Especialistas debatem uso polémico de exames com radiação nas doenças coronárias

Cintigrafia de perfusão miocárdica, que envolve radiação, é o exame de imagem mais usado no diagnóstico de doenças cardiovasculares, mas que as sociedades científicas e a Comunidade Europeia da Energia Atómica não recomendam.

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Especialistas debatem uso polémico de exames com radiação nas doenças coronárias
Especialistas debatem uso polémico de exames com radiação nas doenças coronárias

A primeira causa de morte de homens e mulheres europeus são as doenças cardiovasculares, o que reveste de maior importância a prevenção e tratamento destas doenças. Para estudo por imagem da doença coronária continua a ser o recurso, em primeiro lugar, ao exame de cintigrafia de perfusão miocárdica.

O exame de cintigrafia de perfusão miocárdica recorre a radiação, o que é contrário às recomendações das Sociedades Científicas e da Comunidade Europeia da Energia Atómica (EURATOM), que apontam para o uso preferencial de métodos complementares sem radiação, mas em Portugal e noutros países da Europa o recurso a exames com radiações continua a ser a prática.

O uso da radiação nos meios diagnósticos ganha destaque, e é um dos temas em debate na 1ª reunião do Heart Center, do Hospital da Cruz Vermelha, uma iniciativa que irá decorrer no dia 30 de março, no Museu do Oriente, em Lisboa.

A reunião recebe especialistas nacionais e internacionais, para troca de experiências e divulgação de trabalhos clínicos e de investigação sobre o tema. Com um ênfase na ecocardiografia de sobrecarga e nas suas aplicações na prática clínica.

De entre os diversos especialistas internacionais encontra-se o Professor Eugénio Picano, especialista italiano do Instituto de Fisiologia Clínica de Pisa, Itália, autor de mais de 250 artigos originais publicados em revistas científicas e pioneiro no uso da ecografia de sobrecarga.

O especialista vai ajudar a ilustrar como o uso da ecografia de sobrecarga pode revolucionar o tratamento dos doentes, com uma significativa redução da morbilidade e mortalidade. Este exame contrasta, com os exames que recorrem ao uso de radiação que, sempre que possível e em nome do interesse do doente, podem e devem ser substituídas.

“As várias técnicas complementares de diagnóstico em cardiologia têm sofrido um avanço extraordinário”, explicou Carlos Cotrim, responsável pelo laboratório de ecocardiografia do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa e um dos responsáveis da Comissão Organizadora do evento.

“A 1ª reunião de ecocardiografia do Hospital da Cruz Vermelha, que ocorre num momento de viragem desta instituição, pretende sublinhar o papel chave que a ecocardiografia continua e certamente continuará a desempenhar na avaliação dos nossos doentes”, concluiu Carlos Cotrim.

A reunião conta com o apoio da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e o possui um programa com vários temas.

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