Especialistas em esclerose tuberosa debatem a doença em Lisboa

Doença genética rara, a esclerose tuberosa, afeta cérebro em quase 100 por cento dos casos. Especialistas internacionais reúnem em Lisboa para debater estratégias de intervenção e alertar para a necessidade de mais investigação sobre a doença.

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Especialistas em esclerose tuberosa debatem a doença em Lisboa
Especialistas em esclerose tuberosa debatem a doença em Lisboa

Associação Esclerose Tuberosa alerta que quase 100% dos doentes com esclerose tuberosa apresentam sinais da doença no cérebro, sendo as manifestações mais frequentes a epilepsia ou as convulsões, e indica que em todo o mundo é estimado que entre 75% a 90% destes doentes vão sofrer de epilepsia durante a sua vida e que grande parte dos bebés com esclerose tuberosa têm um episódio convulsivo ainda no primeiro ano de vida.

Micaela Rozenberg, presidente da Associação de Esclerose Tuberosa em Portugal (AETN), esclarece que “a esclerose tuberosa é um distúrbio genético raro mas grave, uma vez que é responsável pelo desenvolvimento de tumores benignos que comprometem a função de vários órgãos do nosso corpo, como coração, olhos, pulmões e pele. Temos ainda o caso dos tumores benignos cerebrais e renais que também são muito frequentes e graves, uma vez que colocam a vida dos doentes em risco”.

A presidente da associação revela ainda que “a esclerose tuberosa pode causar diversos tipos de lesões cerebrais como, por exemplo, massas anormais de tecido que se encontram na parte superficial do cérebro; nódulos subependimários, que são nódulos com, geralmente, menos de 1 centímetro; e astrocitomas de células gigantes, também conhecidos como tumores de células gigantes. Estes últimos desenvolvem-se em cerca de 15% dos doentes e manifestam-se nos primeiros 20 anos de vida”.

“Algumas pessoas apresentam todas as lesões, enquanto outras não apresentam envolvimento cerebral. No entanto, sabe-se que quase 100% dos doentes apresentam sinais da doença no cérebro”, conclui Micaela Rozenberg.

No caso dos tumores benignos em órgãos vitais como o coração, olhos, cérebro, rins, pulmões e pele, desenvolvidos pelo distúrbio genético – esclerose tuberosa – o seu crescimento revela um comportamento agressivo porque ameaça a função dos órgãos atingidos. Dois terços dos diagnósticos são novos casos da doença sem antecedentes familiares e um terço são casos hereditários. Quando se manifesta pode provocar epilepsia, autismo ou défice cognitivo.

Entre os dias 3 e 5 de novembro, a AETN vai realizar a Conferência Internacional de Investigação em Esclerose Tuberosa. O evento realiza-se pela primeira vez em Portugal e vai juntar especialistas mundiais na área da esclerose tuberosa e doentes de todo o mundo, na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

Durante a Conferência vão ser apresentados os resultados do esTUpt – estudo epidemiológico sobre a esclerose tuberosa em Portugal, da responsabilidade da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa.

Com esta iniciativa a AETN pretende contribuir para o desenvolvimento de estratégias, por parte das autoridades de saúde e comunidade médica, capazes de responder às necessidades destes doentes.

Apesar de ser uma doença rara para a qual ainda não se conhece cura, existem atualmente medicamentos disponíveis para o tratamento dos diferentes sintomas. As manifestações e prognóstico variam de caso para caso, em função dos órgãos envolvidos e da gravidade dos sintomas, sendo os mais comuns as alterações cutâneas e convulsões. Os tumores benignos cerebrais e renais são também frequentes e comportam risco de vida para os doentes.

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