
Na Cisjordânia, as operações das forças israelitas com restrições de movimento das populações palestinianas e as demolições de habitações e outras infraestruturas civis, e ainda a violência dos colonos israelitas sobre os palestinianos continuam a impulsionar cada vez mais necessidades humanitárias, relata o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.
Necessidades humanitárias que aumentam com a deslocação das pessoas, como a impossibilidade de acederem às suas habitações bem como aos meios de subsistência e aos vários serviços essenciais.
O Escritório das Nações Unidas relata que os parceiros humanitários continuam a dar conta de crescentes necessidades de proteção e apoio psicossocial entre crianças, cuidadores, mulheres e meninas. Só na segunda semana de junho, os parceiros de Proteção à Infância atenderam mais de 2.000 crianças e 740 cuidadores, e os parceiros que atuam no combate à violência baseada em género atenderam a mais de 2.400 mulheres e meninas.
Atualmente existem operacionais na Cisjordânia um total de 37 Espaços Seguros para Mulheres e Meninas. Mas os parceiros humanitários também continuam a relatar dificuldades que afetam o acesso à assistência e a prestação de serviços essenciais em diversos setores.
As restrições impostas por Israel de acesso humanitário aos palestinianos continuam a dificultar a entrega de ajuda em toda a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental. São relatados incidentes relacionados a ambientes operacionais inseguros, principalmente envolvendo operações das forças israelitas ou a presença de colonos israelitas que impedem os agentes humanitários de chegar às comunidades com segurança ou de realizar as atividades planeadas.
Outros incidentes envolvem violência de israelitas contra pessoal humanitário, bens e instalações, incluindo detenção, agressões físicas e verbais, ameaças, intimidação, assédio e danos a locais, equipamentos ou suprimentos humanitários.
As restrições à circulação na Cisjordânia dificultaram ainda mais as operações humanitárias, causando atrasos ou impedimentos de entrada, prolongando as verificações de segurança e os interrogatórios que afetaram o pessoal humanitário. Em conjunto, esses incidentes limitaram a capacidade das organizações humanitárias de prestar assistência, ao mesmo tempo que aumentaram os custos operacionais e reduziram a eficiência das operações.
Mas as restrições são ainda agravadas pelos ataques contínuos aos serviços de saúde. Entre 7 de outubro de 2023 e 31 de maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) documentou 987 ataques a serviços de saúde na Cisjordânia, de que resultaram 39 mortes e 201 feridos, além da destruição de 673 ambulâncias.
Também, desde o início de 2026, a OMS registou 49 ataques israelitas, incluindo três em maio, que resultaram em uma morte e 23 feridos, além de afetar 33 ambulâncias e quatro unidades de saúde.
Entre os diversos incidentes de violência estão:
■ No 9 de junho, três dos funcionários humanitários foram submetidos a pedras atiradas por um grupo de colonos israelitas. Um dos trabalhadores humanitários ficou ferido enquanto a equipa fugia do local, sofrendo ferimentos na perna e no rosto.
■ Entre 9 e 15 de junho, mais de 20 palestinianos foram feridos por forças israelitas ou por colonos. Metade dos ferimentos ocorreu durante ataques de colonos, enquanto a outra metade foi relatada durante operações de procura e outros ataques das forças israelitas. Não houve relatos de israelitas feridos.
■ No mesmo período as autoridades israelitas demoliram 30 estruturas de propriedade palestiniana por falta de alvarás de construção emitidos por Israel, que por sua vez não os emite, incluindo 22 na Área C e oito em Jerusalém Oriental. As estruturas demolidas incluíam 11 casas, seis estavam habitadas, e 19 estruturas relacionadas com meios de subsistência, água e saneamento, entre outras. As demolições desalojaram 10 famílias, totalizando 30 pessoas, incluindo nove crianças, e afetaram outras 142 pessoas, incluindo 67 crianças.
■ Desse total, três famílias de refugiados, totalizando 10 pessoas, incluindo três crianças e um homem com deficiência, foram desalojadas após as autoridades israelenses demolirem sua casa na comunidade beduína de Bir Nabala Sul, na província de Jerusalém. Uma das famílias desalojadas já havia sido deslocada de Frush Beit Dajan, na província de Nablus, após ataques de colonos em outubro de 2025. A demolição terá sido realizada enquanto os procedimentos legais estavam em andamento e sem aviso prévio.
■ No mesmo período, de 9 e 15 de junho, o Escritório das Nações Unidas documentou pelo menos 30 ataques de colonos, que resultaram em vítimas, danos materiais ou ambos. Números que elevam o número total de incidentes desde o início de 2026 para mais de 1.020 em mais de 230 comunidades, uma média de seis incidentes por dia.
O Escritório das Nações Unidas dá conta de uma permanente e grave insegurança por parte dos palestinianos e cuja sobrevida é cada vez mais difícil.














