Terapias complementares em oncologia pediátrica em debate em Seminário da Fundação Rui Osório de Castro

Terapias complementares em oncologia pediátrica em debate em Seminário da Fundação Rui Osório de Castro
Terapias complementares em oncologia pediátrica em debate em Seminário da Fundação Rui Osório de Castro.

“Terapias complementares e o seu impacto no bem-estar físico e emocional das crianças e das suas famílias, durante e após os tratamentos” vão estar em apresentação no 12.º Seminário de Oncologia Pediátrica da Fundação Rui Osório de Castro (FROC), agendado para 28 de fevereiro de 2026, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Um tema que, refere a FROC, “nasce do claro interesse por parte das famílias em compreender melhor este tipo de terapias, os seus benefícios e os seus limites, num contexto sensível como o da oncologia pediátrica”. O tema ganha ainda mais relevância dado, como refere Catarina Mendes Martins, Diretora-Geral da FROC, estudos internacionais apontarem que “entre 30% e 80% das crianças recorrem a terapias complementares”.

Em Portugal, a FROC refere que um estudo recente realizado pelo Hospital Pediátrico de Coimbra revela que 22% dos inquiridos utilizam terapêuticas não medicamente prescritas, embora existam evidências de que este valor possa ser, na realidade, mais elevado.

O estudo confirma, refere a FROC, que, muitas vezes, esta adesão não é partilhada com as equipas de saúde, levantando preocupações legítimas ao nível da segurança dos tratamentos e da saúde das crianças. Num contexto em que a informação é frequentemente fragmentada, pouco clara e, por vezes, assente em abordagens sem base científica, a FROC assume um papel ativo: “promover o diálogo e criar um espaço para que este tema comece a ser abordado de forma estruturada e segura (com base na evidência científica)”, explica Catarina Mendes Martins.

Apesar de, como refere Diretora-Geral da FROC, “os pais, perante situações de grande fragilidade dos filhos, tenderem a recorrer a tudo o que possa ‘prometer’ melhorias no tratamento ou na qualidade de vida, nem sempre se sentem à vontade para abordar o tema em contexto de consulta. Existe, muitas vezes, o receio de julgamento por parte dos profissionais de saúde ou a perceção de que esta informação não é relevante para o médico”.

Também, do lado dos médicos, existe “dificuldade em abordar terapias para as quais não conhecem evidência científica. Torna-se assim essencial promover a discussão sobre o tema e fomentar a comunicação entre famílias e profissionais de saúde.”

A FROC considera a necessidade de “acesso à informação credível sobre o tema; abertura para os pais poderem levar à consulta as opções terapêuticas que consideram potencialmente benéficas para o seu filho e, com o apoio do médico, avaliarem se faz sentido recorrer a essas terapias. E é ainda necessário apoio na distinção entre o que pode efetivamente ser benéfico e o que pode interferir com o tratamento ou comprometer a saúde da criança”.

Posições que se justificam, tendo em conta o “impacto profundo na criança e na família, e existindo evidência de que abordagens complementares podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida (bem-estar físico e emocional), é de interesse das famílias poderem recorrer a elas”.

Para Catarina Mendes Martins, “as terapias complementares, como a acupuntura, a aromaterapia, as massagens, o yoga, o mindfulness, o reiki, entre outras, podem ajudar a lidar com os sintomas associados à doença e aos efeitos secundários dos tratamentos – dores, náuseas, stress, ansiedade”, contribuindo ainda “para a melhoria da qualidade do sono e do bem-estar geral, com impacto positivo no equilíbrio emocional da criança e dos seus cuidadores”. Mas tudo isto “sempre numa perspetiva complementar aos cuidados médicos convencionais”.

O Seminário contará também com um painel dedicado às terapias para a reabilitação das crianças com doença oncológica, durante e após o tratamento, assim como da apresentação do projeto vencedor da 9ª edição do Prémio Rui Osório de Castro/Millennium bcp e do anúncio do vencedor e menções honrosas da 10ª edição.