Cancro da mama: Novo paradigma

O cancro da mama metastático não tem cura, mas é necessário garantir a máxima qualidade de vida dos doentes: Rui Dinis, médico oncologista, indica, neste seu artigo, que o novo paradigma é minimizar a toxicidade dos tratamentos.

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Rui Dinis, médico, diretor do Serviço de Oncologia do Hospital do Espírito Santo de Évora
Rui Dinis, médico, diretor do Serviço de Oncologia do Hospital do Espírito Santo de Évora. Foto: DR

O cancro da mama é a neoplasia mais frequente no sexo feminino. Constituem fatores de risco para o desenvolvimento de cancro da mama o sexo, a idade, a história familiar, a história reprodutiva (como a menarca precoce, a menopausa tardia e a nuliparidade) e síndromes hereditários como as mutações dos genes BRCA1 e BRCA2.

A implementação de programas de rastreio trouxe uma redução na mortalidade de cerca de 40%, ao permitir um diagnóstico em fases mais precoces da doença.

Infelizmente, mesmo quando diagnosticado em estádio inicial, estima-se que até 30 por cento das mulheres com cancro da mama irão evoluir, alguns meses ou mesmo vários anos depois, para a doença metastática, que ocorre quando o tumor, a partir do tecido de origem, é capaz de colonizar outros órgãos como por exemplo o osso, o fígado, o pulmão ou o cérebro. Como existem muitas células tumorais na doente e provavelmente com caraterísticas muito diferentes umas das outras, torna-se muito difícil encontrar um tratamento que elimine todas as células. Por isso, o cancro da mama metastático não tem cura.

No entanto, cada doente com cancro da mama metastático/avançado é única e, consequentemente, a história natural da doença pode variar de meses a (cada vez mais) anos de vida.

Os principais fatores de risco associados ao cancro metastático são o tamanho do tumor à data do diagnóstico, a existência ou não de invasão nos gânglios linfáticos mais próximos, o grau de diferenciação do tumor, a existência de um elevado índice proliferativo nas células do cancro da mama e a ausência de recetores hormonais.

Apesar da doença não ter cura, tem existido uma grande evolução no sentido de aumentar a eficácia dos tratamentos, estendendo a sobrevivência a ponto de tornar a doença crónica, o que requer da parte dos clínicos a maior atenção aos efeitos secundários de cada tratamento, no intuito de aliar a qualidade de vida e o alívio dos sintomas ao tempo de vida.

A classificação molecular dos tumores é feita de acordo com a expressão de recetores hormonais e de HER2 em quatro grupos principais, o que lhes confere valor prognóstico e preditivo de resposta aos tratamentos de quimioterapia, hormonoterapia e terapia dirigida a alvos concretos como o Her2, as ciclinas e o mTOR.

Um dos grandes desafios futuros será encontrar cada vez mais alvos terapêuticos e bloquear os mecanismos de resistência às terapêuticas, permitindo uma esperança de vida cada vez maior. O novo paradigma será portanto minimizar a toxicidade infligida pelos tratamentos, de modo a garantir a máxima qualidade de vida das mulheres e a sua integração plena nas famílias e na sociedade.

Um alerta a assinalar o Dia Nacional do Cancro da Mama, a 30 de outubro.

Autor: Rui Dinis, médico, diretor do Serviço de Oncologia do Hospital do Espírito Santo de Évora

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