Artur Brás: um empreendedor que prova a força da diáspora portuguesa

Daniel Bastos, Historiador e Escritor
Daniel Bastos, Historiador e Escritor. Foto: DR

Uma das marcas mais características das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é, indubitavelmente, a sua vocação empreendedora. Esta realidade é amplamente comprovada pelas trajetórias de inúmeros compatriotas que criaram empresas de sucesso e assumem funções de relevo nos domínios cultural, social, económico e político.

Entre os múltiplos exemplos de empresários lusos da diáspora — hoje cada vez mais reconhecidos como um ativo estratégico na projeção internacional de Portugal — destaca-se o percurso inspirador de Artur Brás.

Natural da freguesia de Rossas, no concelho minhoto de Vieira do Minho, onde nasceu em 1948, no seio de uma família de lavradores, Artur Brás teve oportunidade de estudar em Braga até à adolescência, concluindo o 5.º ano na Escola Industrial Carlos Amarante. Em 1965, partiu para França, seguindo o caminho de milhares de jovens portugueses que, no contexto da ditadura salazarista, procuravam escapar ao serviço militar obrigatório na Guerra Colonial.

Munido de um passaporte de estudante e com alguns conhecimentos de francês, não percorreu — ao contrário de muitos compatriotas — os trilhos da emigração clandestina. Ainda assim, a chegada a França ficou marcada por dificuldades iniciais, tendo sido acolhido durante três dias no “bidonville” de Saint-Denis, um vasto bairro de lata que, na década de 1960, acolheu milhares de portugueses em condições extremamente precárias.

Dotado de uma personalidade resiliente e de uma ética de trabalho profundamente enraizada nos valores familiares, iniciou o seu percurso profissional como ajudante na construção civil. A sua determinação permitiu-lhe ascender rapidamente, tornando-se diretor de uma empresa francesa aos 26 anos, na região de Seine-et-Marne.

Um ano depois, regressou a Vieira do Minho, movido pela saudade da terra natal, onde realizou alguns investimentos e deu início à sua atividade empresarial na construção civil. Contudo, um acidente de trabalho levou-o a regressar a França. Foi aí que, em 1977, fundou uma empresa especializada na construção de vivendas de luxo e conheceu, em Paris, Maximina da Silva, também natural de Vieira do Minho, que viria a tornar-se sua companheira de vida e um pilar fundamental no seu percurso.

A empresa “Arthur Brás Construções” afirmou-se, na região de Chantilly, a norte de Paris, como uma referência de qualidade, rigor e credibilidade. Paralelamente, expandiu a sua atividade para o setor da promoção imobiliária, consolidando o “Grupo Arthur Brás”, hoje composto por mais de uma dezena de empresas ligadas à construção, património e investimento imobiliário.

O reconhecimento do seu percurso empreendedor materializou-se, em 2018, com a inauguração, no dia do seu 70.º aniversário, do Hyatt Regency Chantilly, um hotel de quatro estrelas que simboliza o culminar de décadas de trabalho, visão estratégica e capacidade de execução.

Apesar do sucesso alcançado em França, Artur Brás nunca quebrou a ligação a Portugal. Discreto, fiel aos valores da família e da amizade, mantém uma relação próxima com o país de origem, sendo hoje um exemplo paradigmático do potencial estratégico da diáspora portuguesa.

Num momento em que Portugal enfrenta um dos maiores desafios da sua contemporaneidade — a crise habitacional —, o empresário luso-francês tem vindo a afirmar-se como um agente ativo na resposta a este problema. Em Braga, desenvolve projetos junto à Universidade do Minho e ao Hospital de Braga, com forte procura por parte de docentes e profissionais de saúde.

Para além deste investimento num dos concelhos mais dinâmicos do país, onde o crescimento demográfico tem sido particularmente expressivo na última década, Artur Brás impulsionou também a construção de cerca de meia centena de apartamentos em Amares. Simultaneamente, encontra-se a estudar novos projetos em Vieira do Minho, terra que, em 2021, o homenageou no âmbito do 507.º aniversário da sua elevação a concelho.

Ao expandir a sua atividade em território nacional, o empresário não só reforça o crescimento do “Grupo Arthur Brás”, como contribui diretamente para o desenvolvimento económico regional, criando emprego, dinamizando o setor da construção e ajudando a fixar população.

Mais do que um caso de sucesso individual, o percurso de Artur Brás — marcado também por diversas iniciativas de apoio à comunidade luso-francesa, designadamente na área do futebol e em ações de solidariedade em prol de crianças carenciadas — evidencia, de forma inequívoca, o papel estruturante da diáspora portuguesa no desenvolvimento do país. As comunidades portuguesas no estrangeiro não são apenas depositárias de memória e identidade: afirmam-se, cada vez mais, como agentes económicos e sociais de relevo, capazes de gerar investimento, promover a transferência de conhecimento e construir pontes duradouras entre Portugal e o mundo.

 O empreendedor luso-francês Artur Brás
O empreendedor luso-francês Artur Brás. Foto: DR

Num tempo em que se impõe repensar estratégias de crescimento e coesão territorial, a valorização deste capital humano e empresarial da diáspora revela-se não apenas desejável, mas indispensável. O exemplo de Artur Brás demonstra que o empreendedorismo emigrante não é apenas uma história de superação individual — é, sobretudo, uma alavanca concreta para o futuro coletivo de Portugal.

Autor: Daniel Bastos, Historiador e Escritor