Uma das marcas mais distintivas das comunidades portuguesas no estrangeiro reside na sua reconhecida capacidade empreendedora e no enraizado sentido de solidariedade e benemerência. Esta matriz identitária tem sido amplamente confirmada pelos percursos de inúmeros compatriotas que, a partir da diáspora, constroem empresas de sucesso e dinamizam iniciativas de elevado impacto económico, cultural, social e até político, contribuindo simultaneamente para a projeção positiva de Portugal além-fronteiras.
Entre os empresários portugueses da diáspora, cada vez mais valorizados como uma mais-valia estratégica na promoção do país, destaca-se o percurso do empresário João Pina, conhecido em França por Jean Pina, uma das figuras mais dinâmicas e beneméritas da comunidade luso-francesa.
Natural de Trinta, pequena localidade do concelho da Guarda, João Pina emigrou para França no início da década de 1980, com apenas 19 anos, integrando o vasto movimento migratório de portugueses que então procuravam, na pátria gaulesa, melhores condições de vida. A sua chegada a Paris foi marcada por dificuldades significativas, incluindo um grave acidente que o deixou em coma durante vários dias — episódio determinante que viria a reforçar a sua profunda devoção a Nossa Senhora de Fátima. Superadas as adversidades iniciais, construiu um notável percurso empresarial no setor da construção civil, amplamente retratado na obra biográfica Jean Pina: de sonhador a promotor, da autoria de Elizabete Dente, publicada em 2016.
Atualmente administrador do Grupo Jean Pina, sediado nos arredores de Paris e constituído por seis empresas com atividade nos setores da construção civil, limpeza e reciclagem de resíduos, Jean Pina afirma-se como um dos mais relevantes empresários luso-franceses. Contudo, o sucesso alcançado ao longo de décadas no mundo dos negócios tem sido, de forma consistente, acompanhado por um inequívoco compromisso solidário em prol da comunidade portuguesa e dos mais vulneráveis, tanto em França como em Portugal.
Este espírito solidário encontrou expressão institucional em novembro de 2019, com a criação da Fundação Nova Era Jean Pina, cuja missão assenta no lema “Solidariedade em Movimento”. Desde então, a Fundação tem desenvolvido uma dinâmica notável de apoio social, promovendo projetos dirigidos a populações especialmente vulneráveis — seniores, crianças institucionalizadas, desempregados e famílias em situação de fragilidade — reforçando a coesão social e a dignidade humana nos territórios de origem e de acolhimento da diáspora.
Foi neste enquadramento que, no final do mês de janeiro, Jean Pina, enquanto administrador do Grupo Jean Pina e presidente da Fundação Nova Era Jean Pina, firmou um protocolo solidário com a Fondation Nationale de la Cité internationale universitaire de Paris (CIUP), fundação privada de utilidade pública responsável pela gestão da emblemática Cité Internationale Universitaire de Paris. Instituição singular no panorama universitário francês e internacional, a CIUP promove, desde 1925, o intercâmbio cultural, o diálogo entre povos e a convivência pacífica, acolhendo mais de dez mil estudantes, investigadores e artistas de todo o mundo em dezenas de residências universitárias.
Entre as 43 casas que integram este campus universitário de referência destaca-se a Casa de Portugal – André de Gouveia (Maison du Portugal – André de Gouveia), criada em 1967, cuja missão passa pelo acolhimento de estudantes, investigadores, artistas e atletas portugueses de alto nível. Inserida num contexto internacional e cosmopolita, a Casa de Portugal assume-se como uma verdadeira montra da cultura portuguesa em Paris e como um espaço de afirmação da identidade lusófona. Sob a direção do pianista português João Costa Ferreira, que exerce funções desde 2023, a instituição desenvolve uma intensa programação cultural, com cerca de uma centena de iniciativas anuais nas áreas da música, dança, teatro e cinema.
É neste exigente quadro de acolhimento de mais de uma centena de estudantes universitários e de intensa promoção cultural — frequentemente limitado por recursos financeiros e humanos escassos — que o protocolo solidário agora celebrado assume particular relevância. A título gracioso, e suportado pelo presidente da Fundação Nova Era Jean Pina, o acordo insere-se no projeto de renovação da Maison du Portugal – André de Gouveia, contemplando a requalificação de vários quartos, a modernização das casas de banho, bem como a limpeza e valorização do átrio de entrada. Intervenções fundamentais para melhorar as condições de conforto, segurança e dignidade dos residentes, salvaguardando simultaneamente o valor arquitetónico e patrimonial do edifício.
Este protocolo enquadra-se no regime de mecenato previsto no artigo 238 bis do Code général des impôts (CGI), aplicável a donativos efetuados em benefício de organismos de interesse geral, permitindo mitigar os encargos inerentes ao funcionamento desta instituição, que se assume, na prática, como uma verdadeira embaixada cultural de Portugal em Paris.

Num país que acolhe uma comunidade portuguesa estimada em cerca de um milhão de pessoas — a maior da Europa e uma das mais expressivas comunidades estrangeiras em França —, a ação solidária contínua de Jean Pina constitui um exemplo paradigmático do papel estruturante da diáspora portuguesa. Mais do que um gesto isolado, este protocolo simboliza uma visão de responsabilidade social, de compromisso com a educação, a cultura e a identidade nacional, demonstrando como o sucesso empresarial, quando aliado à solidariedade, se transforma num poderoso instrumento de coesão, desenvolvimento e afirmação de Portugal no mundo.
Autor: Daniel Bastos, Historiador e Escritor













