Regime perioperatório Imfinzi para cancro gástrico e gastroesofágico aguarda autorização da Comissão Europeia

O regime perioperatório Imfinzi obteve teve parecer positivo da Agência Europeia de Medicamentos para pacientes com cancro gástrico e gastroesofágico em estágio inicial e aguarda autorização da Comissão Europeia.

Regime perioperatório Imfinzi para cancro gástrico e gastroesofágico aguarda autorização da Comissão Europeia
Regime perioperatório Imfinzi para cancro gástrico e gastroesofágico aguarda autorização da Comissão Europeia. Foto: Rosa Pinto

O Imfinzi (durvalumabe) da AstraZeneca, em combinação com a quimioterapia padrão FLOT (fluorouracilo, leucovorina, oxaliplatina e docetaxel), obteve parecer positivo da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) e foi recomendado para aprovação na União Europeia (UE) para o tratamento de pacientes adultos com cancro gástrico e da junção gastroesofágica ressecável, em estágios iniciais e localmente avançados (estágios II, III e IVA).

O regime inclui Imfinzi neoadjuvante em combinação com quimioterapia antes da cirurgia, seguido de Imfinzi adjuvante em combinação com quimioterapia e, por fim, monoterapia com Imfinzi.

O Comité de Medicamentos para Uso Humano (CHMP, sigla em inglês) da EMA baseou o parecer positivo nos dados de sobrevida livre de eventos e sobrevida global do estudo de Fase III MATTERHORN. Os resultados de sobrevida livre de eventos foram apresentados durante a Sessão Plenária do Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) de 2025 e publicados simultaneamente no The New England Journal of Medicine.

A AstraZeneca referiu que os pacientes tratados com o regime perioperatório baseado em Imfinzi apresentaram uma redução de 29% no risco de progressão da doença, recorrência ou morte em comparação com a quimioterapia isolada. A mediana estimada de sobrevida livre de eventos ainda não foi atingida no braço Imfinzi, em comparação com 32,8 meses no braço comparador. Estima-se que 78,2% dos pacientes tratados com o regime perioperatório baseado em Imfinzi estavam livres de eventos num ano, em comparação com 74,0% no braço comparador; a taxa estimada de sobrevida livre de eventos em 24 meses foi de 67,4% versus 58,5%, respetivamente.

Na análise final de sobrevida global, os resultados mostraram que o regime perioperatório com Imfinzi e FLOT demonstrou uma melhora estatisticamente significativa e clinicamente relevante na sobrevida, reduzindo o risco de morte em 22% em comparação com a quimioterapia isolada. A AstraZeneca indicou que é estimado que 69% dos pacientes tratados com o regime baseado em Imfinzi estavam vivos após três anos, em comparação com 62% no braço comparador. Em cada marco subsequente de sobrevida global pré-especificado, as curvas de sobrevida indicaram uma separação crescente, sinalizando uma maior magnitude de benefício ao longo do tempo para o regime baseado em Imfinzi. Um benefício em sobrevida global foi observado independentemente do status de PD-L1.

Os resultados de sobrevida global do estudo MATTERHORN foram apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) de 2025.

Esta recomendação representa um grande avanço para os pacientes na UE com cancro gástrico e da junção gastroesofágica em estágio inicial, que historicamente enfrentam altas taxas de recorrência e resultados ruins a longo prazo, apesar da cirurgia e quimioterapia com intenção curativa. Este regime perioperatório baseado em durvalumabe é a primeira abordagem de imunoterapia a prolongar significativamente a sobrevida neste contexto e, se aprovado, deverá estabelecer um novo padrão de tratamento“, afirmou, citado pela AstraZeneca, Josep Tabernero, chefe do Departamento de Oncologia Médica do Hospital Universitário Vall d’Hebron e diretor do Instituto de Oncologia Vall d’Hebron (VHIO) em Barcelona, ​​Espanha, e investigador principal do estudo MATTERHORN.

A combinação de Imfinzi e FLOT demonstrou um benefício de sobrevida duradouro e crescente a longo prazo no estudo MATTERHORN, com mais de dois terços dos pacientes vivos após três anos. A recomendação do CHMP representa um avanço significativo em direção ao nosso objetivo de oferecer novas abordagens para cânceres em estágio inicial, onde há maior probabilidade de cura, e nos aproxima da disponibilização do terceiro regime perioperatório baseado em Imfinzi na UE”, afirmou Susan Galbraith, Vice-Presidente Executiva de Investigação e Desenvolvimento em Oncologia e Hematologia da AstraZeneca.

O cancro gástrico é a quinta principal causa de morte por cancro no mundo, com quase um milhão de pessoas diagnosticadas por ano. Em 2024, havia aproximadamente 43.000 pacientes tratados com medicamentos nos EUA, na UE e no Japão com cancro gástrico ou da junção gastroesofágica em estágio inicial e localmente avançado. É estimado que cerca de 62.000 pacientes nessas regiões recebam novos diagnósticos até 2030.

A AstraZeneca indicou que o perfil de segurança da quimioterapia com Imfinzi e FLOT foi consistente com os perfis conhecidos de cada medicamento, e a percentagem de pacientes que concluíram a cirurgia foi semelhante à da quimioterapia isolada. Os eventos adversos de grau 3 ou superior, independentemente da causa, foram semelhantes entre os dois braços (71,6% para o braço com Imfinzi e FLOT; 71,2% para o braço comparador).

O Imfinzi já foi aprovado nos EUA e em outros países, com base nos resultados do estudo MATTERHORN. Os pedidos de aprovação regulatória também estão atualmente em análise no Japão e em diversos outros países.