Álcool responsável por 25% das lesões da coluna vertebral

Mais de um terço dos acidentes rodoviários provocam lesões na coluna cervical, e cerca de um quarto das lesões da coluna vertebral têm na base o consumo de álcool. A Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral pede cuidados redobrados aos condutores.

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Manuel Tavares de Matos, médico
Manuel Tavares de Matos, médico especialista em coluna vertebral e traumatologia. Foto: DR

Acidentes rodoviários, de automóvel e/ou de moto, traduzem-se todos os anos em cerca de 35% dos casos em lesões na coluna cervical, e o abuso de álcool é o fator responsável em cerca de 1 em cada 4 lesões da coluna vertebral.

Em face da situação, a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV) pede cuidados redobrados aos condutores, no período de férias de verão, para que aumente a sensibilização e seja promovida a prevenção.

“As lesões na coluna cervical são muito frequentes nos acidentes de viação e as suas consequências podem variar desde dores passageiras de causa traumática muscular a situações mais graves como a paralisia nos membros. A prevenção é o fator mais importante e requer cuidados redobrados em período de férias em que as viagens são mais longas. Os sintomas podem ser imediatos ou aparecer após o embate, pelo que é preciso ter em atenção aos primeiros sinais para avaliar a gravidade da situação”, explicou o ortopedista Manuel Tavares de Matos, presidente da SPPCV.

O especialista acrescentou: “Os sinais e sintomas de lesão na coluna incluem: dor e rigidez no pescoço, ombros e costas, eventualmente irradiada para os membros, náuseas, cefaleias ou tonturas; alterações da sensibilidade como formigueiros, dormência, diminuição da força nos braços ou pernas; estado de consciência alterado, dificuldades respiratórias e de concentração; perda de controle da bexiga e intestinos”.

Nos acidentes automobilísticos, as lesões na coluna cervical resultam quer de traumatismos diretos sobre a cabeça ou de movimentos mais complexos como flexão e hiperextensão formando o clássico “golpe de chicote” por vezes com mecanismos de rotação associados formando lesões complexas cervicais. “Particular atenção deve ser dada às crianças que pela sua constituição podem desenvolver lesões graves cervicais, por vezes sem tradução radiológica”, salientou o ortopedista.

Para proteger a coluna durante as viagens de carro os especialistas recomendam que condutores e passageiros:

se sentem de forma correta mantendo a coluna totalmente apoiada no banco, com o apoio da cabeça colocado a altura correta;

usar sempre o cinto de segurança;

fazer pausas frequentes, por exemplo a cada duas horas.

As recomendações especificamente o condutor incluem:

não ingir bebidas alcoólicas;

não utilizar o telemóvel enquanto conduz;

não exceder a velocidade permitida;

manter a distância de segurança:

não conduzir em situações de fadiga (se dormiu pouco por exemplo) ou se está a tomar medicamentos que podem causar sonolência.

“As lesões na coluna também podem ser provocadas por quedas, atividades desportivas e mergulhos em águas rasas e atos de violência. As lesões na coluna representam mais de 50 por cento das causas de incapacidade física em idade laboral e são uma das principais causas de ausência no trabalho, em todo o mundo”, concluiu Tavares de Matos.

A SPPCV foi fundada em 2003 com o objetivo de promoção, estudo, investigação e divulgação das questões inerentes à problemática da prevenção, diagnóstico e tratamento das patologias da coluna vertebral.

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