Inteligência Artificial e o impacto na sociedade nas conversas Human Entities

A 3ª edição do programa de conversas Human Entities é dedicada à Cultura na Era da Inteligência Artificial, e decorre a 20 e 27 de março, 17 de abril e 28 de maio. A participação é gratuita mas sujeita a inscrição prévia.

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Inteligência Artificial e o impacto na sociedade nas conversas Human Entities
Inteligência Artificial e o impacto na sociedade nas conversas Human Entities. Kenric McDowell. Foto: DR

A Cultura na Era da Inteligência Artificial é o lema da 3.ª edição do Programa de Conversas Human Entities, que aborda a inteligência artificial bem como o seu impacto na vivência social e na criação de cultura na sociedade e os possíveis futuros que se colocam.

Os oradores convidados desta 3.ª edição de conversas Human Entities incluem Kenric McDowell, Diretor Artist + Machine Intelligence na Google Arts & Culture, James Bridle, artista e escritor, e Stephanie Hare, investigadora e jornalista.

Na apresentação das “conversas Human Entities” é referido que poucas tecnologias estimulam tanto a imaginação como aquelas que tentam replicar a mente humana. Desde a Idade Média até à ficção científica moderna, muitos fantasiaram sobre a construção de máquinas vivas. E agora chegaram, de modo completamente diferente, sob a forma de inteligência artificial: como agentes de software, invisíveis, por detrás de um vasto espectro de tecnologias computacionais que estão a redefinir todos os aspetos da nossa vida quotidiana.

Mas em simultâneo “a utilização dos poderosos sistemas é acompanhada por crescente desigualdade social, múltiplos escândalos da indústria e um reconhecimento cada vez maior de que estas tecnologias estão a minar a democracia, com possíveis consequências para a liberdade individual”. E se o atual “cenário beneficia as elites ou, pelo contrário, contribui para o bem público vai depender das escolhas políticas atuais.”

É considerado que “com o passar do tempo, e à medida que a pressão aumenta, a compreensão que as empresas têm da máquina inteligente pode alterar-se de modo a lidar com a complexidade do mundo real. Mas, se não aceitarmos que humanos e máquinas pensam de forma diferente, estamos a limitar as nossas hipóteses de compreender o verdadeiro potencial da inteligência artificial.”

Por isso é considerado que “o nosso maior ganho com a inteligência artificial seja justamente a possibilidade de nos ajudar a ultrapassar o desejo de replicar a mente humana, oferecendo-nos novas formas de pensar.”

Dia 20 de março, pelas 18h30, decorre a primeira conversa da 3.ª edição do Programa Human Entities, sob o tema “California Capture: Como a West Coast transforma o Mistério em Infraestrutura”, em que Kenric McDowell, Diretor Artist + Machine Intelligence na Google Arts & Culture apresenta a história do envolvimento contracultural de Silicon Valley com o desconhecido, explorando as implicações desses encontros na identidade, arquitetura e desenvolvimento tecnológico global.

Inteligência Artificial e o impacto na sociedade nas conversas Human Entities
Inteligência Artificial e o impacto na sociedade nas conversas Human Entities. James Bridle. Foto: Cortesia de The British Council

Dia 27 de março, também às 18h30, o artista e escritor James Bridle aborda o tema Outras Inteligências. Nos últimos 10 anos, James Bridle emergiu como um comentador atento aos desafios que as novas tecnologias colocam à sociedade, desde a inteligência artificial à vigilância.

James Bridle é autor da obra “New Dark Age”, e sustenta que a quantidade de informação atualmente disponível revela menos do que o esperado e, pelo contrário, cria um mundo crescentemente incompreensível.

Na sua intervenção em Lisboa, o artista e escritor alerta “para o facto da sociedade atual ter sido levada a acreditar que o mundo pode ser reduzido a dados, e que só estes interessam. Mas, na verdade, o mundo transborda de vida e os algoritmos parecem incapazes de captar a sua complexidade. A visão lógica do mundo parece conduzir o indivíduo ao medo, à desconfiança e à polarização, e o colapso cognitivo aparece espelhado no colapso ecológico.”

Inteligência Artificial e o impacto na sociedade nas conversas Human Entities
Inteligência Artificial e o impacto na sociedade nas conversas Human Entities. Stephanie Hare. Foto: DR

Dia 17 de abril, às 18h30, a investigadora e jornalista Stephanie Hare é a oradora convidada da conversa de com o tema “Fazer face à biométrica”. Caras, vozes, ADN, impressões digitais e outros dados sobre o corpo de cada pessoa (dados biométricos) cada vez mais são utilizados por governos e empresas para identificar e monitorizar, bem como para analisar, prever e controlar os comportamentos. Isto põe de tal forma em risco a privacidade, as liberdades civis e as democracias que até os gigantes da tecnologia como a Google, a Microsoft e a Amazon estão a pedir regulação. A questão é então: Que papel devem as tecnologias biométricas desempenhar nas nossas sociedades?

O Programa de Conversas Human Entities é organizado pelo CADA, um grupo artístico que desenvolve software para o público em geral e para exposições, em parceria com a Trienal de Arquitectura de Lisboa, foca-se na mudança tecnológica e nos seus impactos – nas formas como a tecnologia e a cultura se influenciam mutuamente. A última conversa desta 3.ª edição acontece a 28 de maio com um orador que a organização referiu ser divulgado em breve.

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