Doentes com estenose grave necessitam de tratamento percutâneo da válvula aórtica

Em Portugal 25 mil doentes com estenose aórtica grave necessitam de tratamento percutâneo da válvula aórtica. Estudo agora divulgado concluiu que o tratamento percutâneo válvula aórtica percutânea é substancialmente mais seguro que a substituição da válvula aórtica cirúrgica.

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João Brum Silveira, presidente da APIC
João Brum Silveira, presidente da APIC. Foto: DR

A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) divulgou que, de acordo com os estudos de válvula aórtica percutânea apresentados na 68ª Sessão Científica Anual do Colégio Americano de Cardiologia, em março de 2019, todos os doentes com estenose aórtica grave e sintomática podem ser tratados com recurso aos procedimentos minimamente invasivos. Em Portugal a APIC estimou que existam cerca de 25.000 portugueses com indicação para este tratamento.

“Depois de, há uma década, ter sido lançado o tratamento da estenose aórtica por cateter para os doentes mais graves, o desenvolvimento médico e tecnológico sustentado permite, agora, alastrar a técnica a todos os doentes, especialmente aos de menor risco. Até ao momento, o uso das válvulas aórticas percutâneas tem sido restrito a doentes com estenose aórtica grave com risco cirúrgico aumentado, usualmente com mais de 80 anos, o que corresponde a cerca de 5000 portugueses”, explicou João Brum Silveira, presidente da APIC.

Estudos em cardiologia de intervenção

O especialista acrescentou: “Os estudos agora apresentados constituem a derradeira revolução na cardiologia e um marco histórico pela melhoria vertiginosa proporcionada pelos tratamentos minimamente invasivos da cardiologia de intervenção, comprovada por evidência científica de elevada qualidade”.

A APIC lembrou que o estudo Partner 3 envolveu cerca de 900 doentes com uma idade média de 73 anos e com baixo risco cirúrgico, e obteve com resultados aos 30 dias que a válvula aórtica percutânea (VAP) é ​​substancialmente mais segura que a substituição da válvula aórtica cirúrgica (SAVR).

O estudo mostrou que após um ano ocorreu a morte, acidente vascular cerebral ou reinternamento, em 8,5%, ou seja, em 42 dos 496 do grupo da VAP, o que foi significativamente menos que os 15,1%, ou 68 dos 754 do braço da SAVR. Em concreto, os doentes do grupo VAPs tiveram menos 5 mortes, 8 acidentes vasculares cerebrais e 13 rehospitalizações em apenas um ano.

Um outro estudo, o CoreValve Evolut Baixo Risco, referiu a APIC, avaliou cerca de 1400 doentes com uma idade média de 74 anos e baixo risco para SAVR seguidos durante o dobro do tempo, neste caso 2 anos. Neste estudo, a taxa de morte ou acidente vascular cerebral incapacitante foi de 5.3% no grupo VAP e 6.7% na SAVR.

Em face das conclusões dos estudos, João Brum Silveira referiu: “Os Serviços de Cardiologia e de Cirurgia Cardíaca têm pela sua frente o desafio de dar resposta a esta nova era do tratamento valvular percutâneo proporcionado pela cardiologia de intervenção e toda a equipa multidisciplinar altamente treinada nesta área”.

Artéria aorta

A aorta é a principal artéria do nosso corpo que transporta sangue para fora do coração. Quando o sangue sai do coração flui da válvula aórtica para a artéria aorta. A válvula aórtica tem como função evitar que o sangue bombeado pelo coração não volte para trás. Na presença de estenose, a válvula aórtica não abre completamente, vai ficando cada vez mais estreita e isso diminui o fluxo sanguíneo do coração.

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