Medicamento inovador para esclerose múltipla aguarda comparticipação

Novo medicamento para esclerose múltipla demonstra eficácia em casos particularmente agressivos. O Alemtuzumab foi aprovado pela Agência Europeia do Medicamento em Setembro de 2013. Em Portugal aguarda comparticipação.

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Um novo medicamento para a esclerose múltipla, o Alemtuzumab, com mecanismo de acção inovador demonstrou eficácia em doentes que não responderam a outros fármacos já disponíveis em Portugal.

O Alemtuzumab indica a Sanofi Genzyme, é um anticorpo monoclonal humanizado anti-CD52 que possibilita a reprogramação da resposta imune em doentes com esclerose múltipla (EM) forma surto-remissão com doença ativa.

O estudo publicado na revista da ‘American Academy of Neurology’, ‘Alemtuzumab melhora a incapacidade pré-existente em doentes com doença ativa’, demonstrou melhorias significativas do grau de incapacidade em doentes cuja resposta a outros tratamentos tinha sido inadequada.

Os investigadores, autores do estudo, sugerem que a inibição eficaz da inflamação do Alemtuzumab no sistema nervoso central pode proporcionar um ambiente nos tecidos que propicie mecanismos de remielinização e reparação.

Mas os investigadores indicam que os mecanismos responsáveis pela melhoria da incapacidade pré-existente continuam ainda a não estarem esclarecidos.

Luís Cunha, diretor do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), referiu, citado em comunicado, que “o Alemtuzumab já foi administrado em doentes portugueses com resultados bastante positivos”, pelo que se aguarda “que o medicamento fique acessível aos doentes”, e estes possam beneficiar do tratamento da doença.

“É para nós, profissionais de saúde, frustrante saber que temos medicamentos inovadores com resultados diferenciados e que os doentes não podem beneficiar dos mesmos e receber o tratamento adequado”, acrescentou o médico especialista

Lívia de Sousa, neurologista do CHUC, lembrou a importância de tratar a EM desde os primeiros sintomas, enquanto ainda é possível conter, ou até mesmo em alguns casos, reverter a progressão da incapacidade consequente da doença.

A especialista referiu que “Alemtuzumab tem mostrado ser eficaz em casos particularmente agressivos de EM que não responderam a fármacos já disponíveis no mercado português. O carácter heterogéneo da doença faz com que seja imperioso termos várias opções terapêuticas para que cada um dos casos e dependo do estadio da doença, todos os doentes possam receber o tratamento adequado”.

O Alemtuzumab já “foi aprovado em mais de 50 países, com pedidos de comercialização adicionais em revisão pelas autoridades regulamentares a nível global”. De acordo com a empresa Sanofi Genzyme “o medicamento é indicado para doentes adultos com EMSR com doença ativa definida por critérios clínicos ou imagiológicos.O mecanismo exato através do qual o Alemtuzumab exerce o seu efeito terapêutico sobre a EM é desconhecido.”

O Alemtuzumab é um anticorpo monoclonal humanizado e que tem como alvo a CD52, um antigénio de superfície abundante nos linfócitos T e B. Julga-se que os linfócitos T e B circulantes são responsáveis pela degradação do processo inflamatório na EM. O medicamento reduz os linfócitos T e B depois de cada curso de tratamento. As contagens de linfócitos aumentam depois ao longo do tempo, com uma reconstituição da população de linfócitos que varia para os diferentes subtipos de linfócitos.

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