Entre o Céu e a Terra

Gulbenkian Música de 2 a 15 de outubro no Grande Auditório e no Panteão Nacional. No primeiro concerto, Ludovice Ensemble, O Barroco Sefardita, seguindo-se Magdalena Kožená, Entre o Céu e o Inferno e no final Sinfonia n.º 3 de Górecki, Orquestra Gulbenkian.

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Magdalena Kozená
Magdalena Kozená. Foto: © CEMA – Oleg Rostovtsev

Desde sempre se atribuiu à música uma capacidade inigualável de chegar aos sítios que estão para além do entendimento, e é evidente a partilha de um certo estado de transcendência com as questões da espiritualidade. De cada vez que a palavra parece insuficiente, a música emerge e assume a compensação da razão pela exacerbação máxima dos sentidos.

Intitulado “Entre o Céu e a Terra”, o primeiro dos três núcleos temáticos da Gulbenkian Música 17/18 propõe sete concertos ao longo de duas semanas no início de outubro, criando pontes entre vários intérpretes, compositores e obras que, de alguma forma, se relacionam, exploram ou abordam essa qualidade transcendente daquilo que existe para além da razão e da palavra.

Acima de todos estará, talvez, J. S. Bach, cujo fortíssimo simbolismo parece inundar muita da sua criação. Essa mesma marca de um diálogo interior, em que o homem se confronta com o inominável e adentra por territórios desconhecidos, surge nas obrigatórias Suites para Violoncelo solo, que Antonio Meneses apresentará no Grande Auditório e que são amiúde entendidas como uma conversa entre o Homem e o Infinito.

Através de uma tão forte característica identitária, quanto a relação com as crenças e os valores, através da música alcança-se uma maior compreensão das culturas, como na proposta de Magdalena Kožená, que reúne canções barrocas e flamenco, na música síria de Waed Bouhassoun, no canto sacro argelino de Houria Aïchi, nas obras das comunidades sefarditas do período barroco, pelo Ludovice Ensemble, ou ainda no meditativo Stimmung de Stockhausen, exemplos de como a expressão musical pode, em alguns casos, substituir-se à palavra para criar uma comunicação profunda, rica e movida pela curiosidade e pelo respeito pelo outro.

Segunda, 2 de outubro, 21h, Grande Auditório

Ludovice Ensemble
O Barroco Sefardita

Após a expulsão de 1496, os judeus “da Nação Portuguesa” espalharam-se pela Europa e Próximo Oriente, organizando-se em comunidades florescentes como Amesterdão, Antuérpia e Londres, ou misturando-se com as comunidades locais, como em Veneza e no Sul de França. Em vários destes locais desenvolveram um rico património musical que combina os antigos textos litúrgicos e tradições sefarditas com as mais recentes formas e estilos musicais. No período Barroco a música impôs-se como efetiva “linguagem universal”, unindo diferentes religiões e culturas, e construindo pontes para o mútuo entendimento, ainda hoje tão necessárias.

Ludovice Ensemble
Miguel Jalôto Direção
Keren Motseri Soprano
David Feldman Contratenor
André Lacerda Tenor
Hugo Oliveira Barítono
Música das Comunidades Judaicas da Europa Barroca
Obras de Salomone Rossi, Carlo Grossi, Leonora Duarte, Louis Saladin, Abraão Casseres, Cristiano Giuseppe Lidarti e anónimos da Sinagoga Portuguesa de Amesterdão

Domingo, 8 de outubro, 20h, Grande Auditório

Magdalena Kožená
Entre o Céu e o Inferno

A prestigiada meio-soprano checa Magdalena Kožená lidera um novo projeto muito especial, no qual se encontra com o coletivo de música barroca espanhola Private Musicke e a Antonio El Pipa, Compañía de Flamenco. Uma colaboração que será certamente inolvidável: Pierre Pitzl tem por cognome “Jimi Hendrix da guitarra barroca”, El Pipa é considerado o grande herdeiro do flamenco puro e Kožená mergulhou a fundo na cultura espanhola ao preparar a Carmen de Bizet que estreou no Festival de Salzburgo em 2012, tendo aprendido a tocar castanholas e a dançar flamenco na sua preparação para o papel. Fórmula acabada para um espetáculo de profundo deslumbramento.

Magdalena Kožená Meio-Soprano

Antonio El Pipa, Compañía de Flamenco
Antonio El Pipa, Bailarino / Coreografia / Direção
Juan José Alba, Guitarra
Daniel Ramírez, Guitarra
Toñi Nogaredo, Voz
Sandra Zarzana, Voz
Estefanía Zarzana, Voz

Private Musicke
Manuel Vilas Rodríguez, Harpa
Jesús Fernandez Baena, Tiorba
Richard Myron, Viola da gamba
David Mayoral, Percussão
Pierre Pitzl, Guitarra barroca / Direção

Amor: Entre o Céu e o Inferno
Canções barrocas espanholas e flamenco

José Marín
Non piense Menguilla ya

Serqueira de Lima
Ay Leonida

Anónimo
La ausencia

José Marín
Aquella sierra nevada

Santiago de Murcia
Marionas (instr.)

Momento de Flamenco (c. 10-12 min.)

Anónimos
A quien me quejaré
Al aire

Jean-Baptiste Lully
Sé que me muero de amor

Momento de Flamenco (c. 10-12 min.)

José Marín
Qué dulçemente suena

Juan Hidalgo
Esperar, sentir, morir

Momento de Flamenco (c. 10-12 min.)

