XII Festival da Máscara Ibérica em Belém

Caretos, Mascarados e Gigantes invadiram a Praça do Império, em Lisboa, no dia 6 de maio. De Espanha e do norte de Portugal vieram mostrar, com muita arte, cor e ritmo, uma das mais antigas tradições de rituais que são comuns aos dois países.

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XII Festival da Máscara Ibérica, Lisboa
XII Festival da Máscara Ibérica, Lisboa. Foto: Rosa Pinto

O Festival Internacional da Máscara Ibérica realizou-se pela primeira vez em Belém, na Praça do Império, em Lisboa, nos dias 4 a 7 de maio. No dia 6 um conjunto de 36 grupos de caretos, mascarados e gigantes, com mais de 650 participantes, oriundos de Portugal e Espanha mostraram nesta XII edição, uma das tradições ancestrais da Península Ibérica.

No âmbito de Lisboa Capital Ibero-Americana de Cultura de 2017, foram países convidados do Grande Desfile da Máscara Ibérica, a Colômbia e o Peru. Da Colômbia vieram os monstros do mar, da terra e das galáxias que fazem de Barranquila um local de preservação e divulgação cultural, para além de um testemunho vivo duma tradição folclórica. Do Peru chegou à Praça do Império a ‘Diablada’, mascara e traje de diabo, “uma dança entre as forças do bem e do mal, numa alusão aos jesuítas instalados no Peru, no século XVI.”

O XII Festival Internacional da Máscara Ibérica trouxe ao Jardim da Praça do Império, para além das máscaras e caretos, artesanato e produtos regionais, provas gastronómicas, concertos, exposições e muita animação de rua. Durante quatro dias as tradições uniram-se ao património local numa simbiose de culturas.

Muitos dos grupos que desfilaram têm sido responsáveis por uma persistente preservação da diversidade cultural de algumas das localidades de Portugal e Espanha. Os caretos de grijó, com as mascaras de madeira, trajes coloridos e chocalhos, mostraram a exuberância duma tradição que se perde no tempo, bem como os caretos da Parada, de Salsas, de Podence ou de Varge, todos do distrito de Bragança.

As mascaras de Vila Boa, Vinhais, de madeira de castanheira, feitas a canivete, em que os mascarados vestem calças e casaco de lã ou linho e transportam chocalhos, estão ligadas a rituais do Solstício de inverno como o entrudo. Das aldeias do xisto de Gois vieram as máscaras de cortiça, e do Vale de Ílhavo vieram os Cardadores, de Mira os Caretos da Lagoa, Madamas e Caretos de Torre de Dona Chama e de Mogadouro o Chocalheiro de Bemposta, o Farandulo de Tó, a Festa dos Velhos de Bruçó, o Careto e a Velha de Valverde e o Velho de Vale do Porco.

Os Brutamontes do Auto das Floripes, de Viana do Castelo. Uma representação que nos remete para os séculos XVI a XVIII e que é representada durante a Romaria da Senhora das Neves, e de Vila Real veio o grupo de Maio de Nogueira.

Das Astúrias os exímios saltadores ‘Los Sidros y la Comedia de Valdosoto’, de Burgos Los Gigantones y Cabezudos de Aranda de Duero, de Azabal, Calceres veio Carnaval de Hurdano, de Acehúche Las Carantonas de San Sebastián, da Catalunha Los Giantes de Sant Jordi y del Tricentenario, da Galiza as Bonitas de sande, o Carnaval de Cobres, Los Boteiros y Folion de Viana do Bolo, Los Danzantes y Boteiros de Vilarino de Conso, Los Peliqueiros y Parranfón de Campobecereros, de Guadalajara vieram Los Diablos de Luzón, de León Los Jurrus y Birrias de Alija del Infantado, e Los Torros y los Guirrios de Velilla de la Reina. De Salamanca Los Hombres de Musgo de Bejar e de Zamora Los Carnavales de Villanueva de Valrojo.

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