Doenças valvulares cardíacas continuam desconhecidas da população

Estenose aórtica e insuficiência mitral são as principais doenças valvulares cardíacas que afetam dezenas de milhares de portugueses. A APIC lança iniciativa de esclarecimento na Semana Europeia de Consciencialização para a Doença Valvular Cardíaca a começar a 16 de setembro.

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Doenças valvulares cardíacas continuam desconhecidas da população
Doenças valvulares cardíacas continuam desconhecidas da população. Foto: © Rosa Pinto

A estenose aórtica é uma das principais doenças valvulares cardíacas. Uma doença que afeta cerca de 32 mil portugueses, sobretudo acima dos 70 anos, limitando as suas capacidades e qualidade de vida. Se não for detetada atempadamente, esta doença pode ter um desfecho fatal.

A aorta é a principal artéria do nosso corpo que transporta sangue para fora do coração. Quando o sangue sai do coração flui da válvula aórtica para a artéria aorta. A válvula aórtica tem como função evitar que o sangue bombeado pelo coração volte para trás. Na presença de estenose, a válvula aórtica não abre completamente, vai ficando cada vez mais estreita e isso impede o fluxo sanguíneo para fora do coração. Se não for detetada atempadamente esta doença pode ter um desfecho letal.

A insuficiência mitral é a segunda doença valvular mais comum, em todo o mundo, indica a Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) e que se antecipa que a prevalência desta doença aumente nos próximos anos, com o envelhecimento da população. É mais comum em homens e aumenta com a idade. Carateriza-se por um refluxo de sangue pela válvula mitral. À medida que o ventrículo esquerdo bombeia o sangue para a aorta, um pouco de sangue retorna para trás em direção à aurícula esquerda, aumentando o volume de sangue e pressão nesse local. Este aumento da pressão arterial na aurícula esquerda aumenta a pressão do sangue nas veias dos pulmões. Será bombeado menos sangue para a circulação e os pulmões ficam como que encharcados em sangue e isto gera a falta de ar e o cansaço.

A APIC indica que dados europeus apontam para que apenas 3,8 por cento das pessoas sabem o que é a doença, e neste sentido, Rui Campante Teles, Coordenador da campanha “Corações de Amanhã”, referiu: “Acreditamos que ao aumentar a consciencialização sobre as doenças valvulares cardíacas estaremos a garantir que os doentes estão mais informados e capacitados para identificar sintomas (cansaço, dor no peito e desmaios) e recorrer ao profissional de saúde (médico de família ou cardiologista), o que irá permitir o diagnóstico e tratamento atempado”.

A APIC vai assinalar, em Portugal, a Semana Europeia de Consciencialização para a Doença Valvular Cardíaca, de 16 a 22 de setembro de 2019. Uma iniciativa que se integra na campanha “Corações de Amanhã” que conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República.

Assim, é promovida uma exposição temática sobre esta doença, dirigida a todas as pessoas, nos átrios dos hospitais portugueses. A exposição tem início marcado no Hospital de Santa Marta – Centro Hospitalar de Lisboa Central, no dia 16 de setembro e no Hospital de Santa Cruz – Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, no dia 19 de setembro, e irá passar pelos hospitais até ao final do ano.

“Esta iniciativa enquadra-se também nos objetivos institucionais da APIC que pretende estar cada vez mais próxima da comunidade, numa perspetiva de consciencialização para a prevenção e diagnóstico precoce das doenças cardíacas. Desta forma, vai poder, também, assegurar que os doentes estão a beneficiar de todas as formas de tratamento modernas e inovadoras disponíveis no SNS português, independentemente da sua condição social ou do local onde habitem” referiu João Brum Silveira, presidente da APIC.

A estenose aórtica e a insuficiência mitral são as principais doenças valvulares cardíacas, pelo que a campanha “Corações de Amanhã” pretende aumentar o conhecimento e compreensão sobre a doença valvular cardíaca, promovendo o seu diagnóstico e tratamento atempado.

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