Sebastián Durón
Sosieguen, sosieguen

José Martínez de Arce
Para que son las iras

Anónimo
Tanta copia de hermosura

Segunda, 9 de outubro e terça, 10 de outubro, às 21h, Grande Auditório

Suites para Violoncelo de Bach
Antonio Meneses

As Suites para Violoncelo solo de J. S. Bach são um marco essencial na carreira de qualquer violoncelista, tornando-se inevitável que o seu percurso se defina em grande parte pela relação estabelecida com este conjunto de peças. Tem sido também o caso de Antonio Meneses, cujas interpretações das Suites têm merecido amplo aplauso da crítica especializada.

Antonio Meneses Violoncelo

Johann Sebastian Bach
Suite n.º 1, em Sol maior, BWV 1007
Suite n.º 3, em Dó maior, BWV 1009
Suite n.º 5, em Dó menor, BWV 1011

Passe Antonio Meneses – Suites de Bach (2 recitais: 9 e 10 de outubro): 30€

Quarta 11 de outubro, 21h, Panteão Nacional

Música Síria para Canto e Ud
Waed Bouhassoun

Desde que se deu a conhecer ao público, Waed Bouhassoun tornou-se numa das grandes figuras da música síria. Em 2013, para o projeto Orient Occident II: Hommage à la Syrie, Jordi Savall percebeu que tinha de contar com o talento da artista. A edição do álbum de estreia de Bouhassoun, La Voix de l’Amour, valeu-lhe a distinção Coup de Coeur, da Academia Charles Cros, em 2010. A qualidade envolvente da sua música e a sua voz admirável, que lhe tem valido comparações frequentes a Oum Kalthoum, encontrarão no Panteão Nacional um cenário perfeito para espalhar o seu encanto.

Waed Bouhassoun Ud / Voz
Música síria para canto e ud

Quinta, 12 de outubro, 21h, Panteão Nacional

Stimmung de Stockhausen
Solistas do Coro Gulbenkian

Em resposta a uma encomenda para o Collegium Vocale da Rheinische Musikschule de Colónia, Stockhausen inspirar-se-ia na sua recente viagem ao México para dar forma à obra Stimmung (1968). Ao longo de um mês, o seu interesse e consequente exploração das ruínas maias e aztecas, assim como os rituais que ali tinham lugar, levaram-no a tentar imaginar-se parte daqueles povos, assistindo às suas cerimónias. De regresso, ao instalar-se com a família em Long Island, passaria para a música a sua relação com a arquitetura dos templos – subindo em ascensão ao céu e com faces indutoras de quietude ou de mudanças bruscas.

Solistas do Coro Gulbenkian
Verónica Silva Soprano
Rosa Caldeira Soprano
Joana Esteves Contralto
Frederico Projecto Tenor
João Afonso Tenor
Pedro Casanova Baixo
Pedro Amaral Direção Artística

Karlheinz Stockhausen
Stimmung

Sexta, 13 de outurbo, 21h, Grande Auditório

Cantos Sacros da Argélia
Houria Aïchi

Após dar voz às canções berberes de Aurès, que lhe garantiram justa notoriedade, a argelina Houria Aïchi dedicou os seus últimos anos a uma precisa e exaustiva recolha de temas do reportório religioso do seu país. Através de encontros em que contava com a generosidade das gentes para construir este extraordinário inventário, Aïchi foi mapeando, da forma mais completa possível, todo o espaço geográfico e cultural argelino. A partir dessa empresa imensa, criou depois um espetáculo que dá vida ao reportório descoberto, que a cantora convoca para o presente e que espalha pelos mais diversos públicos, dentro e fora da Argélia.

Houria Aïchi Voz
Mohamed Abdennour Mandole
Ali Bensadoun Flauta
Adhil Mirghani Percussões

Cantos Sacros da Argélia

Domingo, 15 e outubro, 18h, Grande Auditório

Sinfonia n.º 3 de Górecki
Orquestra Gulbenkian

Coro e Orquestra Gulbenkian interpretam um programa marcado por duas peças encomendadas pelo Santuário de Fátima: Salve Regina, de Eurico Carrapatoso, e The Sun Danced, de James MacMillan. A estas duas novas obras sacras junta-se a Sinfonia n.º 3 de Górecki, composta como um conjunto de três lamentos inspirados pela religiosidade e pela música popular polaca. A ocasião terá também como protagonista a reputada soprano portuguesa Elisabete Matos, volvida mais de uma década sobre a sua última presença na Gulbenkian Música.

Coro Gulbenkian
Orquestra Gulbenkian
Joana Carneiro Maestrina
Elisabete Matos Soprano

Eurico Carrapatoso
Salve Regina

James MacMillan
The Sun Danced

Henryk Górecki
Sinfonia n.º 3, op. 36, “Das lamentações”

Concerto incluído na Assinatura Noite e Assinatura Tarde da Orquestra Gulbenkian

BILHETEIRA

Fundação Calouste Gulbenkian
Av. Berna 45-A. 1067-001 Lisboa | Tel. 21 782 3700

De 2ª a 6ª feira e feriados: das 10:00 às 19:00h (Exceto nos dias 25 dezembro, 1 janeiro e 1 maio)
Sábado: das 10:00 às 17:30h e das 10:00 às 19:00h nos dias dos concertos.
Domingo: das 13:00 às 19:00h nos dias dos concertos.

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