Vacinação contra a gripe sazonal já começou

Profissionais de saúde têm tripla responsabilidade: de se protegerem, de protegerem os que cuidam e de recomendarem a vacinação antigripal. Portugal está longe da meta de 75% da União Europeia, de cobertura vacinal na população com idade igual ou superior a 65 anos.

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Vacinação contra a gripe sazonal já começou
Vacinação contra a gripe sazonal já começou. Foto: © Rosa Pinto

Com o início da época de vacinação antigripal, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), através da sua Comissão de Trabalho de Infecciologia Respiratória, vem alertar para a importância da vacinação contra a gripe sazonal, sobretudo, nos doentes crónicos e nos profissionais de saúde.

Dados do Vacinómetro, no final da época de vacinação de 2018/2019, divulgados em março passado, foram vacinados contra a gripe sazonal:

65,9% dos indivíduos com 65 anos ou mais (+4,1% do que no anterior);

55,8% dos indivíduos portadores de doença crónica (+3,7% do que no ano anterior);

37,3% dos portugueses com idades compreendidas entre os 60 e os 64 anos (+1,6% do que no ano anterior);

52% dos profissionais de saúde com contacto direto com os doentes (-3,2% do que no ano anterior).

A SPP indicou que tem havido um aumento global da cobertura vacinal, mas que apenas cerca de 50% dos profissionais de saúde e dos indivíduos com doença crónica fizeram a vacina. Por isso considera que há ainda um longo caminho a percorrer para atingir a meta, definida pela União Europeia, de 75% de cobertura vacinal na população com idade igual ou superior a 65 anos.

Para a SPP os profissionais de saúde têm um papel fundamental na vacinação, dado que como referem os pneumologistas Filipe Froes e Cátia Caneiras, “por um lado, enquanto prestadores de cuidados de saúde, estão bastante expostos aos agentes infeciosos podendo, eles mesmo, promover a transmissão de infeções e, por outro, são decisivos para que a população em geral e as pessoas com doença crónica se vacinem: 60% das pessoas vacinaram-se por recomendação do profissional de saúde”.

Filipe Froes e Cátia Caneiras alertam para a possibilidade dos profissionais de saúde poderem transmitir a gripe, inadvertidamente e na ausência de sintomas, durante o período de 1 a 2 dias de incubação da doença.

Grupos de risco

À luz da Norma de Orientação Clínica da Direção Geral da Saúde, publicada na semana passada, a vacinação contra a gripe é fortemente recomendada em pessoas com idade igual ou superior a 65 anos; indivíduos com 6 ou mais meses de idade com doença crónica ou imunodeprimidos (onde se incluem os doentes asmáticos que fazem terapêutica com corticoides inalados ou sistémicos; portadores de doença pulmonar obstrutiva crónica – DPOC -, fibrose quística, fibrose pulmonar intersticial, pneumoconioses e displasia broncopulmonar); grávidas (em qualquer trimestre) e profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados.

A SPP aconselha ainda a vacinação das pessoas com idade entre os 60 e os 64 anos. A vacina deve ser administrada durante o outono/inverno, de preferência até ao fim do ano civil.

Custos da vacina

A vacina contra a gripe é gratuita, no Serviço Nacional de Saúde, para os grupos prioritários e podem ser administradas nos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES)/ Unidades Locais de Saúde (ULS). Os procedimentos para a vacinação das pessoas residentes em instituições, com apoio domiciliário ou internadas em unidades de saúde, dos bombeiros, dos reclusos e dos guardas prisionais são definidos a nível regional/local.

Para as pessoas não abrangidas pela vacinação gratuita, a vacina contra a gripe é dispensada nas farmácias comunitárias através de prescrição médica, com comparticipação de 37%.

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