Estimulação cognitiva pode atrasar demência

Défice cognitivo ligeiro pode ser sinal de doença de Alzheimer. As causas não são totalmente conhecidas mas os riscos são os mesmos da demência. Joaquim Cerejeira coloca o foco na deteção precoce do défice cognitivo para haver estratégias de reabilitação.

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Joaquim Cerejeira, psiquiatra
Joaquim Cerejeira, psiquiatra. Foto: DR

O défice cognitivo ligeiro carateriza-se por uma perda das capacidades cognitivas superior ao que é esperado para a idade da pessoa. É geralmente considerado uma fase transitória entre o processo normal da idade e a demência. Estudos recentes demonstram que a presença desta perturbação da função cognitiva pode ocorrer nas fases iniciais da doença de Alzheimer ou de outras demências.

Atualmente estão identificados dois tipos de défice cognitivo ligeiro: o amnésico, que se carateriza sobretudo por alterações ao nível da memória (por exemplo esquecer-se de conversas recentes ou compromissos que tipicamente se lembraria); e o não-amnésico, que compromete uma ou mais das restantes capacidades cognitivas que não a memória, nomeadamente a atenção, a linguagem, as funções executivas e o processamento de informação visual e espacial.

As causas para o défice cognitivo ligeiro ainda não são totalmente conhecidas. No entanto, os fatores de risco são os mesmos que os da demência: idade, história familiar de demência, diabetes, tensão arterial alta, e colesterol elevado. A obesidade e o tabagismo também são fatores a ter em consideração.

O diagnóstico desta perturbação cognitiva deve ser feito através de uma avaliação neuropsicológica, visando a caraterização das condições cognitivas e comportamentais por recurso a um conjunto de testes e procedimentos estandardizados e empiricamente validados. O médico pode pedir também um exame de imagem ao cérebro e análises ao sangue para confirmar as suspeitas.

A deteção precoce do défice cognitivo ligeiro permite um acompanhamento mais próximo e regular para monitorizar a evolução deste declínio cognitivo, com o objetivo de desenvolver e implementar estratégias de reabilitação personalizadas que podem otimizar o funcionamento quotidiano e perlongar a independência e autonomia da pessoa.

Importa referir de que nem todos os casos défice cognitivo ligeiro evoluem para uma doença de Alzheimer ou outra demência. Além da estimulação cognitiva (exercitar a memória), a adoção de um estilo de vida saudável (alimentação equilibrada e prática de exercício físico) tem o potencial de atrasar ou prevenir o desenvolvimento desta perturbação.

Autor: Joaquim Cerejeira, psiquiatra e diretor clínico da Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra.

A Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra tem por missão contribuir para o bem-estar da população através da oferta de cuidados de saúde, de atividades de formação e de investigação, na área da Psiquiatria e saúde mental, de acordo com padrões de referência internacionais.

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