Estudo português mostra que vacina COVID-19 da Pfizer ativa resposta imunitária

Investigação do Instituto Gulbenkian de Ciência e Centro Hospitalar Lisboa Ocidental mostra que 90% de 1.200 profissionais de saúde que receberam a primeira dose da vacina COVID-19 da Pfizer- BioNTech apresentam resposta imunitária à vacina.

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Estudo português mostra que vacina COVID-19 da Pfizer ativa resposta imunitária
Estudo português mostra que vacina COVID-19 da Pfizer ativa resposta imunitária. Foto: © Rosa Pinto

Investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) em colaboração com o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental estão a estudar o grau de efetividade da vacina para a COVID-19 da Pfizer- BioNTech, numa população de 1.200 profissionais de saúde que receberam a vacina.

Os primeiros resultados do estudo revelam que 90% do grupo de profissionais de saúde do estudo mostram uma resposta imunitária à vacina. Para o estudo todos os participantes foram testados para a presença de anticorpos dirigidos ao vírus antes da toma da vacina e três semanas após a administração da primeira dose.

Numa segunda fase do acompanhamento, três semanas após a toma da segunda dose, o grupo de profissionais de saúde irá ser testado. O IGC indica que a duração da resposta imunitária será acompanhada em fases seguintes agendadas ao longo do ano. Ao longo do processo os participantes respondem a um questionário para registo de sintomas para aferição da sua proteção contra a COVID-19.

Sobre o estudo que está a decorrer, Mónica Bettencourt-Dias, Diretora do Instituto Gulbenkian de Ciência, referiu: “A proximidade entre a ciência e os hospitais é mais do que nunca crucial no combate a esta doença pouco conhecida. As novas vacinas são uma conquista fantástica da ciência e o que nos dá esperança para o nosso futuro comum. Seguir a implementação destas vacinas é muito importante para garantir a eficácia e durabilidade da sua ação de uma forma independente. Permitir-nos-á ganhar confiança nesta ferramenta e afinar a sua administração no futuro”.

Para Carlos Penha-Gonçalves, investigador do IGC envolvido na implementação do estudo “é necessária a monitorização da aplicação da vacina, em diferentes contextos e diferentes populações, para garantir aquilo a que os cientistas chamam de “evidência no mundo real”. Só assim podemos aferir dados sobre a sua efetividade na proteção da infeção e da doença”.

A investigadora do IGC, Jocelyne Demengeot, esclareceu: “Os dados que obtivemos comprovam que a vacina está a cumprir o seu primeiro objetivo: estimular o sistema imunitário resultando no desenvolvimento de anticorpos específico do vírus” e acrescentou que a monitorização destas respostas imunitárias incluirá a capacidade de neutralizar diferentes variantes do vírus.

Na ótica hospitalar, Rita Perez, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (CHLO), reforçou que “as vacinas são seguras e a adesão tem sido extraordinária. Importa acompanhar a sua introdução para garantir que cumpre o seu objetivo de proteção dos que estão na linha da frente e que é um forte mecanismo de contenção da pandemia”.

Para João Faro Viana, Diretor do Serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, e médico participante no estudo, “a monitorização dos anticorpos, que são um dos componentes da resposta vacinal, é uma forma simples de demonstrar a sua eficácia, fundamental para dar segurança e confiança aos profissionais de saúde. Além disso, os Serviços Farmacêuticos em estreita colaboração com a Comissão de Farmácia e Terapêutica do CHLO, têm desenvolvido um trabalho muito importante de acompanhamento e registo de suspeitas de reação adversa medicamentosa (RAM), tendo, na maior parte das situações, sido identificados os efeitos expectáveis.”

O IGC indica, em comunicado, que pretende, ainda, alargar este estudo monitorizando outras faixas etárias da população, e a diferentes vacinas quando disponíveis a nível nacional, em parceria com outros hospitais e autarquias. O conjunto de dados recolhidos serão partilhados com o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge que agilizará, com as Agências Europeias, a monitorização nacional alargada o que permitirá fornecer informação para possíveis atualizações das recomendações de políticas globais.

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