SITEU: Novo sindicato quer unir os enfermeiros

Novo Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos, agora criado, quer a reforma dos enfermeiros aos 60 anos, cumprimento dos rácios enfermeiro/doente, com dotações seguras, e descongelamento das carreiras.

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SITEU: Novo sindicato quer unir os enfermeiros
SITEU: Novo sindicato quer unir os enfermeiros. Foto: © Rosa Pinto

Um conjunto “alargado de enfermeiros descontentes com o atual panorama da profissão em Portugal”, cria o novo sindicato, o SITEUSindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos. Um sindicato que tem em conta existirem 76.000 enfermeiros no país, mas que destes apenas cerca de 10.000 estão sindicalizados.

Gorete Pimentel, presidente da direção do SITEU, justificou a criação do novo sindicato referindo que se trata de “um sindicato diferente relativamente ao que é tradicional ver no trabalho sindical até agora. Vimos com energia de ativistas laborais que não se revêm na postura, ação e ideologias dos sindicatos atualmente existentes”.

“A maioria de nós mantém os ideais de ser sindicalizado, mas os sindicatos talvez não tenham conseguido evoluir para acompanhar os novos tempos, com novas políticas, ideias, valores, estilo de vida e até canais de comunicação”, acrescentou a sindicalista.

Gorete Pimentel esclareceu que na constituição do SITEU estão enfermeiros de vários quadrantes políticos, e que “apesar das diferenças políticas pessoais, estamos unidos pela enfermagem. As diferenças neste contexto são relegadas para segundo plano, quando muito, ajudam-nos a ter perspetivas e contributos variados, de forma a batalhar pelo nosso foco, a enfermagem e os enfermeiros. São muitas, as situações irregulares e ilegais que os enfermeiros enfrentam no exercício da profissão”.

Em comunicado o novo sindicato indicou que “quer refletir o atual panorama da enfermagem, em que os profissionais trabalham em instituições públicas, instituições de solidariedade social e em instituições privadas”.

Sobre os aspetos financeiros do sindicato, Gorete Pimentel esclareceu: “O SITEU começa do zero em termos financeiros, somos nós, fundadores, a financiá-lo com o nosso dinheiro, para o arranque, e até termos membros inscritos e a pagarem quotas, não temos qualquer outra fonte de rendimento”.

A sindicalista acrescentou: “Sentimos que o SITEU vem responder a uma necessidade premente de uma nova forma de exercer o sindicalismo, focada na obtenção de resultados concretos e não apenas intenções. Sabemos que há a necessidade de tomar posições fortes”.

Um sindicato que tem vários objetivos e para isso “queremos estar ao lado de todos os enfermeiros independentemente da instituição em que trabalham e do vínculo laboral que possuem. Queremos ainda, proteger os enfermeiros da coação a que vêm sendo sujeitos pelos seus superiores hierárquicos e/ou pelos responsáveis das unidades de saúde. Queremos ser a vós de representação dos enfermeiros em primeira instância, de modo que eles não tenham de se expor, para evitar represálias como temos vindo a sentir nos últimos anos.”

E há objetivos bem definidos pela presidente do SITEU, que considera “urgente a defesa dos direitos laborais, desde os mais básicos, como defender um horário de trabalho legal. Nada é mais básico do que isto e continuamos a ter os sindicatos em negociações estéreis e sem representar verdadeiramente os enfermeiros nas instituições por conivência política”.

O SITEU considera ser essencial o cumprimento dos rácios enfermeiro/doente, com dotações seguras, e por isso o sindicato vai “exigir a contratação de profissionais para suprir as necessidades. É a saúde dos doentes e dos enfermeiros que está em causa. Portugal conquistou ganhos em saúde nas últimas décadas que não podemos perder, não queremos um retrocesso civilizacional e é isso que está em causa”.

Em termos de reivindicações para os profissionais, o SITEU indicou que vai lutar por melhores condições salariais, nomeadamente pelo cumprimento do descongelamento das carreiras negociado para o Orçamento de Estado de 2018, e Gorete Pimentel referiu que o descongelamento “não só não está a ser implementado, como há discriminação de profissionais por tipo de contrato, há discrepâncias gritantes e ilegalidades que não podem continuar”.

Outra reivindicação é a passagem da idade da reforma dos enfermeiros para os 60 anos e que a profissão seja reconhecida como aquilo que efetivamente é: uma profissão de desgaste rápido e de risco acrescido.

Em comunicado o SITEU conclui que promete primar pela transparência total e proximidade com os seus associados assim como abertura para entendimentos com as associações, movimentos, instituições e restantes sindicatos, sempre que seja benéfico para a profissão de enfermagem.

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