Diagnóstico de fígado gordo melhora com a ressonância magnética

Diagnóstico de fígado gordo pode melhorar, na maioria dos casos, com recurso a ressonância magnética indolor, em substituição de recolha de amostras do tecido do fígado. Conclui investigação da Universidade Linköping, na Suécia.

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Investigação em ressonância magnética
Investigação em ressonância magnética. Foto: © Thor Balkhed

O excesso em energia dos alimentos e das bebidas pode ser armazenado em células de gordura, ou como gordura no fígado. A condição de fígado gordo tem sido associada com o consumo de álcool não saudável.

Há, no entanto, uma estreita correlação também entre o excesso de peso e fígado gordo, e esta condição é, neste caso, conhecida como ‘doença hepática gordurosa não alcoólica’.

Cerca de 25% dos adultos, na Suécia, têm ‘doença hepática gordurosa não alcoólica’, mas muitos não sabem que se encontram nessa condição. O diagnóstico é muitas vezes descoberto quando as pessoas visitam um médico sobre outra situação de saúde, e lhes são recolhidas amostras de sangue que sugerem que o fígado está afetado.

A maioria das pessoas que têm fígado gordo não irá ter uma função hepática comprometida, mas em alguns casos, contudo, podem surgir formas de tecido cicatricial e cirrose hepática. Neste caso trata-se de uma condição médica séria, com possíveis complicações graves.

O método standard usado para diagnosticar o fígado gorduroso é através de uma recolha de tecido, ou biópsia, do fígado. O médico examina a amostra de fígado num microscópio e avalia a quantidade de gordura presente.

Uma biópsia pode envolver algum desconforto para o paciente, e há um pequeno risco de hemorragia profusa, então os investigadores desenvolveram estudos sobre técnicas não invasivas que não exijam recolha de tecido do fígado.

Os investigadores procederam ao estudo do fígado por espectroscopia de ressonância magnética e verificaram a precisão da informação, no caso do fígado gordo, com o método de biópsia convencional.

O estudo envolveu 94 pessoas que estavam já a ser observadas por apresentarem níveis elevados de enzimas hepáticas no sangue. A tecnologia da ressonância magnética pode medir a percentagem do peso do fígado, que consiste na gordura, mesmo quando esta percentagem é muito baixa. Atualmente, um nível de 5% de gordura no fígado é considerado o limite para o diagnóstico de fígado gordo pela espectroscopia de ressonância magnética.

Stergios Kechagias, professor de medicina interna no Departamento de Ciências Médicas e Saúde e consultor do Departamento de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital Universitário Linköping, referiu que “algumas pessoas com um nível de gordura no fígado inferior a 5% sofrem dano hepático”.

Os investigadores submeteram os participantes no estudo a exame por espectroscopia de ressonância magnética e verificaram que todos os “que tinham pelo menos de 3% de gordura no fígado” apresentaram resultado de fígado gorduroso na observação feita ao microscópio do tecido recolhido por biópsia.

Para Stergios Kechagias mesmo que se reduza a para o valor de 3% a gordura detetada por espectroscopia de ressonância, o diagnóstico não tem 100% de precisão, “mas vamos encontrar significativamente mais pessoas que têm fígado gordo. Estes receberão uma explicação para seus elevados níveis enzimáticos do fígado”.

Fígado gordo aumenta o risco de diabetes tipo 2 e de doenças cardiovasculares. Mas a ‘boa notícia’ é que a quantidade de gordura no fígado pode ser reduzida por mudanças de estilo de vida, e isso reduz significativamente o risco de doença. Com a espectroscopia de ressonância magnética podem ser acompanhadas as pequenas alterações de gordura no fígado e como ele como está a mudar com o tempo, sem necessidade de recolher amostras de tecido do fígado.

Peter Lundberg, do Departamento de Ciências Médicas e da Saúde em associação com o Centro de Ciência da Imagem Médica e Visualização, líder do estudo em conjunto com Stergios Kechagias, referiu que “este é um bom exemplo de investigação em física médica avançada que está muito próxima da aplicação clínica”, e cujo estudo já foi publicado na revista científica ‘Gastroenterology’.

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