Centralizar serviços de maternidade reduz mortalidade infantil indica estudo na Noruega

Centralizar serviços de maternidade reduz a mortalidade infantil indica estudo na Noruega
Centralizar serviços de maternidade reduz a mortalidade infantil indica estudo na Noruega

Investigadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia investigaram o efeito do tamanho de uma unidade de maternidade hospitalar e do tempo de deslocação da parturiente no risco de morte de bebés durante o parto. O estudo utilizou dados de mais de um milhão de nascimentos na Noruega ao longo de 17 anos.

Algumas mulheres grávidas precisam de percorrer uma curta distância até a maternidade mais próxima, mas outras têm de percorrer distâncias mais significativas, que no caso da Noruega têm de que atravessar fiordes e montanhas. É evidente que maiores distâncias podem causar grande ansiedade e incerteza, especialmente quando o parto já está em andamento.

No estudo os investigadores chegaram a várias conclusões:

Os tempos mais longos de deslocação aumentam significativamente o risco de parto a caminho da unidade de maternidade hospitalar, mas não foram verificados indícios que mostrassem que tempos de deslocação mais longos aumentem o risco de morte.

Verifica-se uma clara correlação entre a dimensão da unidade da maternidade e a mortalidade. Quanto mais partos se registam numa maternidade regista, menos frequentes são os casos de morte.

Nas maternidades de menor dimensão realizam-se mais partos por cesariana.

Verifica-se um risco 55% maior de uma criança morrer pouco antes ou logo após o nascimento no caso de a mãe prever ou o parto ocorrer numa unidade de maternidade com uma dimensão por ano até 500 partos, em comparação com uma unidade de maternidade com pelo menos 2.000 partos por ano.

O risco do parto ocorrer a caminho da unidade de maternidade hospitalar duplica a cada aumento de 30 minutos no tempo de deslocação.

Maternidades com menos de um nascimento por semana

Pode haver outros bons argumentos para manter um serviço de maternidade altamente descentralizado, mas a menor mortalidade associada a tempos de deslocação mais curtos não parece ser um deles. Os nossos resultados apoiam a decisão da Noruega, nas últimas décadas, de centralizar os hospitais para reduzir a mortalidade relacionada ao parto“, disse Fredrik Carlsen, investigador responsável pelo estudo.

O número de crianças que nascem na Noruega tem vindo a diminuir bem como a população rural. Consequentemente, a base populacional necessária para manter uma unidade de maternidade aberta está a diminuir. Só de 1967 a 2016, o número de maternidades na Noruega foi reduzido de 182 para 48. Atualmente, a Noruega conta com apenas 43 serviços de maternidade.

As unidades de maternidade são obrigadas a manter a sua competência profissional, e não há limite mínimo para o número de partos necessários para manter um serviço de maternidade aberto. No entanto, de acordo com o Registo Médico de Nascimentos da Noruega, as maternidades menores registam menos de um parto por semana.

As maternidades menores são basicamente para partos de baixo risco. Ao mesmo tempo, o nosso estudo mostra que há uma maior propensão a realizar cesarianas em hospitais pequenos. Isso pode sugerir que os obstetras em hospitais maiores têm mais treino no uso de técnicas menos invasivas, como fórceps e vácuo-extrator“, disse Andreas Asheim, investigador do Departamento de Medicina Clínica e Molecular da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.

Mapa de maternidades é uma decisão política

Quando o trabalho de parto começa, as parturientes, na Noruega, geralmente sabem para que unidade de maternidade se devem dirigir para o parto. De acordo com as diretrizes nacionais na noruega, as gestantes recebem acompanhamento por profissionais de saúde para que partos potencialmente de risco possam ser identificados com antecedência.

Partos que se acredita representarem um risco adicional para a mãe ou para o bebé são encaminhados para um dos grandes hospitais. As mulheres darão à luz em um hospital onde os serviços profissionais estejam melhor adaptados às necessidades tanto da mulher quanto do bebé. Um pré-requisito para garantir o acompanhamento seguro das mulheres em trabalho de parto é um sistema eficiente para identificar partos de alto risco. No entanto, não é possível identificar todos os partos de alto risco com antecedência“, afirmou Johan Håkon Bjørngaard, do Departamento de Saúde Pública e Enfermagem da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.

Os investigadores acreditam que mulheres com gestações aparentemente sem complicações e que moram perto de hospitais pequenos podem, portanto, enfrentar um serviço de maternidade menos eficiente caso apresentem complicações durante o parto.

É importante que tenhamos o conhecimento necessário para discutir a melhor forma de organizar o atendimento materno. Existe um equilíbrio delicado entre o risco de longas deslocações e a necessidade de uma maternidade com tamanho adequado. Essa é uma decisão complexa e, em última análise, política. Como investigadores, podemos apenas garantir que as consequências das escolhas feitas sejam as mais claras possíveis“, disse Johan Håkon Bjørngaard.

A qualidade da assistência materna é difícil de estudar porque as mulheres com gestações de alto risco são encaminhadas para grandes hospitais. As estatísticas, portanto, mostrarão uma maior incidência de complicações no parto em hospitais maiores, embora o tamanho do hospital não seja realmente um fator determinante para o local mais seguro para dar à luz.

Pelo mesmo motivo, podemos esperar encontrar um risco maior em viagens de longa distância, já que os partos de maior risco serão encaminhados para grandes hospitais e, portanto, terão uma distância de deslocação maior“, afirmou Johan Håkon Bjørngaard.

No estudo os investigadores levaram em consideração diversos fatores como o parto em hospitais grandes e pequenos, e compararam a condição das mulheres com a indicação tida inicialmente para uma determinada maternidade e não onde acabou por ocorrer o parto.

O estudo envolveu todos os nascimentos na Noruega, aproximadamente 1,1 milhão, entre 1999 e 2016, tendo utilizado dados de dois subgrupos: 203.464 nascimentos de mulheres que se mudaram entre as gestações e 460.776 nascimentos de mulheres que moravam em municípios vizinhos.

É importante ressaltar que é seguro dar à luz na Noruega. Há poucas mortes, mas estamos a enfrentar grandes mudanças em relação aos locais onde as pessoas escolhem morar. Se mantivermos muitas maternidades pequenas, será fundamental garantir o atendimento pré-natal para que todas as pessoas que precisarem da expertise dos grandes hospitais possam obtê-la quando precisarem“, disse Johan Håkon Bjørngaard.