OMS: pessoas com VIH/SIDA têm alto risco de morte no caso de mpox ou COVID-19

Pessoas com VIH têm elevado risco de hospitalização e morte quando infetadas com mpox ou COVID-19, revela a Organização Mundial da Saúde. A Organização indica que é preciso integrar o VIH na preparação e resposta às pandemias.

OMS: pessoas com VIH/SIDA têm alto risco de morte no caso de mpox ou COVID-19
OMS: pessoas com VIH/SIDA têm alto risco de morte no caso de mpox ou COVID-19. Foto: Rosa Pinto

A Organização Mundial da Saúde (OMS) nas suas notas durante a 12ª Conferência Internacional da Sociedade Internacional da SIDA sobre Ciência do VIH, referiu que a terapia antirretroviral continua a transformar a vida das pessoas que vivem com VIH. Quando diagnosticadas e tratadas precocemente a expectativa de vida pode ser igual às pessoas com diagnóstico negativo ao VIH.

No final de 2022, 29,8 milhões das 39 milhões de pessoas a viver com VIH estavam em tratamento antirretroviral, o que significa 76% de todas as pessoas a viver com VIH, em que 71% a viver com VIH suprimido (não transmitem o vírus), revelou a OMS.

VIH e mpox

Uma análise dos dados de vigilância global relatados à OMS durante o surto de mpox em vários países identificou que entre mais de 82.000 casos de mpox, cerca de 32.000 casos havia infeções de VIH. Dentre eles, 52% viviam com VIH, sendo a maioria homens que fazem sexo com homens (HSH); e mais de 80% relataram ter sido pelo sexo a via mais provável de se terem infetado com mpox.

Entre 16.000 pessoas diagnosticadas com mpox e a viver com VIH, cerca de um quarto, ou seja, 25%, apresentava doença avançada por VIH ou imunossupressão, que levou a um risco aumentado de hospitalização e morte. No entanto, as pessoas a viver com VIH que estavam em tratamento e com boa imunidade tiveram hospitalização e desfechos de morte semelhantes aos VIH negativos.

VIH e COVID-19

Uma análise atualizada da plataforma clínica global da OMS para COVID-19 até maio de 2023 revelou um alto risco persistente de morte em pessoas a viver com VIH hospitalizadas por COVID-19 relacionadas com as variantes pré-Delta, Delta e Omicron do coronavírus, com uma taxa geral de mortalidade hospitalar de 20% a 24%.

Para pessoas sem VIH, o risco de morte caiu durante a onda variante Omicron em 53% a 55% em comparação com as ondas variantes pré-Delta e Delta; mas para as pessoas que vivem com VIH, o declínio percentual na mortalidade durante o período da onda Omicron em comparação com as outras ondas foi modesto, de 16% a19%. Esta diferença mostrou um risco 142 vezes maior de morte entre pessoas a viver com VIH em comparação com pessoas sem VIH durante o período da onda da variante Omicron.

Para Meg Doherty, Diretora dos Programas Globais de VIH, Hepatite e Infeções Sexualmente Transmissíveis da OMS, “o VIH descontrolado continua a ser um fator de risco para resultados ruins e morte no surto de mpox e na pandemia de COVID-19”.

“Devemos garantir a integração das considerações sobre o VIH na preparação e resposta à pandemia. Proteger as pessoas que vivem com VIH de futuras pandemias é vital e reforça a necessidade de garantir o acesso a testes e tratamentos de VIH e vacinas preventivas para mpox e COVID-19 para salvar vidas; respostas lideradas pela comunidade que funcionam para o VIH também serão benéficas para enfrentar futuras pandemias”, concluiu Meg Doherty.