Estenose aórtica é desconhecida pela população sénior

Estenose aórtica é uma doença grave desconhecida pela população sénior. 82% da população portuguesa com mais de 70 anos nunca ouviu falar da doença que afeta, nestas idades, mais de 30 mil. Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular promove informação.

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João Brum Silveira, presidente da APIC
João Brum Silveira, presidente da APIC. Foto: DR

A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), com o apoio europeu do Valve For Life da Associação Europeia de Cardiologia de Intervenção, promove a primeira campanha nacional de consciencialização para os sintomas da estenose aórtica, uma doença que afeta mais de 30 mil portugueses acima dos 70 anos.

João Brum Silveira, presidente da APIC, referiu, citado em comunicado, que “o primeiro estudo português sobre esta doença, realizado no final de 2017, indicou-nos que cerca de 82% das pessoas com mais de 70 anos nunca ouviu falar de estenose aórtica, a principal doença valvular, o que nos deixou francamente preocupados”, e acrescentou: “Foi por este motivo que decidimos ter um papel ativo na educação e promoção da saúde cardiovascular, ao promovermos esta campanha,”

Para a APIC a campanha com o nome ‘Corações de Amanhã’ tem como objetivo “aumentar o conhecimento e compreensão sobre estenose aórtica, promovendo o seu diagnóstico e tratamento precoce.”

Para Lino Patrício, Presidente da iniciativa Válvula para a Vida, “frequentemente os sintomas desta doença (cansaço, dor no peito e desmaios) não são valorizados pelas famílias portuguesas, são muitas vezes confundidos erradamente como próprios da velhice, o que acaba por adiar o diagnóstico e o encaminhamento para o cardiologista de intervenção”.

O especialista esclareceu que “o diagnóstico da estenose aórtica pode ser facilmente confirmado com recurso à auscultação, ecocardiografia com doppler, seguindo-se muitas vezes um cateterismo cardíaco para completar o estudo. A deteção precoce da estenose aórtica reduz as admissões hospitalares e representa tempo e qualidade de vida ganhos”.

Um estudo realizado pela empresa Spirituc, com base num inquérito por telefone a 300 pessoas com mais de 70 anos, indicou que apenas 26% dos inquiridos está preocupado com uma doença cardiovascular: com hipertensão arterial, a percentagem foi de 7%, com trombose foi de 6,3%, com enfarte do miocárdio de 5%, com cardiomiopatia de 2,7%, com doenças das válvulas do coração a manifestação foi 2%, com a insuficiência cardíaca congestiva o valor foi de 1,3% e ou outras doenças tiveram a valor de 1,7%.

Rui Campante Teles, Coordenador da iniciativa europeia Valve For Life, esclareceu: “Os resultados desse estudo, pioneiro em Portugal, motivaram-nos para o reforço em campanhas de sensibilização não só para os fatores de risco da doença cardiovascular, numa perspetiva preventiva, mas também para a valorização correta da gravidade das doenças do coração que são a segunda causa de mortalidade em Portugal.”

O médico cardiologista de intervenção concluiu: “Acreditamos que com a campanha ‘Corações de Amanhã’ vamos conseguir unir esforços, entre a comunidade médica, os doentes, cuidadores e familiares, as entidades de saúde e a sociedade civil, para a melhoria da qualidade de vida da população mais sénior”.

A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular é uma entidade sem fins lucrativos, que tem por finalidade o estudo, investigação e promoção de atividades científicas no âmbito dos aspetos médicos, cirúrgicos, tecnológicos e organizacionais da Intervenção Cardiovascular.

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