
A Comissão Europeia anunciou a seleção de 13 novos sítios patrimoniais a que atribui o Selo do Património Europeu 2025. Um reconhecimento pelo papel fundamental na história e cultura da Europa. No total, passa a haver 80 sítios com Selo do Património Europeu em toda a Europa.
Os sítios recentemente premiados incluem: Landeszeughaus Graz, na Áustria; Domaine & Royal Museum de Mariemont, na Bélgica; Centro Urbano e de Produção de Sal de Provadia, na Bulgária; Espaço da Liberdade de Expressão, na República Checa; Paisagem Urbana Fluvial de Pader, na Alemanha; Centro Cultural La Nau, em Espanha; Património Industrial de Varkaus, na Finlândia; Rashi de Troyes – Lugares de Memória, na França; Lugares de Paz em Portugal, Espanha, França, Hungria, Eslováquia, Croácia, Bulgária; Bosco Delle Querce, na Itália; Catacumbas de São Paulo, em Malta; Centro Europeu de Música Krzysztof Penderecki, na Polónia; Abrigo rochoso de Lagar Velho, em Portugal.
A Iniciativa do programa Europa Criativa reconhece com o selo locais que tiveram um impacto profundo na história, cultura e desenvolvimento dos países e da própria União Europeia. A atribuição do Selo destaca também o compromisso com o envolvimento e a sensibilização do público, com um foco específico na inspiração do público jovem.
“Hoje, 13 locais extraordinários obtêm o prestigiado Selo Europeu do Património 2025. Das Catacumbas de São Paulo em Malta ao Património Industrial de Varkaus na Finlândia, cada local é um testemunho vivo e um contador de histórias, captando a essência da rica história e evolução da Europa. Dão vida à história comum da Europa, oferecendo às pessoas a oportunidade de aprender sobre as raízes da Europa e de transformar as complexidades do nosso passado num diálogo vivo que liga culturas e capacita os jovens” afirmou Glenn Micallef, Comissário Europeu para a Equidade Intergeracional, Juventude, Cultura e Desporto.
Os 13 locais foram selecionados por um painel de especialistas independentes a partir de uma lista de 21 candidatos finalistas. Os vencedores serão convidados para a Cerimónia de Entrega dos Selos Europeus do Património, que terá lugar no dia 22 de abril de 2026 em Bruxelas, na Bélgica.
O abrigo rochoso de Lagar Velho, localizado no Vale do Lapedo, agora distinguido é um dos sítios arqueológicos pré-históricos mais importantes da Europa. Datado de cerca de 29.000 anos atrás, é conhecido pela descoberta do túmulo da “Criança de Lapedo”, um dos mais importantes restos humanos já encontrados na Europa do período Paleolítico Superior.
O esqueleto da “Criança de Lapedo” exibe uma combinação única de características anatómicas associadas tanto a humanos modernos como neandertais. Uma descoberta que transformou a compreensão científica da evolução humana na Europa, ao demonstrar que a interação e o cruzamento entre populações desempenhou um papel fundamental na formação das primeiras comunidades europeias.
Como consta no site da Comissão Europeia o abrigo rochoso de Lagar Velho representa a profunda interconexão biológica e cultural da Europa. Um lugar que demonstra que a diversidade, a integração e o intercâmbio cultural não são fenômenos modernos, mas sim elementos fundamentais da identidade europeia, enraizados na história humana mais remota do continente.
Dos lugares de paz consta a Casa da Concessão de Evoramonte. O Tratado de Paz conhecido como “A Concessão de Evoramonte” foi assinado, em 26 de maio de 1834, que pôs fim à única guerra civil portuguesa em quase 900 anos de história. No início do século XIX, as ideias liberais difundiam-se pela maioria das monarquias europeias, como o foi em Portugal.
A Guerra Civil eclodiu em Portugal em 1831, depois de D. Miguel, um monarca absolutista e tradicionalista, ter revogado a Carta Constitucional, em 1828, que anteriormente jurara defender. A Carta estava em vigor desde 1826.
O irmão mais velho, D. Pedro, protetor do Regime Constitucional que ocupava o trono no Brasil, veio para Portugal e, partindo do arquipélago dos Açores, formou um exército de mercenários e exilou-se. Em 1832, D. Pedro desembarcou no norte de Portugal e tomou a cidade do Porto, dando início a um período de dois anos de sangrentas batalhas, perseguições e destruição do país.
Como descrito no site da Comissão Europeia os absolutistas de D. Miguel foram decisivamente derrotados em 16 de maio de 1834, na Batalha de Asseiceira, na zona central do país, obrigando o monarca a procurar refúgio, juntamente com o que restava do seu exército, na cidade de Évora, situada a 25 quilómetros de Evoramonte.
Por outro lado, as tropas liberais de D. Pedro estavam a tomar Estremoz.
Com um exército enfraquecido e doente, D. Miguel é forçado a pedir uma trégua ao irmão, D. Pedro, após reconhecer a impossibilidade de continuar a guerra ou de se unir ao primo, Dom Carlos, que ainda lutava contra as ideias liberais em Espanha.
Ambas as partes concordaram com a assinatura da Paz em Evoramonte, na residência do então Presidente da Câmara, Sr. Joaquim António Saramago.
A Concessão de Evoramonte, foi assim, assinada em 26 de maio de 1834 por ambos os comandantes militares, que levou D. Miguel ao exílio em Itália (e mais tarde na Áustria, onde viria a falecer) e à entrega do trono à sua sobrinha, D. Maria II, filha de D. Pedro.
Maria II restabeleceria a Carta Constitucional e, com a chegada da Paz, o comércio foi modernizado com a abolição da primogenitura, dos portos secos internos e com a nacionalização de conventos e mosteiros. A administração pública, a justiça e o exército também foram modernizados.
A partir desse momento, Portugal seguiu o mesmo destino de outras nações europeias.
Outro dos lugares de paz distinguido com o Selo do Património Europeu é o Paço dos Henriques, atualmente propriedade do Estado e classificado como Edifício de Interesse Público desde 1993. O edifício pertenceu aos últimos senhores da vila de Alcáçovas. Segundo a tradição e a crença local, foi outrora um palácio real, cuja construção foi ordenada pelo rei Dom Dinis, no século XIV.
Um Lugar de Paz onde foi assinado o Tratado de Alcáçovas-Toledo (também conhecido como Paz de Alcáçovas), que pôs fim à Guerra de Sucessão de Castela (1475-1479), onde Afonso V de Portugal renunciou ao trono de Castela e o Rei Fernando de Castela renunciou ao trono de Portugal. Este Tratado também resolveu algumas questões relacionadas com as “novas terras” descobertas no Oceano Atlântico, dividindo-as formalmente entre Portugal e Castela. O que explica por que o edifício é tão importante e emblemático, não só para a história de Alcáçovas, mas também para Portugal e para o resto do mundo.
O complexo arquitetónico é inclui o jardim das conchas e a capela das conchas, locais de singular beleza devido à arte dos “embrechados” (técnica de imbricação de elementos), construídos no século XVII. Nesse caso, os elementos utilizados são 26 espécies de conchas, porcelana kraak (porcelana chinesa), faiança portuguesa e vidro de Murano.













