Borras de Café podem ser transformadas em combustível sólido de alta qualidade em segundos

Borras de Café podem ser transformadas em combustível sólido de alta qualidade em segundos
Borras de Café podem ser transformadas em combustível sólido de alta qualidade em segundos. Foto: Rosa Pinto

O consumo global de café gera, por ano, mais de 10 milhões de toneladas de borra de café. A maior parte das borras de café vai para aterros sanitários ou é incinerada, o que leva à libertação de gases de efeito estufa e à poluição do meio ambiente.

A borra de café possui um potencial energético real, mas seu alto teor de humidade tem sido um obstáculo a essa utilização como fonte de energia. A conversão em combustível requer em geral uma pré-secagem que consome energia, o que torna o uso da borra de café em larga escala economicamente inviável como combustível.

Tecnologia de pirólise por plasma de chama

Em face do desafio, uma equipa do Instituto Coreano de Geociências e Recursos Minerais desenvolveu um sistema de Pirólise por Plasma de Chama (FPP, na sigla em inglês), um processo que trata diretamente a biomassa com aproximadamente 55% de umidade sob condições de plasma à pressão atmosférica.

O sistema gera chamas de plasma a temperaturas de aproximadamente entre 800 a 900 °C por meio da combustão de gás liquefeito de petróleo (GLP) e ar comprimido. Ao contrário das tecnologias de pirólise convencionais, o processo elimina a necessidade de qualquer tratamento de pré-secagem, descreveu o Conselho Nacional de Investigação em Ciência e Tecnologia, da Coreia.

Durante o processamento, a energia térmica intensa vaporiza rapidamente a humidade retida dentro das partículas de biomassa. O aumento de pressão resultante desencadeia explosões microscópicas conhecidas como “efeito pipoca”, que simultaneamente intensificam a carbonização e criam estruturas altamente porosas. Assim, neste caso, a umidade, em vez de atuar como uma barreira, torna-se um agente de ativação por vapor que acelera as reações e melhora a qualidade do produto.

Combustível equivalente ao da antracite

Em condições otimizadas, a equipa de investigadores conseguiu a conversão completa em 90 segundos, com uma redução de massa de 83,3%.

O biochar resultante apresentou um poder calorífico de 29,0 MJ/kg, aproximadamente 33% superior ao da borra de café original, de 21,8 MJ/kg e comparável ao do carvão antracite.

As melhorias de desempenho do biochar incluíram:

  • Aumento de quase três vezes no teor de carbono fixo, de 15,6% para 46,2%
  • Remoção completa dos compostos de enxofre, prevenindo as emissões de óxidos de enxofre (SOx) durante a combustão.
  • A área superficial específica aumentou de 1,5 para 115,4 m²/g, indicando potencial para uso como precursor de carvão ativado ou material de adsorção.
  • Formação mínima de poluentes secundários, como fumo e alcatrão.

Estas características tornam o biochar adequado, não apenas como combustível sólido renovável, mas também como um material de carbono de alto valor para aplicações ambientais e industriais.

Processo ultra rápido face às tecnologias existentes

Os investigadores concluíram que o novo processo de Pirólise por Plasma de Chama oferece vantagens substanciais tanto em velocidade de processamento como em eficiência energética.

Em comparação com a carbonização hidrotérmica (HTC), que normalmente requer de uma a seis horas, o processo Pirólise por Plasma de Chama é de 40 a 240 vezes mais rápido. Um processo que também reduz o tempo de tratamento em mais de 20 vezes, em comparação com a torrefação, que geralmente requer pelo menos 30 minutos.

Como o sistema utiliza plasma gerado por combustão em vez de dispositivos de plasma que consomem muita eletricidade, ele reduz o consumo geral de energia, mantendo um alto desempenho de processamento.

O estudo já publicado no Chemical Engineering Journal mostra que a capacidade de processar diretamente matérias-primas húmidas sem secagem prévia representa uma das vantagens econômicas e ambientais mais significativas da tecnologia.

Conversão de resíduos em energia

Além dos resíduos de café, a tecnologia mostra ter potencial para ser aplicada a uma ampla gama de resíduos orgânicos com alto teor de humidade, incluindo restos de comida, resíduos orgânicos domésticos e resíduos agrícolas.

A tecnologia apresenta um novo paradigma no qual o lixo deixa de ser visto como um problema para resolver, mas um valioso recurso energético“, disse o Taejun Park, autor principal do estudo. “Planeamos expandir a tecnologia para vários tipos de resíduos orgânicos com alto teor de humidade e otimizar ainda mais o processo para comercialização em escala industrial.”

O processo possui um design compacto e capacidade de tratamento ultrarrápido, isto torna o sistema particularmente atraente para instalações descentralizadas de conversão de resíduos em energia no local, onde os custos de transporte e secagem limitam muitas vezes os esforços de recuperação de recursos.