Medo da cirurgia à coluna afasta doentes do tratamento

Dores nas costas são responsáveis por perda de qualidade de vida e motivo de ausência laboral. Medo da cirurgia à coluna leva que muitos doentes não se tratem, mas atuais métodos cirúrgicos são seguros e eficazes, esclarecem médicos da campanha ‘Olhe Pelas Suas Costas’.

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Medo da cirurgia à coluna afasta doentes do tratamento
Medo da cirurgia à coluna afasta doentes do tratamento. Foto: © DR

As doenças que afetam a coluna representam mais de 50% das causas de incapacidade física, e de acordo com a Organização Mundial da Saúde, as dores nas costas são a principal causa de consultas médicas, indica nota da campanha ‘Olhe Pelas Suas Costas’.

Um estudo, realizado no âmbito da campanha, indica que 28,4% dos portugueses sentem que a sua atividade profissional já foi prejudicada ou comprometida, de alguma forma, pelo facto de terem dores nas costas, e mais de 400 mil portugueses faltam ao trabalho por ano por este motivo.

A campanha ‘Olhe Pelas Suas Costas’ vem lembrar que o medo da operação à coluna continua a distanciar os doentes do tratamento e a influenciar a sua qualidade de vida, por isso é necessário esclarecer os mitos sobre a cirurgia da coluna, reforçando a importância desta no regresso à vida ativa e na melhoria da mobilidade e funcionalidade dos doentes.

Paulo Pereira, neurocirurgião, coordenador nacional da campanha, refere que “atualmente dispomos de técnicas cirúrgicas que acarretam um risco reduzido de complicações e que podem devolver aos doentes a sua qualidade de vida. O problema é que, muitas vezes, as pessoas evitam estas cirurgias porque desconhecem a realidade destes procedimentos”.

“As técnicas atualmente disponíveis, nomeadamente as minimamente invasivas, distanciam-se bastante do conceito convencional, e enraizado em grande parte da população, sobre a cirurgia à coluna. A novas técnicas cirúrgicas apresentam diversos benefícios para o doente, nomeadamente, menos dor no pós-operatório, menor tempo de internamento e um regresso mais rápido à vida ativa”, esclarece o médico Paulo Pereira.

As hérnias discais mais comuns, entre os 30 e os 50 anos de idade, e a estenose lombar, que afeta cerca de 20% da população com mais de 65 anos, são as patologias que mais frequentemente necessitam de intervenção cirúrgica.

Paulo Pereira indica que é frequente encontrar doentes “que recusam sistematicamente a cirurgia, agravando o seu estado de saúde e perdendo, à medida que o tempo passa, a capacidade para realizar tarefas anteriormente consideradas simples”, pelo que considera ser necessário “esclarecer estes doentes”.

“Importa que saibam que a cirurgia da coluna é hoje diferente do que era há décadas atrás, com menor risco de complicações e maior previsibilidade em termos de resultados favoráveis”, esclarece o neurocirurgião, e acrescenta que “não significa, naturalmente, que seja uma solução para todos os doentes, nem sequer para a maioria”.

Quando a cirurgia é indicada para a resolução do problema, esta deve ser feita, e se “é realizada por um cirurgião experiente, a probabilidade de melhorar de forma significativa a qualidade de vida do doente é, em regra, muito superior à de conduzir a um mau resultado”, conclui o neurocirurgião.

A campanha ‘Olhe pelas Suas Costas’ é uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, da Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia, da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação e da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, e pode ser acompanhada nas redes sociais.

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