Dia mundial da deglutição, um alerta para a disfagia

Engasgamento persistente e outras alterações na deglutição devem ter uma análise médica, dadas as consequências para a saúde. A disfagia, uma das perturbações na deglutição, atinge 60% dos idosos que sofrem de doenças degenerativas.

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Dia mundial da deglutição, um alerta para a disfagia
Dia mundial da deglutição, um alerta para a disfagia. Foto: © DR

No dia mundial da deglutição, 12 de dezembro, é de lembrar que a disfagia, uma das principais perturbações na deglutição, afeta 60% nos idosos que sofrem de doenças degenerativas, e mais de 50% dos que têm sequelas decorrentes de AVC.

Engasgamento persistente, alterações na voz e tosse durante e após as refeições são alguns sinais de alarme, que podem indicar perturbações na deglutição.

“A pessoa com disfagia pode apresentar dificuldade em mastigar, em preparar e manter o alimento dentro da boca, de engolir, ou apresentar dor a engolir (odinofagia)”, referiu Inês Tello Rodrigues, terapeuta da fala, citada em comunicado.

Existem vários tipos de disfagia consoante o local onde ocorre a dificuldade em engolir, e seja qual for o tipo, é sempre exigida a intervenção médica, de terapeuta da fala e de nutricionista, para avaliar corretamente as alterações na deglutição.

Para Inês Tello Rodrigues, especialista do NeuroSer, um centro dedicado às doenças neurológicas, “o terapeuta da fala pode efetuar uma avaliação da deglutição orofaríngea para identificar quais as alterações e as dificuldades existentes”.

Uma equipa médica multidisciplinar, incluindo equipa de enfermagem, deve avaliar se é “segura a alimentação por via oral (pela boca) ou se há necessidade de uma via alternativa de alimentação, como por exemplo, uma sonda nasogástrica”.

Podem ser “igualmente recomendadas estratégias específicas para mudar a consistência e a quantidade dos alimentos ingeridos, alterar a postura da pessoa durante e após as refeições e efetuar um plano de exercícios especificamente indicados para garantir uma deglutição segura e eficaz”, acrescentou a especialista.

A disfagia pode ocorrer em qualquer idade, desde o bebé prematuro ao idoso, mas Inês Tello Rodrigues esclareceu que “é mais comum na população envelhecida ou em pessoas com condições neurológicas, como AVC, Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson”.

A disfagia pode ter consequências graves, nomeadamente ao nível pulmonar e nutricional, podendo levar à desnutrição, desidratação e a pneumonias de aspiração, ou seja, à entrada acidental de um alimento para os pulmões.

Além das consequências diretas na saúde a disfagia tem, também, impacto social, comprometendo o prazer associado à refeição e, por isso, diminuindo a qualidade de vida. “Para além das referidas complicações, a disfagia repercute-se no aumento da mortalidade e no aumento dos custos globais de saúde”, indica a terapeuta da fala.

A especialista chama a atenção para alguns dos sinais de alerta de uma alteração da deglutição, como sejam: a voz alterada ou rouca após a alimentação; a sensação de alimento preso na garganta, o engasgamento frequente ou falta de ar durante a alimentação, a tosse frequente durante e após as refeições, a perda de peso acentuada num curto período de tempo, e o caso de infeções respiratórias recorrentes.

Perante uma situação de engasgamento por obstrução total ou parcial das vias aéreas não é aconselhável beber água, e deverá continuar a tossir. Uma das ações a exercer é a designada ‘Manobra de Heimlich’, que consiste em provocar uma elevação do diafragma e aumentar a pressão nas vias aéreas, forçando a saída do corpo estranho. Uma manobra que tem salvo com frequência a vida de pessoas que se engasgam.

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