Fraunhofer AICOS, do Porto, liga escolas, mercados e hospitais de Moçambique à internet

Escolas, mercados e hospitais de Mocuba e Alto Molócuè, em Moçambique, com ligação à Internet. O projeto SV4D do Fraunhofer AICOS, do Porto, pretende criar uma rede global de aldeias digitais através da internet de banda larga.

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Fraunhofer AICOS, do Porto, liga escolas, mercados e hospitais de Moçambique à internet
Fraunhofer AICOS, do Porto, liga escolas, mercados e hospitais de Moçambique à internet. Foto: DR

O centro de investigação Fraunhofer AICOS, com sede no Porto, está a desenvolver o projeto de Aldeias Sustentáveis para o Desenvolvimento (SV4D, de Sustainable Villages for Development). O objetivo é promover o acesso universal às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e criar uma rede global de aldeias digitais através da internet de banda larga, recorrendo a infraestruturas de baixo custo e baixo consumo energético.

O projeto tem uma implementação no terreno em Moçambique, onde no início do mês de setembro de 2018, investigadores do centro de investigação Fraunhofer AICOS instalaram a primeira rede SV4D, em Mocuba e Alto Molócuè, no norte de Moçambique.

A rede permitiu criar praças digitais em locais como escolas secundárias, universidades, autarquias locais e até mercados. O objetivo é estender a rede SV4D “ao resto do país e criar uma rede global de aldeias digitais através da Internet de banda larga.”

A equipa do projeto, que envolveu Waldir Moreira, André Pereira, Eduardo Pereira e Carlos Resende, instalou hardware e software customizado às necessidades das comunidades, em Mocuba e Alto Molócuè, “adaptando a tecnologia existente e reduzindo assim os custos de manutenção.”

Às infraestruturas existentes foi acrescentado um sistema que simula conetividade permanente, o projeto SV4D permite que a informação “salte de dispositivo em dispositivo” até que chegue a uma área conectada onde possa ser encaminhada para seu o destino final” desta forma centenas de pessoas locais passaram a ter acesso gratuito à internet.

Em Mocuba, foram criadas praças digitais na Faculdade de Engenharia Agronómica e Florestal (Campus de Nacogolone – UNIZAMBEZE), no Instituto Agrário de Mocuba, na Escola Secundária de Mocuba, no Hospital Distrital de Mocuba, e nos edifícios da Administração do Distrito e Conselho Municipal.

No Alto Molócuè, passou a haver pessoas ligadas à rede internet na Escola Secundária Geral da Pista Nova, no Instituto de Formação de Professores de Alto Molócuè, no Mercado Central, e ainda em edifícios da Administração do Distrito e Conselho Municipal.

O projeto em Moçambique que tem o apoio do Fundo do Serviço de Acesso Universal (FSAU) do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), e da Associação de Reguladores de Comunicações e Telecomunicações (ARCTEL) da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem como objetivo diminuir os efeitos da exclusão digital, bem como desenvolver os serviços que respondam às necessidades do utilizador Moçambicano, e identificar modelos de negócios direcionados à sustentabilidade das aldeias digitais.

Num tempo em que já proliferam redes móveis, fibra ótica e avançadas tecnologias de comunicação por satélite que levam os mais variados conteúdos ao consumidor é, no entender do Fraunhofer AICOS, “fácil esquecer que 53% da população mundial ainda não tem acesso à internet, reduzindo assim a sua possibilidade de participação numa economia cada vez mais digital.”

O centro de investigação Fraunhofer Portugal Research Center for Assistive Information and Communication Solutions (AICOS), localizado no Porto, foi criado em 2009 de uma parceria entre a Sociedade Fraunhofer (Fraunhofer-Gesellschaft), a Fundação para a Ciência e a Tecnologia e a Universidade do Porto.

Fraunhofer AICOS, do Porto, liga escolas, mercados e hospitais de Moçambique à internet
Fraunhofer AICOS, do Porto, liga escolas, mercados e hospitais de Moçambique à internet. Foto: DR

No Fraunhofer AICOS trabalham cerca de 80 investigadores contratados e possui uma carteira de clientes de diversas áreas de negócio como a saúde, agricultura, retalho ou energia. As competências do centro centram-se áreas como design centrado no utilizador, inteligência artificial, e sistemas ciberfísicos.

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