Morreu Richard Demarcy dramaturgo francês com grande ligação a Portugal

Richard Demarcy, encenador e dramaturgo, uma referência no teatro francês, morreu aos 76 anos. O Ministro da Cultura português, Luís Filipe de Castro Mendes, já lamentou a morte daquele que foi um dos primeiros encenadores a levar Fernando Pessoa aos palcos franceses.

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Richard Demarcy tinha uma profunda ligação a Portugal, lembrou Ministro da Cultura português, Luís Filipe de Castro Mendes, referindo que o encenador, poeta e dramaturgo francês, que acaba de morrer, “foi um dos primeiros encenadores a levar Fernando Pessoa aos palcos franceses” e que dedicou “várias peças à revolução portuguesa, como ‘Le Secret’, encenado em 1972-1973, e ‘La Nuit du 28 Septembre‘, que estreou em 1975 no Centro Cultural de Évora.”

Richard Demarcy nasceu, em janeiro de 1942, na Normandia, e estudou Sociologia e Etnologia na Sorbonne e na École Pratique des Hautes Études. Torna-se professor, escreve os primeiros poemas e peças, participa no Maio de 68 e, nesse ano, assume a direção do Théâtre de la Commune, nos subúrbios de Paris, pioneiro na descentralização da cultura e da criação.

Doutorado em sociologia a sua tese de doutoramento foi publicada nos anos 1970, com o titulo ‘Élements d’Une Sociologie du Spectacle’, é uma obra de referência em todo o mundo.

Ao lado da atriz portuguesa Teresa Mota, fundou o Naïf Théâtre em 1972, em Paris. Um homem de ação, poeta e explorador, curioso sobre os outros e o mundo, apaixonado por África em particular.

Em 1999, com a companhia africana Sanza Théâtre, apresentou ‘Ubu Dechâiné’ no Festival de Teatro de Almada. Em 2011 trouxe também a Portugal a peça ‘Un Certain Songe, Une Nuit D’Été‘, a partir de Shakespeare.

Richard Demarcy era um autor poeta, que tinha na partilha e na palavra a inteligência e a sensibilidade do mundo. Autor de poemas, publicados em revistas de 1964 a 1973, peças infantis, um libreto de ópera, ‘A caverna de Ali’ (1987), um romance, ‘Angela, a guerrilha soprano’ (Julliard, 1990) e o livro ‘Elementos de uma sociologia do espetáculo’.

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