
As comemorações do 25 de Abril, também têm este ano de 2026, uma expressão em Andorra onde o historiador português da diáspora, Daniel Bastos, irá proferir uma conferência subordinada ao tema “Memórias da Ditadura: Sociedade, Emigração e Resistência”.
No país situado nos Pirenéus, entre Espanha e França, e onde os portugueses constituem a segunda maior comunidade estrangeira residente, a iniciativa, que integra o ciclo de comemorações do 25 de Abril, assume um particular significado, sendo promovida pelo Consulado-Geral de Portugal em Andorra e pelo Grupo Casa de Portugal, – uma das mais dinâmicas e ativas associações do Principado – e conta com o apoio do Instituto Camões e da Comú d’Andorra la Vella.
A conferência, que tem por base as memórias ilustradas do antigo oposicionista, militar, emigrante e exilado político Fernando Mariano Cardeira, de que obra historiográfica concebida por Daniel Bastos dá expressão, e que teve o apoio institucional da Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, aborda o quotidiano marcado pela pobreza e pela miséria, a efervescência do movimento estudantil português, o embarque de tropas para o Ultramar e os percursos da emigração “a salto”, estratégia seguida por milhares de portugueses na procura de melhores condições de vida e como forma de escapar à Guerra Colonial, nas décadas de 1960 e 1970.
Do programa da iniciativa consta que às 17h00, na sala de atos do Centro Cultural La Llacuna, o historiador Daniel Bastos apresentará à comunidade andorrana, onde residem cerca de 10 mil portugueses, a sua mais recente obra “Monumentos ao Emigrante – Uma Homenagem à História da Emigração Portuguesa.”
O livro, concebido em parceria com o fotógrafo Luís Carvalhido e realizado com o apoio institucional da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, resulta de um levantamento exaustivo dos monumentos de homenagem ao emigrante existentes em todos os distritos de Portugal continental e nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, constituindo um verdadeiro itinerário pela memória da emigração portuguesa.
Assim como as obras Dias de Liberdade em Portugal e Terras de Monte Longo, também desenvolvidas nos últimos anos no âmbito da história contemporânea de Portugal, e que o autor concebeu em colaboração com consagrados fotógrafos. Respetivamente, Gérald Bloncourt, observador privilegiado da explosão de liberdade que marcou o país após a Revolução dos Cravos, e José de Andrade, que registou, em meios rurais entre o Minho e Trás-os-Montes, as vivências do interior profundo na transição da ditadura para a democracia.
O historiador Daniel Bastos que é autor de várias obras dedicadas às memórias da ditadura, à construção da democracia e à história da emigração portuguesa, tem vindo a desenvolver um percurso de investigação e intervenção cívica profundamente enraizado na diáspora, mantendo um contacto regular com as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, através de conferências, apresentações públicas e colaboração na imprensa internacional de língua portuguesa.













