução da pressão nas urgências hospitalares. Há que esgotar a capacidade instalada no país para responder aos portugueses.
  • Imperativo Legal: O recurso ao setor convencionado está previsto na lei e deve ser acionado sem hesitações administrativas para evitar o agravamento da saúde dos utentes.
  • Cumprimento Constitucional: A utilização do setor convencionado é, por isso, mais um meio que o Governo de Portugal tem de dar resposta às necessidades de saúde dos Portugueses, cumprindo o direito à Saúde previsto na Constituição.

Urgência na atualização das tabelas de preços

Para a FNS, a ERS clarificou as regras de acesso e referiu a utilização das tabelas de preços em vigor no SNS como referência para a contratação externa. No entanto, para a FNS é imperioso destacar uma omissão grave na política de saúde que se arrasta e evita enfrentar há mais de uma década: as tabelas do setor convencionado não são atualizadas, estando congeladas há mais de 17 anos.

Para que o setor convencionado possa continuar a responder com a qualidade, rapidez e tecnologia de ponta que a ERS e os utentes exigem:

  • Sustentabilidade Económica: É insustentável manter preços de referência de 2008 num contexto económico de 2025/2026.
  • Pressão de Custos: A inflação acumulada (desde 2022 é de 17%), o aumento dos custos com energia, recursos humanos (aumentou 37%/últimos 5 anos) e consumíveis médicos colocam uma pressão asfixiante sobre as entidades prestadoras.
  • Risco de Desinvestimento: O investimento contínuo em meios humanos, técnicos e instalações é incompatível com a não atualização de preços no setor convencionado.

Compromisso da FNS

A FNS assumiu estar pronta para colaborar e a dar resposta à procura que o Estado não consegue satisfazer internamente. Uma complementaridade que é intrínseca ao Sistema de Saúde, No entanto, a FNS considera que tal como alertam os dados da ERS o Ministério da Saúde deverá rever urgentemente as tabelas convencionadas.