Atletas olímpicos dos EUA infetados com vírus do Nilo nos jogos de 2016

Atletas dos Estados Unidos da América que participaram nos jogos olímpicos de 2016, no Brasil, foram infetados como vírus do Nilo Ocidental, vírus da dengue e Chikungunya. Investigação não indicou ter havido infeções com vírus Zika.

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Colheita de sangue de atletas e funcionários olímpicos e paraolímpicos dos EUA antes e depois dos Jogos do Rio, em 2016, e testadas para Zika, vírus do Nilo Ocidental e outras doenças infeciosas tropicais.
Colheita de sangue de atletas e funcionários olímpicos e paraolímpicos dos EUA antes e depois dos Jogos do Rio, em 2016, e testadas para Zika, vírus do Nilo Ocidental e outras doenças infeciosas tropicais. Foto: Charlie Ehlert, University of Utah Health

Os atletas olímpicos e paraolímpicos dos EUA e os funcionários que viajaram para o Rio de Janeiro, no Brasil, para os Jogos de Verão de 2016 não foram infetados com o vírus Zika, mas os testes deram positivos para outras infeções virais tropicais, transmitidas por mosquitos, incluindo o vírus do Nilo Ocidental, a vírus da dengue e Chikungunya. Os resultados do estudo liderado pela Universidade de Utah foram agora divulgados na conferência IDWeek, uma conferência nacional de doenças infeciosas, realizada em San Diego.

Os investigadores indicaram que nenhum dos atletas e funcionários que viajou para o Brasil e que foi infetado ficou gravemente doente. Mas o que o estudo mostra é que no meio de um ambiente de máxima preocupação sobre o Zika, todos os que se deslocaram ao Brasil também eram suscetíveis a outros riscos de saúde pública, e estes riscos não tiveram o mesmo nível de escrutínio.

Krow Ampofo, especialista em doenças infeciosas, da Universidade de Utah Saúde, indicou que “todos estavam concentrados no Zika e ignoram que poderia haver outras infeções causadas por picadas de mosquito”, e acrescentou: “Nós não esperávamos encontrar tantas pessoas com essas outras infeções”, pelo que “estar atento e monitorar doenças infeciosas após viagens para áreas em risco é muito importante.”

Outros estudos já tinham indicado que não houve relatados de casos de Zika durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Mas a investigação da Universidade de Utah Saúde é a primeira que examinou um grande coorte de vírus que causam outras doenças infeciosas tropicais.

Dos 457 atletas e funcionários que forneceram amostras de sangue após terem regressado do Brasil, os testes descobriram que 32, ou seja, 7%, tinham ficado infetados com vírus transmitidos por mosquitos, destes, 27 tinham vírus do Nilo Ocidental, três tinham Chikungunya e dois tinham Dengue. Nenhum tinha qualquer sinal de vírus Zika.

Doze dos indivíduos que apresentaram resultados positivos foram seguidos e apenas três – dois com Chikungunya e um com o vírus do Nilo Ocidental – relataram sintomas que incluíam dores corporais e erupções cutâneas. Os sintomas surgiram no espaço de duas semanas após a viagem e foram resolvidos pouco tempo depois.

Carrie Byington, investigador principal que deu inicio ao estudo na Universidade de Utah Saúde, atualmente no Texas A & M Health Science Center, referiu: “Ficamos emocionados por não haver casos de Zika”, e isto é “uma das razões pelas quais pensamos que o diagnóstico após uma viagem é realmente importante dado que há várias coisas que podem causar sintomas semelhantes e é importante saber qual a origem.”

Em geral, a maioria das pessoas infetadas, analisadas no estudo, com o Vírus do Nilo Ocidental, Chikangunya ou Dengue, não apresentaram sintomas ou, quando doentes, apresentaram sintomas leves. No entanto, em casos raros, essas infeções podem ser severamente incapacitantes ou letais.

No momento em que o estudo começou, os organizadores estavam particularmente preocupados com Zika, que também pode propagar-se através da transmissão sexual e causar defeitos debilitantes em bebês à nascença.

Os Jogos olímpicos e paraolímpicos do verão de 2016 foram realizados não muito tempo após o pico da epidemia de Zika. O estudo da Universidade de Utah Saúde foi lançado como resposta rápida para monitorar a saúde dos atletas e funcionários dos Estados Unidos que viajaram para o Brasil, que era o epicentro do surto. Dos 2.000 viajantes estimados, 950 foram registados no estudo, e pouco menos de metade apresentaram amostras para testes após o regresso aos Estados Unidos. Os participantes que apresentaram resultados positivos receberam cartas explicando os seus resultados e recomendando que consultassem seu médico.

Marc Couturier, médico, diretor da ARUP Laboratories, que liderou os testes, referiu: “Todos nós usamos os nossos óculos de sol ‘Hollywood’ que nos cegam para outras possibilidades”, e acrescentou: “Não podemos esquecer que o vírus do West Nile existe há um tempo e ainda anda por aqui”.

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